Foto: Ismael Francisco/Cubadebate

O alerta que Fidel Castro deixou sobre o futuro do capitalismo insustentável

No trecho de abertura do filme “Surplus”, o líder da revolução cubana deixou uma verdadeira mensagem de alerta sobre o futuro repleto de incertezas e dúvidas do capitalismo insustentável e da sociedade de consumo. O líder cubano faleceu na madrugada deste sábado (26), aos 90 anos: “Antes de tudo, a humanidade é uma grande família que compartilha o mesmo destino. Dada a severa crise atual, estamos diante de um futuro ainda pior, que nunca nos permitirá resolver a tragédia econômica, social, e ecológica de um mundo cada vez mais fora de controle”.

O líder revolucionário Fidel Castro faleceu na madrugada deste sábado (26), horário de Brasília, aos 90 anos de idade. A notícia chocou o mundo inteiro, com jornais e sites dando foco total para o acontecimento.

Figura polêmica na política internacional, Fidel se tornou motivo de intenso debate nas redes sociais mesmo após sua morte. Enquanto alguns lembram do desenvolvimento social da sociedade cubana após a revolução de 1959, outros preferem focar na falta de direitos humanos do regime socialista, acusado de ter perseguido opositores.

De qualquer forma, a figura do revolucionário cubano vai além do seu tempo, e principalmente do debate polarizado das redes.

Prova disso é o seu “recado final”, deixado em um discurso que foi utilizado no filme “Surplus”.

Documentário idealizado por Erik Gandini, Surplus foi lançado em 2003 e retrata fatos que marcaram o mundo no início do século XXI, discutindo questões relacionadas ao consumismo e à globalização, sob a perspectiva do filósofo anarco-primitivista John Zerzan.

Logo na abertura do filme, Gandini mostra cenas dos protestos em Genova, na Itália, no ano de 2001. As manifestações ocorriam contra a reunião do G8, grupo dos países mais ricos do mundo. Centenas de milhares de pessoas de toda a Europa foram para Genova, com a intenção de impedir a reunião entre as lideranças globais. Trata-se do começo de uma grande mobilização anti-globalização, que resultou e inspirou movimentos como o Occupy Wall Street e os “Indignados” da Espanha uma década depois.

Para narrar a introdução do filme, Gandini utilizou trecho de um discurso feito por Fidel Castro, onde o líder cubano fala sobre os perigos de uma sociedade de consumo sem qualquer limite. Fidel também alerta para as incertezas do futuro da sociedade capitalista ocidental, que para ele se figurava como algo “auto-destrutivo” por causa de sua insustentabilidade.

“E o que sobrou para nós? O subdesenvolvimento, a pobreza. A dependência, o atraso. Dívidas e incertezas. Para as sociedades superdesenvolvidas o problema não é crescimento, mas a distribuição. Não apenas entre eles mesmos, mas entre todos. O desenvolvimento sustentável é impossível sem uma distribuição mais justa entre todas as nações. Antes de tudo, a humanidade é uma grande família que compartilha o mesmo destino. Dada a severa crise atual, estamos diante de um futuro ainda pior, que nunca nos permitirá resolver a tragédia econômica, social, e ecológica de um mundo cada vez mais fora de controle.”

Veja o trecho:

 

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