Foto: Wladimir Raeder/Democratize

O que esperar do “fator Ciro Gomes” para 2018?

Ele e seu partido se aliaram com o PMDB e partidos de centro-direita ao redor do país nas eleições municipais deste ano. Porém, dentro do núcleo que se auto-intitula esquerda no Brasil, Ciro Gomes foi o único que conseguiu sair vitorioso, passando por cima do lulopetismo e da alternativa do PSOL. Afinal, o que podemos esperar do “fator Ciro Gomes” para o ano de 2018?

Você votaria em Ciro Gomes para presidente em 2018?

Essa é uma pergunta que tem circulado no campo de esquerda no último ano, principalmente após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

E agora, mais do que nunca, essa pergunta deve ser feita.

Após os resultados das eleições municipais deste ano no Brasil, podemos perceber a desastrosa campanha do Partido dos Trabalhadores. Para começar, ter perdido no primeiro turno em sua maior aposta: a prefeitura de São Paulo, com Fernando Haddad. Analisando o conjunto da obra, é ainda mais dramático. Nem mesmo candidatos que resolveram sair do PT para concorrer em outros partidos conseguiram emplacar suas candidaturas – como é o caso de Jorge Lapas (PDT), na cidade de Osasco (SP), que saiu derrotado com uma ampla vantagem no segundo turno para seu rival, Rogério Lins.

É inegável que os campos de oposição ao PT utilizaram do anti-petismo para emplacar vitórias inacreditáveis neste ano – seja contra candidatos que ainda continuam no partido ou que se resolveram sair para manter chances de vitória.

O PT conseguiu apenas uma capital no país: Rio Branco, no Acre. Nada mais.

No outro lado temos o PSOL. Apesar do partido ter crescido nas principais capitais, elegendo mais vereadores – como é o caso do Rio de Janeiro, onde o partido conseguiu uma das maiores bancadas -, ainda não foi o suficiente para que o partido se mantenha como uma opção de esquerda ao PT. As derrotas de Marcelo Freixo no Rio, Luciana Genro em Porto Alegre, Erundina em São Paulo e Edmilson Rodrigues em Belém demonstram ainda uma fragilidade do PSOL – que talvez possa ser um dos aspectos mais positivos da sigla. Essa fragilidade se chama a negação da política institucional como existe nos dias de hoje.

Mas nem quando o partido abraçou essa institucionalidade, como foi o caso de Edmilson Rodrigues e o apoio indireto do PMDB na sua campanha no segundo turno, foi possível virar o jogo.

Isso porque o PSOL também foi jogado – pela mídia e pelo senso comum – como uma “segunda opção petista”. O partido sofre com o anti-petismo, por mais que tentem negar. Isso porque o anti-petismo, de alguma forma, se tornou um anti-esquerdismo doentio na sociedade brasileira.

Mas isso não atingiu um político em específico, que foi abraçado por parte da esquerda durante todo o processo de impeachment de Dilma Rousseff: o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes, do PDT.

Foto: Wladimir Raeder/Democratize
Foto: Wladimir Raeder/Democratize

Recentemente, o Estadão publicou uma reportagem afirmando que, nos bastidores, o PSDB e o PMDB já preparam uma espécie de ofensiva contra Ciro. E o motivo não poderia ser outro: no Nordeste, seus principais candidatos se sairam vitoriosos, repetindo uma marca que o governador Geraldo Alckmin (PSDB de São Paulo) alcançou neste ano, em sua capital e até mesmo em Belo Horizonte (MG).

Seu principal candidato neste ano, Roberto Claudio (PDT) conquistou a prefeitura de Fortaleza, reafirmando o poder da família Gomes no estado. A vitória saiu no segundo turno, contra o candidato Capitão Wagner, do PR.

A participação de Ciro na campanha foi crucial. Em determinado momento, o ex-governador chegou a associar o candidato do PR a um grupo de policiais acusados de participação em uma chacina na capital cearense, ocorrida em novembro de 2015: “Aí vem a milícia e assassina covardemente crianças pobres e inocentes. É capitçao”, disse. Seu irmão, o ex-ministro de Dilma Rousseff, Cid Gomes, também participou ativamente da campanha de Roberto Claudio.

Ao mesmo tempo, em capitais como o próprio Rio de Janeiro, Ciro Gomes deu os passos opostos da esquerda. Ao invés de seguir com um apoio ao Marcelo Freixo (PSOL), o ex-governador preferiu seguir a linha direcionada pelo PDT no estado, apoiando o candidato Pedro Paulo, do PMDB. O caso gerou uma enorme repercussão negativa para Ciro Gomes no sudeste, pelo fato do PMDB estar diretamente relacionado com o processo de impeachment de Dilma, o chamado “golpe” pelo próprio Ciro Gomes.

Em um debate promovido pela Agência Democratize em agosto, porém, Ciro afirmou que “nem todo o PMDB segue a mesma linha de orientação”, reafirmando que por ser um partido muito grande, existem vários grupos políticos na sigla que pensam de formas distintas.

De qualquer forma, sua explicação não agradou muitos eventuais seguidores – e não foi o suficiente para eleger Pedro Paulo, que saiu derrotado no primeiro turno.

Mas afinal, quais são as possibilidades de Ciro Gomes conquistar algo ainda maior em 2018, tendo em vista seu sucesso de articulação política no Nordeste nas eleições deste ano?

Sua intenção é clara. Montar uma Frente de Esquerda que tenha como composição principal o PDT (seu partido), o PT e o PCdoB – e até mesmo o PSOL. Em vários momentos, Ciro defendeu a linha de “governabilidade” praticada pelo ex-presidente Lula. Ou seja, em caso de vitória, pretende sim abrir espaço para os chamados partidos do “centrão”, para obter maioria no Congresso. Por diversas vezes, o ex-governador criticou a ex-presidente Dilma por não ter articulado de forma correta os partidos de sua base no governo, e principalmente por não ter personalidade suficientemente forte para conduzir as políticas necessárias no Planalto e no Congresso.

Ao mesmo tempo, trata-se de uma repetição do que já vimos. A governabilidade já funcionou em tempos de auge econômico – mas em momentos de crise, as chances de dar certo são praticamente nulas, seja com popularidade baixa entre a população após aplicar políticas de austeridade, ou no Congresso após fechar as portas para interesses do “centrão”.

De qualquer forma, Ciro Gomes é até o momento, ao lado do ex-presidente Lula, o nome mais comentado pelo campo que se auto-intitula de esquerda no Brasil para a presidência em 2018. Goste dele ou não.

Mas afinal, você votaria em Ciro Gomes?

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