“O Romário é tão oportunista na política como foi dentro da área”. A frase só podia ser do jornalista Juca Kfouri, um dos comentaristas…

“O Romário é tão oportunista na política como foi dentro da área”

“O Romário é tão oportunista na política como foi dentro da área”“O Romário é tão oportunista na política como foi dentro da área”. A frase só podia ser do jornalista Juca Kfouri, um dos comentaristas…


“O Romário é tão oportunista na política como foi dentro da área”

Foto: Francisco Toledo/Democratize

“O Romário é tão oportunista na política como foi dentro da área”. A frase só podia ser do jornalista Juca Kfouri, um dos comentaristas esportivos mais importantes do futebol atual no Brasil, que falou com exclusividade com o Democratize sobre política, decepção com o PT, voto no Marcelo Freixo, e claro — muito futebol.

O que esperar de um colega jornalista que, além de tudo, é amante do futebol? O óbvio: ele tinha que morar do lado de um dos estádios mais importantes da história do futebol brasileiro, o Pacaembu, na região do Higienópolis, em São Paulo. E foi lá que conversamos com Juca Kfouri, um dos comentaristas esportivos mais importantes da atualidade no Brasil.

Kfouri não é o que é apenas pela sua sensatez em relação ao futebol, ou pela sua falta de preocupação em falar sobre assuntos que alguns jornalistas esportivos tem medo de falar — corrupção na FIFA e CBF, nas diretorias de clubes, etc. Outro ponto forte que faz parte de sua característica é ter a noção de que futebol e política se misturam. E por isso, todo papo com ele acaba rendendo mais do que você imaginava, tanto sobre futebol quanto sobre política. E por isso, vamos por tópicos.

Política

Assim que começamos a falar sobre política, um assunto se tornou obrigatório: a atual situação na qual enfrentamos um governo guiado por um partido que defendia historicamente ideais de esquerda, mas que hoje aplica políticas neoliberais, e ainda peca na questão moral: “Eu sou um brasileiro decepcionado. Eu votei na Dilma, eu esperava tudo do PT, até incompetência, mas não esperava corrupção”, nos contou Juca.

“O partido (PT) que era o partido ético, virou o que virou”.

Juca ainda citou sobre a cúpula do Partido dos Trabalhadores, que conta com alguns nomes importantes atrás das grades após denúncias e investigações sobre envolvimento em corrupção — “Isso mostra que o PT não é a solução para o país”. Pra ele, o processo no qual se passa o PT acabou atrapalhando todos os setores de esquerda, gerando “uma desmoralização do pensamento de esquerda, que é muito lamentável no processo de democratização do Brasil”.

Mesmo com a crítica direta contra o governo petista, o jornalista da ESPN cita que não podemos cair em armadilhas golpistas — em referência aos protestos organizados por setores de direita exigindo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Ainda sobrou críticas ao principal partido de oposição ao governo: “Obviamente o PSDB não é solução pra coisa alguma no Brasil”.

Programa exibido por Juca Kfouri na ESPN com Marcelo Freixo, que acabou rendendo multa para ambos em 2012 | Reprodução/ESPN

Mas não foram apenas críticas ao cenário político atual. Quando questionei sobre nomes positivos que possam fazer algo para mudar a situação da política no Brasil, Juca foi certeiro em sua resposta: “Marcelo Freixo no Rio, Luciana Genro no Rio Grande do Sul, Chico Alencar no Rio… são políticos que estão fazendo um discurso correto ao meu ver, são políticos de história limpa, são políticos que podiam estar navegando na corrupção do PT — porque eram todos do PT — e não estão”. Marcelo Freixo que, aliás, parece ser um dos nomes favoritos do comentarista esportivo na política atual. Em uma conversa em off, Juca citou o caso enfrentado por ele e pelo deputado estadual do Rio de Janeiro antes das eleições municipais de 2012, na qual Freixo tentou se tornar prefeito do Rio. Após a participação do psolista no programa de Juca na ESPN, o candidato tucano para prefeito entrou em contato com sua equipe para também gravar um programa. A resposta negativa irritou o partido, que entrou com uma ação contra Juca e Freixo.

Quase quatro anos depois, Juca continua com forte apego ao projeto de Freixo ao Rio: “Meu candidato à prefeitura do Rio se chama Marcelo Freixo”.

Sobre o atual senador Romário (PSB), contando com a possibilidade de uma candidatura para o Rio de Janeiro em 2016, sobrou a cutucada: “O Romário é tão oportunista na política como foi dentro da área”.

Futebol e afins

É claro que falamos sobre futebol.

E o primeiro assunto, obviamente, foram o Campeonato Brasileiro deste ano e a Copa do Brasil. Quando questionado sobre quem será o vencedor de ambos os torneios, Juca foi direto: “Veja, o Campeonato Brasileiro só uma catástrofe tira o título do Corinthians. Oito pontos na frente, sete jogos faltando dos quais quatro são em casa, onde o Corinthians tem um aproveitamento de quase 90%”. O comentarista ainda citou a dificuldade dos clubes que estão atrás do timão na briga pelo título, Atlético/MG e Grêmio, que sofrem com a falta de sequência de vitórias, tornando ainda mais provável o título do Corinthians neste ano.

Já sobre a Copa do Brasil, Juca disse que apesar da dificuldade de se pensar em um vencedor por conta de se tratar de um campeonato de mata-mata, o Santos seria o favorito pelo futebol apresentado. Eu, palmeirense, cutuquei sobre as chances do Palmeiras no torneio: “Pode ganhar como ganhou no ano em que caiu (2012), jogou uma final com o Coritiba e ganhou, mas acho pouco provável que ganhe o Palmeiras, pela irregularidade do time”.

O papo levou para um assunto mais sério, que é a crise e mudança de direções que o futebol brasileiro tem levado — como a atual situação no time do São Paulo, onde sobrou até briga na mão entre os dirigentes. “Diante da realidade, diante do negócio em que o futebol se transformou, o capitalismo exige gente mais competente para gerir esses clubes e esse dinheiro. E exige gente que mesmo que não seja limpa que pelo menos não mate a galinha dos ovos de ouro. Os cartolas brasileiros são tão gananciosos que se contentam com as migalhas”, disse Juca.

Torcida antifascista do time do Ferroviário | Reprodução

Sobre o crescimento das torcidas antifascistas no Brasil e da politização dentro do campo — como a criação e o trabalho do Bom Senso Futebol Clube -, Juca diz que “certamente o Bom Senso FC é um oásis no panorama geral do nosso futebol, e essa contrapartida de torcedores que se organizam com palavras de ordem antifascistas, são o que a gente precisa pra dar cabo à aqueles torcedores minoritários (torcidas organizadas violentas)”.

E para finalizar, perguntei para Juca sobre o que podemos esperar da Copa do Mundo na Rússia. “A penúltima Copa do Mundo foi na África do Sul, a última no Brasil, a próxima na Rússia e depois dela será no Catar. O que esses países tem em comum?”, disse Juca, em referência ao subdesenvolvimento enfrentado pelos países sede da Copa, além do frágil processo de democratização na política e o alto índice de corrupção no qual enfrentam.


Mas de qualquer forma, o futebol continua. Com FIFA, com CBF ou com o Corinthians sendo campeão. E o mais importante aqui é que essa tendência, de politizarmos ainda mais o debate sobre o esporte mais popular do nosso país, continue. E são jornalistas como Juca Kfouri, que tornam isso cada vez mais possível, independente do time para que você torça.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on October 22, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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