Foto: Bárbara Dias/Democratize

O Rio virou a Grécia? A resistência dos trabalhadores contra o pacote de maldades

O Ato dos servidores contra o “Pacote de Maldades do Pezão”,  no Rio de Janeiro, que começou a ser votado nesta terça (06), foi fortemente reprimido pelo Batalhão de Choque. Foram horas e horas de muitas bombas de gás lacrimogêneo e tiros com balas de borracha. Os servidores públicos,  desta vez estavam mais organizados, e realizam uma resistência com escudos, luvas para devolver as bombas de gás, fogos de artifício, paus e pedras, além de barricadas para impedir a aproximação da polícia.

O conhecido  popularmente como “Pacote de maldades” do Governador Luiz Fernando Pezão, as medidas de austeridade que tem por objetivo cortar gastos para enfrentar a crise econômica no Estado do Rio de Janeiro, começou a ser votado na tarde desta terça-feira (6) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em meio a um forte confronto entre manifestantes e policiais militares.

A sessão começou às 14h, e os deputados estaduais votaram algumas medidas para conter os gastos da própria Casa: a extinção da frota de carros oficiais e a proibição de realizar sessões solenes no plenário à noite, que com objetivo de reduzir a conta de energia elétrica e horas extras. Foi também aprovado um corte de 30% nos salários do governador, do vice-governador e dos secretários, que ganham acima do teto salarial, que é de R$ 26 mil reais, secretários de Educação e Fazenda, que ganham acima do teto, terão salários reduzidos ou deixarão os cargos, por exemplo.

No entanto, não foi contra essas medidas que os servidores públicos protestavam, e sim contra os atrasos e parcelamento de salários,  que o Governo do Rio de Janeiro vem impondo,  diante da crise, aos trabalhadores. Por volta das 12h insuflados por discursos do carro de som, os manifestantes, tentaram derrubar as grades que protegem a Alerj, amarraram cordas e começaram a puxar, a resposta foi instantânea, uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo dispersou a multidão, para as ruas laterais.

Foto: Bárbara Dias/Democratize
Foto: Bárbara Dias/Democratize

Mais bem organizados e dispostos a resistir, os manifestantes usavam escudos, luvas para devolver as bombas de gás, fogos de artifício, paus e pedras para atacar, além de barricadas para impedir a aproximação da polícia. Apesar das forças bem desproporcionais, de uma polícia super equipada contra manifestantes com paus e pedras,  houve uma boa resistência, fazendo o conflito se estender por horas, tornando as ruas São José, da Assembleia, Primeiro de Março e Av. Presidente Antônio Carlos virarem verdadeiras praças de guerra.

Policiais do Batalhão de Choque, chegaram a invadir a Igreja de São José, para ter um ângulo melhor de tiro e lançamento de bombas, causando uma revolta a mais nas pessoas. Em nota a Nota da Irmandade do Glorioso Patriarca São José, lançou uma nota de repúdio a atitude da polícia:

“O tumulto sócio-político que tomou conta da São Sebastião do Rio de Janeiro, hoje, 3ª feira 6.12.2016, chegou até a Igreja de São José, na Av. Presidente Carlos, no começo da tarde. Por precaução e vigilância ao nosso patrimônio sacro-cultural, em dias de tais manifestações nas imediações da ALERJ – Assembleia Legislativa, sempre tomamos cuidado de fechar portas e janelas de nosso venerando templo mesmo a contra-gosto. Tropa da PM invadiu a igreja pela porta dos fundos, de aceso dos empregados e, subindo às sacadas, no 2º andar, de lá de cima jogavam bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral e gás de pimenta. Os manifestantes se revoltaram e começaram a apedrejar o nosso santuário de 410 anos. Certamente a Arquidiocese vai nos dirigir caminho a seguir e será importante nota eclesiástica na empresa para que nossa imagem, católica e pacifista, não fique atrelada a desmandos da Policia local. O prontuário aberto na policia, por nós, contra a indevida postura da PM no episodio é RJ-6.12.2016 – 0700119.

Respeitosamente,

Gary Bon-Ali e Lêda Machado

Provedoria

Irmandade do Glorioso Patriarca São José

Igreja de São José Centro”

Foto: Bárbara Dias/Democratize
Foto: Bárbara Dias/Democratize

As últimas medidas do “Pacote de Maldades”  serão votadas na próxima segunda-feira (12), esta sessão certamente será a mais polêmica, visto que o que está em pauta é o aumento da contribuição previdenciária dos servidores, de 11% para 14% do salário, além do adiamento para 2020 de reajustes salariais para várias categorias, que previamente já havia sido aprovados pela própria Alerj.

Trabalhadores Do Rio De Janeiro Resistem Contra Repressão

Flickr Album Gallery Powered By: Weblizar

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: