Em manifestação que marca o dia nacional de lutas do Movimento Passe Livre, centenas de pessoas marcharam ao lado do MPL nas ruas do centro…

O MPL de volta nas ruas: três são detidos em protesto

O MPL de volta nas ruas: três são detidos em protestoEm manifestação que marca o dia nacional de lutas do Movimento Passe Livre, centenas de pessoas marcharam ao lado do MPL nas ruas do centro…


O MPL de volta nas ruas: três são detidos em protesto

Foto: Wesley Passos/Democratize

Em manifestação que marca o dia nacional de lutas do Movimento Passe Livre, centenas de pessoas marcharam ao lado do MPL nas ruas do centro de São Paulo ontem (29). Apesar da pouca adesão ao protesto, não faltou vontade e comprometimento dos manifestantes e movimento, além da já esperada repressão policial, com 3 detidos.

17 horas, Teatro Municipal de São Paulo. Palco de grandes manifestações públicas no último ano, o teatro é também ponto de referência da história do Movimento Passe Livre. Quem não se lembra de uma das manifestações de junho de 2013, onde mais de 20 mil pessoas compareceram em um ato pacífico pela redução da tarifa? Quem não se lembra do apresentador “jornalístico” Datena, da Rede Bandeirantes, e sua “pesquisa” sobre violência em protestos? E claro, quem não se lembra do resultado e também da brutal repressão que ocorreu horas depois?

O Teatro Municipal foi palco de tudo aquilo, pouco mais de dois anos atrás. Mas parece que aquele sentimento ficou apenas na lembrança.

Ontem, cerca de 200 manifestantes atenderam ao chamado do Movimento Passe Livre em São Paulo, para celebrar a data que marca o dia nacional de lutas pela tarifa zero. Apesar do baixo número de manifestantes, do outro lado, pudemos ver que a polícia ia pelo caminho contrário: só em frente ao teatro, dezenas de policiais da Tropa do Braço, sendo que várias viaturas cercavam o local, além de quatro blindados que passavam pelo Centro, e outros policiais da Tropa de Choque posicionados em diversos cantos, além dos PMs que faziam o monitoramento do protesto. Enquanto a “máquina indignada” diminuía, a máquina de repressão só aumentava.

E claro, o resultado disso tudo não demorou para aparecer.

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Antes mesmo do protesto começar, cerca de três manifestantes foram detidos pela PM, em um calçadão próximo ao Teatro, local de concentração da manifestação. Aparentemente, cerca de 19 manifestantes haviam sido revistados por policiais, e três acabaram sendo detidos. Segundo informações da própria polícia, esses manifestantes já estavam sendo monitorados por conta do protesto contra o fechamento das escolas feito em frente ao Palácio dos Bandeirantes, no dia 15 de outubro.

Não é novidade o monitoramento feito pela PM com manifestantes que eles consideram “violentos”. Mas o fato de que as prisões foram feitas antes mesmo do protesto começar, e principalmente antes mesmo de qualquer um dos jovens ali presentes demonstrarem qualquer “atitude violenta”, acabou indignando não só os manifestantes que estavam na concentração como também várias pessoas que passavam pelo calçadão.

O clima de tensão aumentava, e os policiais chegaram a ameaçar partir pra cima dos que gritavam contra a prisão efetuada. Por, talvez sorte e um pouco de bom senso, a Tropa de Choque não interferiu, e não houve confronto.

Esse fato acabou dando um pouco mais de fôlego ao MPL, que seguiu dali para a marcha em torno do centro da cidade, terminando um pouco mais de uma hora depois em frente à prefeitura de São Paulo.

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Houve espaço ainda para a tradicional “queima das catracas”, marca registrada do Movimento Passe Livre, encerrando a manifestação.

Integrantes do MPL ainda afirmaram que participarão da luta dos estudantes contra o fechamento das escolas em São Paulo. Coincidência ou não, um ato reunindo quase 100 mil pessoas ocorria praticamente ao mesmo tempo, poucas quadras ao lado — em frente à Secretaria da Educação, na Praça da República. Muito se cogitou unificar ambas as manifestações, coisa que não ocorreu.

Mas talvez seja isso que o MPL precise: participar mais ativamente de outras lutas, que não são necessariamente ligadas com a sua pauta principal, que é o transporte público, mas que afetam talvez o seu público chave — os jovens e estudantes.

Eles prometeram: amanhã vai ser maior.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on October 30, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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