Homem de confiança do prefeito Fernando Haddad (PT), o ex-secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente (2013–2015), vereador Ricardo…

O trabalho deles é lucrar com a higienização de São Paulo

O trabalho deles é lucrar com a higienização de São PauloHomem de confiança do prefeito Fernando Haddad (PT), o ex-secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente (2013–2015), vereador Ricardo…


O trabalho deles é lucrar com a higienização de São Paulo

Foto: UOL

Homem de confiança do prefeito Fernando Haddad (PT), o ex-secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente (2013–2015), vereador Ricardo Teixeira (Pros), recebeu em sua campanha eleitoral de 2008 mais de R$300 mil de construtoras e empresas relacionadas. Seu trabalho é colocar em prática na gestão pública a higienização da cidade por interesses privados.


*Trecho retirado da reportagem ‘A especulação imobiliária e seu interesse na falta de políticas para o povo de rua’, da Agência Democratize

Em evento realizado na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), ativistas e especialistas na questão do povo de rua debateram na semana passada a crise humanitária que vive as grandes capitais do Brasil, como é o caso de São Paulo, onde cerca de 7 moradores de rua faleceram na última semana por conta do frio, após a Guarda Civil Metropolitana (GCM) retirar cobertores e itens dessa população no Centro.

Uma das integrantes da mesa, a jornalista Sabrina Duran cita sobre uma denúncia envolvendo empresários da Mooca, proprietários de locais como o Terraço Itália, que estão pressionando o poder público para a retirada das ocupações da Alcântara (Mooca) e do Cimento (Bresser), que são malocas (ou seja, habitações construídas com materiais improvisados, em sua maioria em baixo de viadutos), que já foram alvo de ações da Guarda Civil Metropolitana e da prefeitura da capital.

Segundo os moradores dessas ocupações, a prefeitura não respeita a existência das malocas, através de políticas de repressão contra a população desses locais. No ano passado, a prefeitura alegou que estaria em construção um espaço na rua Cajuru (Belém), que receberia a população de rua de Alcântara e Cimento, com tendas e espaço para alimentação.

“Essa é uma região que está passando por uma especulação imobiliária, que tem empreendimentos novos”, disse a jornalista em evento na PUC, ainda detalhando que em frente ao local ocupado na Mooca os empresários estão construindo um condomínio de luxo — “O que acontece: quando esses prédios subirem, essas propriedades nas quais eles são donos na região irão disparar o valor, então eles podem construir um outro empreendimento que vai valer muito mais do que aquele que está sendo construído agora”.

Isso ocorre justamente com o apoio do setor público, principalmente com o vereador e engenheiro Ricardo Teixeira (Pros), além do subprefeito da Mooca, Evando Reis. Assim como Teixeira, que foi Secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente entre 2013 e 2015, o subprefeito Reis tem pós-graduação em Meio Ambiente pela Fundação Álvares Penteado, além de ser engenheiro. Evando também já trabalhou como supervisor de Habitação na Subprefeitura de Itaim Paulista, e dirigiu recentemente o setor de planejamento ambiental da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente — justamente ao lado do vereador Ricardo Teixeira.

Em sua ficha política, Ricardo Teixeira é conhecido por ter sido condenado pelo Ministério Público Estadual após participação na contratação de escritório de advocacia sem licitação, ainda quando era diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A), na gestão do governador Mário Covas (PSDB) em 2001. Mesmo assim, continua sendo um nome de “confiança” para o prefeito Fernando Haddad, o que explica a tese de acusação por parte dos movimentos por moradia e em defesa do povo de rua contra o petista.

“Quem são os maiores doadores de campanha para prefeito, presidente ou vereador? São os bancos e as empreiteiras. Que são os dois setores que hoje em dia mais pressionam as populações vulneráveis para que saiam dos territórios valorizados, para que os empresários possam construir nesses territórios”, completa a jornalista e ativista. Em sua campanha para vereador em 2008, ainda pelo PV, foi das construtoras e de empresas ligadas à construção que Teixeira mais recebeu doações: cerca de R$100 mil da Estacom Engenharia, e R$150 mil da Aib Associação Imobiliária Brasileira. Outros valores como R$30 mil da Construtora Oas, R$35 mil da Soebe Constr Pavimentação e R$23.566,00 da Etec Empreendimentos Técnicos de Engenharia e Comércio também constam em suas doações no ano de 2008.

Ou seja, um dos principais responsáveis pela política de higienização da capital recebeu milhares de reais de construtoras e empresas interessadas na especulação imobiliária na cidade de São Paulo, o que torna essa questão muito mais ampla e polêmica do que o imaginado.


Reportagem por Francisco Toledo, co-fundador da Agência Democratize

Veja mais aqui.

By Democratize on June 20, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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