Não só uma maratona cultural, mas um grande ato político descentralizado. A Virada Cultural deste ano teve outro perfil, em parte pelas…

O lado B da Virada Cultural

O lado B da Virada CulturalNão só uma maratona cultural, mas um grande ato político descentralizado. A Virada Cultural deste ano teve outro perfil, em parte pelas…


O lado B da Virada Cultural

Foto: Victor Amatucci/Democratize

Não só uma maratona cultural, mas um grande ato político descentralizado. A Virada Cultural deste ano teve outro perfil, em parte pelas manifestações da plateia em coros de “Fora Temer” e protestos feitos por grande parte dos artistas contra o presidente interino do Brasil, mas também pelo novo formato, com programações descentralizadas em todas as regiões da cidade.


Durante a cobertura da Virada Cultural, o Democratize esteve nos palcos principais, como nos show de Elza Soares (Palco São João), Alcione e Ney Matogrosso (Palco Julio Prestes), além das apresentações de Criolo, Nação Zumbi e Detonautas. Mas também buscou a programação lado B da Virada e foi ao Cemitério Consolação (centro) e em Parelheiros (Zona Sul), para acompanhar olhares diferentes da cidade sobre o mesmo evento.

No sábado, o Cemitério Consolação, conhecido por ser um museu a céu aberto, contou com três atividades para a Virada Cultural: uma caminhada fotográfica com o tema arte tumular, organizada pelo coletivo Diálogos com a Cidade, a peça teatral “Para gelar a alma” do grupo Na Companhia de Mulheres, e visitas guiadas pela madrugada, acompanhadas por Popó, o sepultador que há mais de 10 anos recepciona passeios escolares, turistas e paulistanos curiosos por conhecer o cemitério municipal mais antigo de São Paulo.

Foto: Victor Amatucci/Democratize

A atividade foi organizada pelo Programa Memória & Vida, do Serviço Funerário do Município de São Paulo (SFMSP). Desde o início de 2014, o Programa tem quebrado o tabu de falar sobre o luto e, com as ações culturais desenvolvidas, vem criando uma outra relação com a cidade. O SFMSP segue uma tendência que ocorre em todo o mundo, de ocupar os cemitérios como parques de memória, através de atividades culturais e de forma cidadã.

Já no domingo, o Democratize saiu da região central de São Paulo e foi explorar um pouco da descentralização Virada Cultural, visitando o evento em Parelheiros (Zona Sul). Este ano, após cobranças à Prefeitura Municipal, além dos palcos principais, a Virada proporcionou outras maneiras de explorar a cidade, com programação cultural em todas as regiões da cidade.

Rodrigo, de 23 anos, já havia participado de outras Viradas no centro, mas parou de frequentar por ser muito longe. “Agora estão fazendo na quebrada também, então estou de boa, resolvi vir”.

Foto: Victor Amatucci/Democratize

No ano passado, a programação infantil do evento, por exemplo, ficou concentrada apenas nos entornos da Biblioteca Mário de Andrade (centro). Este ano, com apoio da Rede São Paulo Carinhosa, a criançada pode participar de atividades em 26 pontos, em todas as regiões da cidade, com atividades nos CEUs, centros culturais e palcos externos nas zonas sul, leste e norte, além do parque Ibirapuera.

Na tarde de domingo, em Parelheiros (Zona Sul), houve Recreart, oficina de brincadeiras culturais, contação “A Barca da Tartaruga e Outras Histórias”, oficina de arte para pequenos e apresentação da “Academia de Palhaços”. As crianças puderam, ainda, aproveitar o pula pula e brincadeiras de rua, como corda, bambolê e bola.

Além da Virada Cultural, Parelheiros comemora, neste mês, 159 anos do bairro. Por isto, além da Viradinha Cultural, foi levantado o Palco Samba, com programação especial. Nos dois dias de evento, passaram por lá Fabiano do Gueto, Rosa Morena, Pagode da 27, Mauro Diniz, Reinaldo — O Príncipe do Pagode. A festa se encerrou com Emicida cantando Cartola.

Para esse show, o rapper trouxe uma releitura do disco Cartola 1974, com músicas como “Tive Sim”, “O Sol Nascerá” e “Acontece”. A produtora de Emicida não liberou entrevistas do rapper para a imprensa; exigiam que a pauta fosse enviada com antecedência.

Como grande parte dos artistas que se apresentaram nesta Virada Cultural, Emicida também fez uma fala durante o show, em repúdio ao momento político que vive o Brasil. “O Brasil está vivendo um momento triste, 54 milhões de voto não valeram porra nenhuma, em quem vocês votaram, a opinião de vocês não tá valendo nada em Brasília […]”, foi umas das falas de Emicida durante o show, aplaudido pelos jovens. Uma camiseta escrito “Temer Jamais” ficou estirada sob a caixa de som virada para público durante todo o show.


Reportagem por Tatiana Oliveira, do blog A Última Crônica para o Democratize

By Democratize on May 23, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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