Pessoas com cortes, hematomas e fraturas, choro compulsivo de estudantes que se abraçavam desolados por serem agredidos e desocupado o col…

No Rio de Janeiro, primeira escola ocupada resiste contra invasões

No Rio de Janeiro, primeira escola ocupada resiste contra invasõesPessoas com cortes, hematomas e fraturas, choro compulsivo de estudantes que se abraçavam desolados por serem agredidos e desocupado o col…


No Rio de Janeiro, primeira escola ocupada resiste contra invasões

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Pessoas com cortes, hematomas e fraturas, choro compulsivo de estudantes que se abraçavam desolados por serem agredidos e desocupado o colégio, alguns jovens tendo ataque de pânico e inclusive uma tentativa de homicídio (um aluno quase foi arremessado do segundo andar do prédio do colégio). A semana tem sido complicada no Ocupa Mendes.

E uma desocupação não esperada e forçada, estudantes da ocupação no Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes tiveram que sair para preservarem sua integridade física, já que a Polícia Militar do lado de fora do colégio, nada fez para impedir que as agressões fossem cometidas. E um final surpreendente com a reocupação pelos estudantes aguerridos do #OcupaMandes. Esses fatos marcaram a segunda tentativa de desocupação da primeira escola ocupada no Rio de Janeirona, no dia 10 de maio.

Um cenário que não é razoável de se imaginar num espaço pedagógico, assim como também é inadmissível a depredação de portas, banheiros e equipamentos, destruição do mobiliário da escola por estudantes do próprio colégio, gritos de guerra com intimidações, agressões verbais e acesso negado a jornalistas e professores ao interior da escola. Perdemos o horizonte da racionalidade e a violência física e verbal deu lugar a falta de argumentos coerentes do movimento de #DesocupaMendes.

O primeiro colégio a ser ocupado no Estado do Rio de Janeiro vem sofrendo fortes ameaças e ataques, justamente pelo fator simbólico de ser a primeira ocupação, bem organizada e politicamente bem estruturada.

O #OcupaMendes foi pioneiro e inspirou as demais escolas do Rio de Janeiro. Parece ser ponto fulcral a sua desocupação, para que se enfraqueça o movimento das ocupações, que paralela a greve dos professores do Estado do Rio de Janeiro, vem pressionando a Secretaria do Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc RJ), a revisar seu modo de gestão educacional.

Foto: Bárbara Dias/Democratize

A primeira tentativa, um pouco menos violenta, ocorreu a menos de uma semana atrás (05/05), quando alunos do movimento “desocupa” invadiram a escola, no entanto, a ocupação foi garantida após um acordo entre os movimentos de “ocupa” e o “desocupa” com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. Nessa intervenção da justiça, a ocupação foi reconhecida como legítima, tendo que garantir o acesso a escola de alunos e aos professores não grevistas que quisessem dar suas aulas .

Passando por cima da decisão judicial, incentivados por professores não grevistas do colégio — inclusive pela direção — a ofensiva se tornou hiperviolenta, o que culminou com a desocupação do colégio. Os estudantes que querem a desocupação, invadiram o colégio pela manhã, e tornaram o ambiente escolar em um local que vivenciou a barbárie.

Esta marca ficará em todos os que viveram, seja do lado dos “ocupas” ou do “desocupa” e num futuro não muito distante, a questão é como ficarão as aulas, em um ambiente em que o respeito deixou de existir entre colegas de classe, que tem posicionamentos ideológicos divergentes, mas que não conseguem chegar a um consenso, e partem para esse tipo de intimidação e ataque. A presença de advogados, professores apoiadores das ocupações, pais que apoiam a ocupação e jornalistas, não impediu que chegássemos a esse cenário, pois, de dentro do colégio o movimento de “desocupa” impedia o acesso, e brutalizava quem ainda resistia a sair de dentro da ocupação.

Em um depoimento, um estudante da ocupação, explica o que ele vivenciou: “Entraram alunos do desocupa, entraram bandidos, outros alunos de outras escolas, depredaram o patrimônio público, quebraram vidros, ameaçaram de morte, tentaram homicídio de um aluno. Destruíram várias coisas, quebraram portas, quebraram vidros, invadiram a cozinha e roubaram alimentos, quebraram cadeiras, não distinguiam quem era quem, batiam em mulher e em homem, para eles não tinham diferença”.

Paralela a toda essa violência, ocorria uma reunião na Seeduc Rj, com o secretário de Educação Sr. Antônio Neto, onde após ocupação e forte pressão dos estudantes, houve o avanço em algumas pautas dos estudantes como:

A volta do RioCard (passe livre), que foi cortado pela Seeduc RJ até sexta-feira 13 de maio; fim do SAERJ (Sistema de Avaliação do Estado do Rio de Janeiro, que impõe a meritocracia e rankeamento de escolas da rede estadual) até o fim do ano de 2016; implementação e formulação de um simulado feito pelo próprio corpo docente de cada escola (o que dará mais autonomia pedagógica a docentes e discentes); eleição direta para a direção das escolas ocupadas em até 40 dias pós desocupação; voto universal para eleições nas escolas; nenhuma disciplina com menos de dois tempos (Com isso agora filosofia e sociologia vão ter dois tempos de aula); obras nas escolas no valor de até 15 mil; e nenhuma represália da Seeduc RJ ou repressão aos estudantes ocupados.

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Uma determinação da Juíza Glória Heloiza Lima da Silva da 2ª Vara de Infância e Juventude, também que garantiu a legitimidade e o direito a ocupação, baseada no Estatuto da Criança e do Adolescente, como exercício da cidadania do jovem. Além disso, a penalização da Seeduc que estava se utilizando de suas redes sociais para fomentar a violência de estudante contra estudante, e a validação de um calendário de negociação entre estudantes e o Governo. Após os estudantes do #OcupaMendes saberem da decisão, estes que já estavam em vigília na frente do colégio, decidiram se reorganizar e reocupar.

E foi o que eles fizeram, acompanhados de orientação de uma advogada, eles decidiram em assembleia reocupar, e mesmo com a contraposição da polícia que não estava permitindo a entrada pelo portão da frente, eles decidiram entrar pelo portão lateral, sem forçar ou quebrar nada, e uma vez dentro da ocupação tiveram seus direitos assegurados. O #OcupaMendes resistiu a todas as tentativas de desestabilizar o movimento estudantil, sem violência, sem agressões, amparados pela lei e pela forte ideologia que guia esses jovens, a de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos.

Foto: Bárbara Dias/Democratize


Texto e reportagem por Bárbara Dias, fotojornalista e colaboradora da Agência Democratize no Rio de Janeiro

By Democratize on May 12, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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