Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Onde estava o MBL para “impedir a invasão” dos policiais na Alerj?

No dia seguinte da invasão dos policiais e servidores da Segurança Pública, foi a vez dos servidores da Saúde, Educação e outras áreas se manifestar na Alerj. Porém, desta vez, os militares brecaram qualquer tentativa de ocupação. Porém, o mais curioso é: onde estava o MBL para “impedir” a invasão e ocupação da Alerj pelos policiais no dia 8?

No dia 8 deste mês, policiais e servidores da Segurança Pública protestavam em frente a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) contra a proposta de austeridade e cortes que estaria sendo votada pelos deputados estaduais. A iniciativa partia do governo estadual, de Pezão (PMDB).

Durante certo momento do protesto, os policiais conseguiram invadir a Alerj. Alguns objetos foram danificados e salas no interior da assembleia foram reviradas pelos manifestantes. A invasão e ocupação conseguiu brecar a votação, colocando pressão nos deputados sobre a possibilidade de uma greve na área da Segurança Pública caso o projeto fosse aprovado.

No dia seguinte, foi a vez dos demais servidores, de áreas distintas do Estado se manifestarem. Eles até tentaram ocupar a Alerj novamente – mas desta vez os policiais estavam do outro lado. Bombas foram usadas para conter os manifestantes. Nossa equipe ainda flagrou que boa parte do material utilizado pela PM para dispersão do ato estava com prazo de validade vencido.

Foto: Kauê Pallone/Democratize
Foto: Kauê Pallone/Democratize

Apesar dos diferentes tratamentos, tudo tem um motivo por trás.

Segundo jornais do Rio, os deputados da base do governo estariam negociando com os servidores da Segurança Pública de “eliminar” a área da contenção de gastos, tornando ainda mais precária os demais setores do Estado, que serão fragilizados por cortes e demissões.

Porém, o fato mais irônico da invasão, ocupação e danificação do patrimônio público pelos policiais na Alerj foi a reação de grupos de extrema-direita que, geralmente, não costumam tolerar esse tipo de atitude por parte de servidores públicos ou manifestantes em geral.

É claro que estamos falando do Movimento Brasil Livre, grupo organizado responsável por diversos casos de violência física para conter as ocupações nas escolas estaduais do Paraná.

No último mês, o MBL não apenas investiu na ação de desocupação das escolas, enviando integrantes do grupo de vários estados para o Paraná, como também incentivou a violência contra os estudantes que ocupavam esses colégios. Mas não foi apenas nas escolas.

A Câmara de Guarulhos, por exemplo, ocupada por manifestantes recentemente, foi alvo de críticas pelo grupo, que chegou a promover uma tentativa de “desocupação” convocando seguidores para protestar no local.

Escritório dentro da Alerj destruído por policiais que ocuparam o prédio | Foto: Democratize
Escritório dentro da Alerj destruído por policiais que ocuparam o prédio | Foto: Democratize

Mas, desta vez, o MBL se calou diante da ocupação feita pelos policiais. Não teve criminalização, muito menos enviaram militantes do grupo para discutir, agredir e ameaçar os servidores da Segurança.

Pelo contrário.

Se no dia 9 o deputado Marcelo Freixo (PSOL) conversava com os servidores públicos do lado de fora da Alerj, sobre os impactos do projeto, sem quaquer iniciativa de invasão, no dia 8 era o deputado Flávio Bolsonaro (PSC) que não apenas incentivou a invasão violenta por parte dos policiais, como também os ajudou a entrar e ocupar a assembleia.

Portanto, seguindo a versão apresentada pelo MBL, o Bolsonaro “teria incentivado o fascismo” – já que eles chamam a ocupação dos estudantes desta forma.

A ação “duas caras” do MBL mostra que ele age conforme seus interesses políticos, e nada demais do que isso. Eles não são contra o método de ocupação, mas eles preferem ocupações e invasões que partam de grupos aliados, por mais violentos que eles sejam, do que por opositores de esquerda.

Ao contrário do dia anterior, os servidores foram reprimidos no dia 9 pela polícia | Foto: Kauê Pallone/Democratize
Ao contrário do dia anterior, os servidores foram reprimidos no dia 9 pela polícia | Foto: Kauê Pallone/Democratize

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