Quem nunca teve uma discussão acolarada sobre política no Facebook? Agora imagina aquele caps lock ligado, os pontos de exclamação em…

O que acontece quando o Facebook decide ir pra rua?

O que acontece quando o Facebook decide ir pra rua?Quem nunca teve uma discussão acolarada sobre política no Facebook? Agora imagina aquele caps lock ligado, os pontos de exclamação em…


O que acontece quando o Facebook decide ir pra rua?

Foto: Alice V/Democratize

Quem nunca teve uma discussão acolarada sobre política no Facebook? Agora imagina aquele caps lock ligado, os pontos de exclamação em excesso e as hashtags ditas pessoalmente. Bem, foi isso que aconteceu em São Paulo no domingo (24).

E já aviso: não teve a menor graça.

Quando os protestos de junho de 2013 começaram, tendo em vista o exemplo dado pelos norte-americanos com o Occupy e a Europa com os Indignados, pensei que finalmente as redes sociais iriam conseguir influenciar uma forma de mobilização da juventude nas ruas.

O Facebook, que tento reclamava nos status sobre um bilhão de coisas no dia a dia, resolveu ir pra rua. E foi sensacional. Alguns vidros quebrados no caminho, claro, mas nada injustificável. Era a ansiedade do cidadão brasileiro, aquela raiva guardada.

Três anos depois. Só três anos depois, o Facebook resolveu voltar pra rua.

Mas aí voltou diferente.

Resolvi, primeiramente, editar um vídeo com imagens feitas pelo Felipe Malavasi e Alice V para o Democratize, de um protesto feito no domingo (24) em São Paulo. Esse ato acabou encontrando uma ocupação pró-impeachment no meio do caminho.

Lembro bem. Em 2013 o sentimento era praticamente unânime. Pelo menos na minha lista de amigos no Facebook.

Alguns ali e aqui meio reacionários e conservadores, criticando o já clichê vandalismo. Ironicamente, essa crítica vinha de ambos os lados. Quem não se lembra do Emir Sader, ou do Paulo Henrique Amorim, bastiões da defesa do petismo governista, chamarem os meninos e meninas do Passe Livre de “playboys de classe média”? Ou até mesmo do Reinaldo Azevedo desesperado na redação da VEJA, pensando que aquele golpe comunista tão falado desde 2002 enfim se tornaria realidade?

Tirando esses dois lados, tava ótimo. Perfeito.

Mas esse ano parece que a política institucional resolveu cagar em tudo. Literalmente.

E aquela comemoração sobre o Facebook ir pra rua virou preocupação.

Preocupação porque não existe diálogo nas redes sociais. Os dois lados, pró e contra o impeachment, possuem seus próprios meios de se informar e comunicar. Enquanto um lado prefere acreditar na utópica liberdade do Jornalistas Livres, o outro se agarrou em um site de notícias fake chamado Folha Política.

Existe um enorme fio separando os grupos nas redes. De vez em quando, acabam se encontrando em debates acalorados. Na pior das hipóteses, uma ameaça via inbox. Agora, imagine isso pessoalmente.

Isso aconteceu domingo (24), em São Paulo.

Manifestantes pró e contra o impeachment acabaram se encontrando em frente ao prédio da Fiesp. Alguns palavrões e xingamentos de ambos os lados. Acusações de agressão de um lado e de outro. Homens segurando pedaços de ferro e madeira e dando chutes. Alguns socos ali e aqui, e tem quem afirme que rolou até mesmo dente quebrado.

Trocamos as hashtags por gritos, o caps lock por socos e as ameaças por agressões físicas.

Deu ruim, Brasil.

E tudo indica que esse processo de impeachment não vai resolver em absolutamente nada essa divisão que, apesar de sempre existir, ganhou forma nos últimos 2 anos.

A oposição e o PMDB já descartam a única opção que, talvez, resolva em alguma coisa: eleições gerais ainda este ano. Não querem, afinal, largar o osso que nunca conseguiram com voto direto, já que nas outras duas oportunidades isso ocorreu indiretamente.

Enquanto isso, as ruas vão se tornando aos poucos a timeline do Facebook. De vez em quando, bem de vez em quando, existe a possibilidade de ambos se encontrarem novamente. Quem vai pagar por esse pato?


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on April 26, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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