Sem o menor diálogo com a classe trabalhadora, os grupos pró-impeachment e “contra a corrupção” não se manifestaram durante o Dia do…

Onde estavam os grupos “contra-corrupção” no Dia do Trabalhador?

Onde estavam os grupos “contra-corrupção” no Dia do Trabalhador?Sem o menor diálogo com a classe trabalhadora, os grupos pró-impeachment e “contra a corrupção” não se manifestaram durante o Dia do…


Onde estavam os grupos “contra-corrupção” no Dia do Trabalhador?

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Sem o menor diálogo com a classe trabalhadora, os grupos pró-impeachment e “contra a corrupção” não se manifestaram durante o Dia do Trabalhador. Talvez, o motivo seja o fato de que grupos como o Movimento Brasil Livre defendam projetos polêmicos como a terceirização, corte de gastos em programas sociais e até mesmo a privatização de setores como a Saúde.

O Dia do Trabalhador no Brasil é chamado de Dia do Trabalho.

Uma herança da ditadura militar, que mesmo não fazendo o menor sentido e sendo algo praticamente exclusivo do Brasil, nenhum governo pós-militar fez questão de modificar.

Não por acaso, o seu sentido internacional foi meio alterado por aqui.

Enquanto ao redor do mundo os trabalhadores organizados utilizam a data para se manifestar radicalmente contra governos, gigantes do mercado e ameaças totalitárias contra a classe, por aqui sempre foi motivo de festa.

Sindicatos aparelhados e manipulados como a Força Sindical é um belo exemplo disso. Ao invés de organizar a classe para articular uma defesa do trabalhador, prefere sortear automóveis e abrir espaço para apresentações populares. Um verdadeiro espetáculo.

É o chamado circo, feito para fazer o trabalhador esquecer do que realmente importa.

Porém, apenas a Força Sindical do deputado Paulinho da Força representou os “grupos pró-impeachment” neste domingo. Os demais, como Movimento Brasil Livre e Vem pra Rua, simplesmente sumiram. Do outro lado, pró-governo, não faltou gente na rua. A CUT deu conta do recado e fez o seu papel: colocou dezenas de milhare de pessoas no Vale do Anhangabaú, e com a presidenta Dilma Rousseff presente, politizou minimamente a data festiva.

Foto: Alice V/Democratize

Na realidade não é difícil imaginar os motivos que fazem grupos como o Movimento Brasil Livre simplesmente “não existirem” no dia mais importante da classe trabalhadora no mundo. É fácil: eles não acreditam nessa data.

O MBL, liberal e defensor do chamado “Estado mínimo” existe por um motivo: colocar em prática as teses defendidas pelo seu fundador e financiador, que é a ONG norte-americana Students for Liberty (Estudantes pela Liberdade). Por isso, defendem o futuro governo de Michel Temer com unhas e dentes. Temer prometeu cortar gastos, privatizar massivamente a infra-estrutura, fazer ajustes em programas sociais e diminuir ao máximo a máquina pública, com medidas de austeridade.

Mas eles não eram contra a corrupção? Temer não é corrupto, citado várias vezes na Operação Lava Jato?

Ingênuos aqueles que acreditam em Papai Noel.

Por não acreditarem no significado do Dia do Trabalhador, o grupo do Kim Kataguiri não fez questão de se manifestar nesse 1º de Maio.

Na realidade, mesmo se quisessem, não teriam como.

Os movimentos pró-impeachment, ao todo, não conseguem dialogar com as classes mais pobres do Brasil, mesmo após gigantes protestos desde o ano passado. A sua linguagem e suas bandeiras não batem com a das classes C, D e E, que já consideraram suas manifestações “coisa de gente rica”, conforme relatado pelo instituto de pesquisas Datapopular.

Foto: Wesley Passos/Democratize

Enquanto a classe trabalhadora, em esmagadora maioria defende o aumento de programas sociais e a melhoria nos serviços públicos, esses grupos são contra ambos. A tese defendida por Kim Kataguiri, durante entrevista para a Folha de São Paulo, deixa bem claro isso. Privatizar o sistema público de Educação e Saúde, e distribuir “vouchers” para a população chega a beirar a irracionalidade, como se a população mais pobre não fosse mais do que cães de estimação, que de vez em quando merecem um “carinho”.

Agora, imaginem isso sendo discutido com uma dona de casa e trabalhadora, de 40 anos, moradora do Capão Redondo, solteira e com 4 filhos, com média de renda em torno de mil reais.

Por isso, usaram a bandeira da corrupção.

Suas ideias nunca seriam, e nem serão populares. Um candidato em período eleitoral propondo tais absurdos provavelmente não conseguiria absolutamente nada. Então, claro, a única forma de aplicar essas teses no poder seria de forma indireta. E foi isso que eles fizeram.

A corrupção foi uma cortina, apenas, para defender e aplicar medidas anti-trabalhistas. E por isso, eles não estiveram no Dia do Trabalhador.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on May 2, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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