Não é nenhum exagero dizer que a cidade de São Paulo teve o seu melhor carnaval de rua das últimas décadas. Milhões de pessoas participaram…

O melhor carnaval das últimas décadas em São Paulo

O melhor carnaval das últimas décadas em São PauloNão é nenhum exagero dizer que a cidade de São Paulo teve o seu melhor carnaval de rua das últimas décadas. Milhões de pessoas participaram…


O melhor carnaval das últimas décadas em São Paulo

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Não é nenhum exagero dizer que a cidade de São Paulo teve o seu melhor carnaval de rua das últimas décadas. Milhões de pessoas participaram da festa mais popular do país, e mais importante: ocuparam as ruas. Essa vitória, apesar de ter participação importante da prefeitura, é principalmente da própria população.

Em declaração recente, o prefeito petista Fernando Haddad celebrou — e com razão — o sucesso do carnaval de rua em São Paulo. Mas, talvez, pelos motivos errados.

Para Haddad, tivemos o “melhor Carnaval das últimas décadas” por conta de “possivelmente superarmos a meta de arrecadação de R$400 milhões em negócios gerados na cidade”, de tantas pessoas que teriam participado, se tornando um destino turístico. Isso é um fato positivo, claro, mas não o principal.

Ainda sem números exatos, a estimativa é que milhões de pessoas tenham participado dos blocos de rua durante o carnaval somente na capital. Um impulso que acabou nos dando de presente o melhor carnaval que esta cidade já vivenciou em décadas. Mas não pelo dinheiro, e sim pela participação e pela forma como a população se engajou na festa mais popular do nosso país.

Desde os protestos de junho de 2013, uma das “vitórias” conquistadas pelo povo brasileiro foi a consciência de que o espaço público é para ser utilizado, seja em feriados especiais ou em dias comuns. E isto vem acontecendo, gradualmente, cada vez mais — o carnaval em São Paulo é apenas mais uma prova.

Centenas de blocos — ou até mais — movimentaram a cidade nas duas últimas semanas. Nesta terça-feira (09), mais de 40 mil pessoas sacudiram a cidade com o Bloco To de Bowie, na região do Centro. A imagem da atriz Alessandra Negrini vestida de noiva ficará para a história, marcando o maior bloco deste ano — bloco Acadêmicos do Baixo Augusta.

Foto: Fernando DK/Democratize

É claro que nem tudo é maravilha: o “Bloco Agora Vai” sofreu com a intervenção do governo estadual, querendo ditar o trajeto. O bloco, que em 11 anos segue o mesmo percurso sem problema, foi avisado em cima da hora pelo MPSP. Uma clara tentativa do governo estadual de “atrapalhar” o sucesso que tem sido a população ocupando as ruas da cidade, independente de ser Centro ou periferia — onde aliás, também pipocou de blocos, tanto na Zona Leste quanto na Zona Norte, Sul e Oeste.

Outro caso grave foi o uso da Polícia Militar para impedir os blocos na região da Vila Madalena. Quem acompanha o bairro sabe que durante a Copa do Mundo em 2014, houve uma grande pressão dos moradores do bairro nobre para que o governo impedisse a realização de festas populares no bairro boêmio. O fotógrafo novato do Democratize, Gustavo Oliveira, foi inclusive impedido de fazer seu trabalho enquanto registrava a repressão policial contra os foliões, tendo o seu cartão de memória da câmera danificado por um dos policiais.

De toda forma, o fato da prefeitura ter ajudado a tornar o carnaval deste ano algo histórico foi positivo — é claro que não poderíamos esperar o mesmo empenho do governo tucano, que neste ano já rasgou a Constituição Federal querendo determinar trajetos para manifestações populares.

Apesar desses dois aspectos negativos, o carnaval paulistano foi um verdadeiro sucesso para a população — principalmente, talvez, por conta da participação ativa de grupos minoritários da sociedade que puderam festejar em paz e sem preconceito, como foi o caso da comunidade LGBT.

O Democratize acompanhou o Bloco MinhoQueens na região do Centro da cidade, com mais de 10 mil pessoas participando. Considerado pelos organizadores como um “bloco LGBT”, não houve qualquer incidente de agressão física ou verbal contra os participantes — pelo contrário, por onde o bloco passava a população local os recebia com festa.

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Talvez seja assim, vencendo o racismo e a homofobia, além de contar com cada vez mais interesse da população, que o carnaval de rua de São Paulo se torne um dos mais importantes do país nos próximos anos.

By Democratize on February 10, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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