Fernando Holiday, candidato para vereador em São Paulo pelo DEM e líder do Movimento Brasil Livre, utilizou um evento em comemoração ao…

O que aconteceria se o candidato do MBL chamasse seus aliados de assassinos?

O que aconteceria se o candidato do MBL chamasse seus aliados de assassinos?Fernando Holiday, candidato para vereador em São Paulo pelo DEM e líder do Movimento Brasil Livre, utilizou um evento em comemoração ao…


O que aconteceria se o candidato do MBL chamasse seus aliados de assassinos?

Reprodução/Youtube

Fernando Holiday, candidato para vereador em São Paulo pelo DEM e líder do Movimento Brasil Livre, utilizou um evento em comemoração ao aniversário de Fidel Castro para se auto-promover eleitoralmente. O chamou de assassino, rasgou o cartaz, foi preso. Mas, ele teria coragem de fazer o mesmo com seus aliados da Bancada Ruralista?


Por Francisco Toledo

O líder da revolução cubana completou seu aniversário de 90 anos neste mês de agosto. Em seu nome, a Câmara Municipal de São Paulo realizou uma homenagem ao cubano, na última sexta-feira (19).

Uma ótima oportunidade para um candidato de extrema-direita lucrar eleitoralmente.

E foi isso que Fernando Holiday, um dos líderes do Movimento Brasil Livre em São Paulo, acabou fazendo. O jovem é candidato pelo DEM para a Câmara Municipal neste ano, onde tenta aproveitar sua “popularidade” com um grupo específico da sociedade para levar seu movimento para a política institucional.

Através de um vídeo publicado nas redes sociais, é possível ver Holiday começar a gritar no evento dentro da Câmara, do jeito mais teatral possível. Ele rasga o cartaz com o rosto de Fidel, e começa a ofender os vereadores presentes. Foi o suficiente para Holiday ser preso e levado para o DP, sendo liberado logo depois.

Depois de tudo isso, tanto o Movimento Brasil Livre quanto o candidato do DEM começaram a criticar a postura “violenta” da esquerda, que “não havia permitido seu protesto”.

Se Holiday tem razão ou não em sua manifestação, isso cabe ao leitor.

Porém, é interessante analisar com quem Holiday anda, antes de falarmos necessariamente sobre esse episódio.

Seu partido, o DEM, é repleto de figuras políticas que se afundam em casos de corrupção. Um relatório do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), aponta que trata-se da sigla que mais se envolve com casos de desvios de conduta por parte de seus quadros políticos. Mas a história vai além. O DEM ainda conta com personalidades polêmicas do mundo político e social, que até mesmo podem ser consideradas “perigosas”.

É o caso do deputado Júlio Campos, do Mato Grosso. Companheiro de sigla com Holiday, Campos foi investigado em 2011 por dois assassinatos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os crimes foram cometidos em 2004. Segundo as investigações, o empresário Antônio Ribeiro Filho e o geólogo húngaro Nicolay Ladislau foram assassinados em São Paulo por causa de uma disputa por terras em Mato Grosso. De acordo com a investigação, Júlio Campos é suspeito de ser o mandante dos crimes para se apropriar de terras com pedras preciosas.

Não por acaso, Campos faz parte da chamada Bancada Ruralista no Congresso. Não apenas ele, como vários parlamentares do DEM fazem parte desse grupo, conhecido por atender aos interesses do agronegócio em detrimento aos movimentos sociais que lutam pela reforma agrária.

Aliás, é no campo a maior zona de conflito onde pessoas morrem e desaparecem cotidianamente por causa de interesses de pessoas como Campos.

Recentemente, vários casos de mortes, prisões e desaparecimentos foram relatos em brigas por terra, tanto contra militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) quanto de indígenas Guarani-Kaiowa.

Outra peça do DEM envolvida com casos do tipo é Paulo César Quartiero. Ele é arrozeiro e ex-prefeito de Pacaraima (PR), sendo responsável pela grilagem de terras na Ilha do Marajó, onde afirma possuir 12 mil hectares de terra. Além de votar contra a PEC do Trabalho Escravo, Paulo César foi a favor das alterações no Código Florestal. Por diversas vezes foi responsabilizado por irregularidades em prestação de contas, sendo réu em ações penais por sequestro e cárcere privado. Mas calma, ainda falta mais: réu em ação penal por constrangimento ilegal e formação de quadrilha, réu em ação penal por dano e também réu em ação penal por crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social. Além disso, o ruralista é alvo de inquérito que apura homocídio qualificado — e coisas ainda piores.

Paulo César Quartiero chuta o carro da Polícia Federal em manifestação contra Lula | Foto: AE

Agora imagine se Holiday teria a coragem de “escrachar” eventos em homenagem aos seus colegas citados acima.

Afinal, ele não seria apenas preso, e solto horas depois.

Muitos ativistas e militantes tentam, diariamente, denunciar o trabalho criminoso praticado por figuras políticas do DEM ligadas ao agronegócio. Então, elas desaparecem, morrem, somem, são sequestradas, ameaçadas.

Acredito que seja hora de Holiday começar a olhar para seus próprios colegas, antes de tentar se promover eleitoralmente.


Francisco Toledo é co-fundador e fotojornalista pela Agência Democratize em São Paulo

By Democratize on August 22, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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