A manhã desta sexta-feira (4) foi marcada por um verdadeiro terremoto político contra o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Lula…

O espetáculo midiático por trás da ação da Polícia Federal contra Lula

O espetáculo midiático por trás da ação da Polícia Federal contra LulaA manhã desta sexta-feira (4) foi marcada por um verdadeiro terremoto político contra o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Lula…


O espetáculo midiático por trás da ação da Polícia Federal contra Lula

Polícia, mídia e manifestantes do lado de fora do condomínio do ex-presidente Lula | Foto: Wesley Passos/Democratize

A manhã desta sexta-feira (4) foi marcada por um verdadeiro terremoto político contra o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Lula. Em nova fase da Lava Jato, o petista se tornou investigado direto da Polícia Federal. Mas, qual o papel da mídia e porque tudo parece um verdadeiro espetáculo de reality show?

Começou na manhã desta sexta-feira, a 24ª fase da Operação Lava Jato mobilizou 200 policiais federais e 30 auditores da Receita Federal para cumprir 33 mandados de busca e apreensão e 11 mandados e condução coercitiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A ação foi determinada pela 13ª Vara de Curitiba, na mais nova fase da investigação conduzida em Curitiba pelo juiz Sérgio Moro.

O ex-presidente Lula se tornou peça chave da nossa fase da Lava Jato para a Polícia Federal, sendo conduzido hoje para o aeroporto de Congonhas, para prestar depoimento sobre seu possível envolvimento no esquema.

O fato de hoje casa perfeitamente com a delação do senador Delcídio do Amaral, vazada na quinta-feira (3) pela revista IstoÉ, onde ele cita os nomes de Lula e da atual presidenta Dilma Rousseff (PT). Na suposta delação, o senador petista teria dito que tanto o ex-presidente quanto Dilma estariam agindo para “brecar” as ações da Polícia Federal em relação à investigação da Lava Jato, através do então Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo.

A reação dos meios de comunicação foi quase que em forma de orgasmo. Um verdadeiro espetáculo midiático foi montado, onde a cobertura da GloboNews se deu praticamente que quase o dia inteiro sobre a delação. No Jornal Nacional, da TV Globo, 80% do tempo foi usado para tratar sobre a suposta delação, e o envolvimento de Lula no episódio do triplex. Ironicamente, o fato abafou a votação no STF onde tornou o presidente da Câmara dos Deputados – e agora inimigo do governo federal -, Eduardo Cunha (PMDB), réu da Operação Lava Jato.

Talvez seja puro destino, mas poucas horas depois a Polícia Federal deflagrou a nova fase da Lava Jato, envolvendo diretamente o ex-presidente Lula.

Pronto. O espetáculo ganhou mais um episódio.

Não se discute a veracidade dos fatos ou não. O senador Delcídio virou “passado”, sendo que ele teria prometido nas próximas semanas denunciar envolvidos da oposição no esquema da Lava Jato. O foco agora é Lula. E claro, os protestos do dia 13 de março.

Jornais como a Folha de S. Paulo e a própria Rede Globo já fizeram questão de reforçar que, “as novas denúncias surgem para fortalecer e reforçar os protestos do dia 13 pelo impeachment”. Manifestações que duas semanas atrás estavam praticamente enterradas, mas que agora com a excessiva divulgação dos meios de comunicação, alcançou um novo patamar, prometendo se tornar a maior até então.

Foto: Wesley Passos/Democratize

Outro fator importante do espetáculo é a briga entre militantes pró e anti-Lula. Setores da sociedade que, teoricamente não representam as ansiedades e desejos da maioria da população brasileira, mas que para a grande mídia é foco de atenção e cuidado.

O Movimento Brasil Livre, que sempre criticou as manifestações de esquerda em “dia de semana” – pois atrapalhava o trabalhador na volta pra casa -, resolveu marcar um protesto para às 19 horas, no Masp, em plena sexta-feira. Os petistas, revoltados, prometem revidar. Mais uma semana de reality show da vida política garantido.

Tanto a oposição de direita quanto os governistas petistas alimentam essa fome por espetáculo dos grandes meios de comunicação. Cada um da sua maneira. Repletos de discurso anti-imprensa, ambos os lados não sabem o quanto precisam dela para se auto-promover. E o fazem, sem pensar duas vezes.

Agora resta esperar o desdobramento dessa nova fase da Lava Jato, e aguardar os próximos capítulos. Mas fiquemos espertos: essa falsa bipolaridade política que temos hoje, é perigosa, pois não responde aos anseios da população brasileira, mas domina não só os noticiários como também o poder político. No meio do tiroteio, quem pode se ferir é o trabalhador. E claro, não vai faltar nenhuma câmera para registrar o momento.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on March 4, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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