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O dia em que a Assembleia Legislativa foi ocupada… por policiais no Rio

O título da reportagem pode sugerir uma grande contradição, causar estranheza e, certamente, teve muita gente “bugando” com esse acontecimento na tarde desta terça (8) no Rio de Janeiro. O fato é que após grande convocação para um ato contra o pacote de medidas de austeridade do Pezão, servidores majoritariamente da segurança pública, entraram a força na ALERJ (ocuparam ou invadiram?), depredaram a sala da vice presidência (vandalismo?),  permaneceram no plenário e só deixaram o prédio a noite (pura baderna).

Esse foi mais um ato, frente ao “pacote de maldades” do Governador Pezão, que tem como objetivo conter a crise econômica no Estado do Rio de Janeiro, cortando salário dos servidores estaduais, que foi convocado majoritariamente por servidores da Segurança Pública (policias civis e militares), bombeiros militares e agentes do Degase (departamento prisional).

Desde a semana passada vem ocorrendo inúmeras manifestações, e no decorrer dessa semana, existem várias convocações dos servidores estaduais da saúde, educação, segurança e justiça. Nesta quarta (9) tem ato unificado dos servidores estaduais e na próxima sexta (11) o dia nacional de greves,  que tem como objetivo básico barrar os cortes salariais que podem chegar até 30%.

O Governo do PMDB nas figuras de Cabral/Pezão quebrou o Estado do Rio de Janeiro com sua má gestão, dando isenções fiscais sem critérios, promovendo megaeventos como a Copa do Mundo e Olimpíadas, além dos já conhecidos esquemas de corrupção, tendo em vista as citações de vários políticos Peemedebistas na Lava Jato, dentre eles Sergio Cabral e Pezão.

Depois de toda essa farra desenfreada nas finanças estaduais, o governo para barrar a crise, propõe um pacotão de austeridade aos servidores. Essas medidas chamadas de “pacote de maldades” afetará todo o funcionalismo público ativo, aposentados e posteriormente o povo que mais necessita dos serviços públicos.

Foto: Democratize
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Onde está a contradição na “ocupação” de ontem na ALERJ”? Coloco entre aspas, e prefiro até chamar de invasão da ALERJ, pois o termo -ocupação- legitimamente é uma ação direta usada por movimentos sociais de esquerda e independentes, para pressionar, reivindicar e intensificar suas lutas justas.

A luta dos setores de segurança não é justa?  Sim, é justa. Eles estão defendendo seus diretos básicos de subsistência, de não terem seus salários cortados, mesmo que talvez estejam olhando para seus “próprios umbigos”, protestando sem contextualização social alguma. Mas não esqueçamos que são esses mesmo policiais, que prefiro despersonalizar classificando-os como braço de repressão do Estado, que estão sempre agindo com truculência contra qualquer forma de protesto.

O “modus operandi” na ação no protesto de hoje, causou estranheza, pois, cansamos de ouvir os próprios policiais, chamando quem ocupa de “vagabundo”, quem depreda de “vândalo”, quem protesta de “baderneiro”… Foram muitos sprays de pimenta, bombas lacrimogêneas, cassetetes, prisões arbitrárias,  distribuídas por essa polícia, que hoje se apropriou das mesmas táticas  de protesto, para invadirem a ALERJ.  Parece que o jogo virou, não é?

Escritório dentro da Alerj destruído por policiais que ocuparam o prédio | Foto: Democratize
Escritório dentro da Alerj destruído por policiais que ocuparam o prédio | Foto: Democratize

Informações de quem estava por lá no ato, narraram que os policiais que se manifestavam,  cercaram a assembleia e a invadiram, sem qualquer resistência mais efetiva do Batalhão de Operações Especiais, que via de regra, deveria impedir que isso acontecesse. Imagino que caso fossem servidores de outras áreas do serviço público como os professores, e/ou estudantes secundaristas forçando uma ocupação na ALERJ, se eles teriam esse mesmo tipo de atitude, e não agiriam de forma mais truculenta.

Outro fator que deve ser observado, é o caráter de extrema direita e até mesmo em alguns casos fascistas de muitos servidores da segurança, que chegaram a levar uma faixa pedindo intervenção militar. Muitos deles capitaneados e insuflados pelo deputado estadual Flavio Bolsonaro, dos quais muitos são fãs incondicionais, gritavam pedindo intervenção militar e “Bolsonaro Presidente”.

É preciso avaliar ainda com calma esse movimento de hoje, esperar as repercussões dessa tomada da ALERJ, e se ela irá frear a tentativa de aprovarem o “pacote de maldades”, mas a principio parece que não, já que a invasão durou apenas até o anoitecer. É importante também esperar as próximas manifestações dos outros setores como saúde e educação, e ver o tom da repressão a partir daí. E mais uma vez estar atento a manifestações que a principio podem parecer legitimas, mas que trazem vieses conservadores e até fascistas.

Servidores Do Rio De Janeiro Ocupam Assembleia

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