Foto: NINJA

O MBL é escrachado por seguidores ao defender reforma na Previdência

O principal grupo que liderou os protestos contra Dilma Rousseff criticou fortemente a greve geral convocada nesta quarta-feira (15) em todo o Brasil. Nas redes sociais, porém, seus seguidores não parecem concordar com a posição do movimento: “Que porra é essa MBL? Vocês estão do lado do povo ou da porra desses políticos lixos”? questionou um dos seguidores, defendendo a paralisação.

Como era de se esperar, o Movimento Brasil Livre se declarou contra as greves e protestos realizados nesta quarta-feira (15) contra a Reforma da Previdência proposta pelo presidente Michel Temer (PMDB). Porém, a mesma reação não se repetiu por parte de seus seguidores nas redes sociais.

Além da paralisação dos metroviários em São Paulo, por exemplo, ter sido elogiada e defendida pelos próprios trabalhadores que precisavam do transporte público nesta manhã – conforme mostra reportagens da Folha de São Paulo e do G1 -, o tema é motivo de polêmica e forte oposição por parte da sociedade.

Segundo levantamento feito pelo SPC Brasil e a CNDL, 53,8% reprovam a reforma proposta pelo governo, enquanto apenas 19,6% aprovam.

Essa forte oposição passou a se refletir no vasto grupo de seguidores dos movimentos que lideraram os protestos que resultaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no ano passado.

Recentemente, uma página no Facebook chamada “Todos contra o fim da Aposentadoria” ganhou repercussão por não adotar uma estética e discurso propriamente de esquerda, utilizando em suas postagens e material de divulgação as cores da bandeira do Brasil – que fizeram parte da tradicional vestimenta dos manifestantes anti-Dilma nos dois últimos anos. A página já alcançou mais de 170 mil seguidores em pouco tempo de existência, celebrando a paralisação dos trabalhadores de diversas categorias nesta quarta e convocando a população para as manifestações no fim desta tarde, organizadas por diversos grupos – principalmente de esquerda, como a Frente Povo Sem Medo.

O Movimento Brasil Livre segue outro caminho. Sua ligação com o governo de Michel Temer, cada vez mais questionada por seus seguidores, parece influenciar diretamente as decisões e posicionamentos do grupo.

Logo de manhã, quando as paralisações tomavam conta das grandes capitais do Brasil, o MBL celebrava o fato da única linha de metrô em funcionamento em São Paulo ser a Amarela, controlada por um grupo privado enquanto as demais, paralisadas, são administradas pelo governo do estado.

Um dos seguidores retrucou: “A paralisação é válida independente de esquerda ou direita”, enquanto outro criticava com mais ênfase o grupo: “MBL crie vergonha e luta contra esta reforma, o inimigo agora é outro e todo brasileiro deve se unir diante de um tema tão relevante”.

Posteriormente, o grupo compartilhou uma publicação do vereador e membro Fernando Holiday (DEM).

“Caos em São Paulo!”, dizia a chamada, citando “sindicatos pelegos” que teriam causado “trânsito ao paralisar transporte público da cidade”. Desta vez os comentários dos seguidores foram mais agressivos contra o grupo.

“E vocês estão se complicando cada vez mais. Eu tenho repúdio ao governo PT, mas essas manifestações claramente não são formadas só por sindicalistas/petistas/esquerdistas. O Brasil é contra essa reforma abusiva. A defesa que vocês fazem do governo Temer me enjoa, tanto quanto a Dilma e seu governo me enojavam”, comentou um seguidor, acompanhado por outro que dava os parabéns aos grevistas: “Parabéns aos trabalhadores que lutam para não perderem o direito à aposentadoria, ao contrário do pessoal do MBL que nunca trabalhou e recebe dinheiro de partidos para manipular os desinformados”.

As críticas ao grupo em sua página tem sido tão grandes que o MBL postou, de uma só vez, três publicações mais recentes se defendendo das acusações de “apoiar a reforma proposta por Temer”, exibindo a sua versão da Reforma da Previdência que, na prática, é vista apenas como uma cortina de fumaça frágil e sem força para influenciar a decisão dos congressistas que votarão no projeto – além de não contar com tantas alterações da reforma original defendida pelo governo do PMDB.

Em recente reportagem, o jornal Folha de São Paulo citou que o Palácio do Planalto acompanha as manifestações e greves desde cedo, e espera que movimentos como o MBL e Vem pra Rua levem a pauta pró-reforma da previdência para as ruas no dia 26 – data onde os grupos devem organizar protestos “em defesa da Operação Lava Jato”, excluindo por completo a exigência de “Fora Temer” por alguns de seus seguidores.

 

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