Foto: Fernando DK/Democratize

No Paraná, escolas são ocupadas e secundaristas protestam contra reforma

A medida provisória sobre a Reforma no Ensino Médio já rendeu manifestações ao redor do país, além da crítica da opinião pública contra o governo federal. Mas agora, no Paraná, pelo menos 10 escolas públicas estão ocupadas, e a juventude resolveu ocupar as ruas para mostrar sua insatisfação sobre o projeto.

A décima escola acaba de ser ocupada no estado do Paraná contra o projeto do governo federal de reformar o Ensino Médio no Brasil, além da PEC 241 que corta verbas da Educação, congelando o orçamento por pelo menos 20 anos.

Trata-se de uma onda de mobilização secundarista que começou nesta semana, mas que já havia dado sinais de articulação dias atrás, após o governo publicar a Medida Provisória da Reforma no Ensino Médio.

Em São Paulo, menos de duas semanas atrás, um grupo de estudantes da E.E. Domingos Mignoni já havia ensaiado a possibilidade de ocupar o colégio por conta do projeto. Com a repercussão, a decisão acabou sendo adiada.

Protestos também ocorreram na cidade de São Paulo na semana passada contra a Medida Provisória, com cerca de mil estudantes se manifestando em frente ao prédio onde fica a sede do PMDB, partido do presidente Michel Temer.

A primeira mudança importante determinada pela medida provisória é que o conteúdo obrigatório será diminuído para privilegiar cinco áreas de concentração: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional. Após a polêmica em torno do projeto, e a forma negativa como foi recebida pela opinião pública, o governo recuou e afirmou que as matérias como Sociologia, Artes e Educação Física continuarão como obrigatórias.

Porém, ainda, a reforma tem como matéria o aumento da carga horária, ampliada progressivamente até atingir 1,4 mil horas anuais. Atualmente, o total é de 800 horas.

Os estudantes e professores alegam que não foram sequer consultados sobre o projeto pelo governo federal.

Além das ocupações no Paraná, manifestações ocorrem nesta quarta-feira (5) contra o projeto — e não apenas em Curitiba.

Na cidade de Januária, em Minas Gerais, estudantes lotaram as ruas para protestar contra PEC 241 e a MP da reforma no ensino médio, reunindo centenas de professores e alunos do Instituto Federal e da E.E. Olegário Maciel, além da E.E. Pio XII.

Em São Paulo, na cidade de Iperó, estudantes da E.E. Gaspar paralisaram as aulas contra a reforma nesta quarta-feira. Iniciativas similares aconteceram e devem acontecer ainda mais em vários outros estados do Brasil.

Sobre a PEC 241, ela deve ser votada nas próximas semanas no Congresso por pedido do próprio presidente Michel Temer. Na prática, ela sintetiza o fundamentalismo econômico, congelando os gastos sociais federais pelos próximos 20 anos, ao valor de 2016 — um ano de recessão e crise econômica. Isso é grave em vários níveis, mas principalmente no que se refere aos programas sociais, que deverão sofrer uma paralisação de duas décadas mesmo que o Brasil volte a crescer economicamente. O mesmo vale para setores como a Educação e Saúde.

No último ano, secundaristas já demonstraram a sua força política ao redor do Brasil.

Começando por São Paulo, onde mais de 200 escolas estaduais foram ocupadas contra o projeto de reorganização escolar defendida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), forçando o governo a recuar sobre a medida que fecharia pelo menos 93 escolas ao redor do estado.

O mesmo ocorreu em Goiás, onde mais de 30 escolas foram ocupadas contra as OSs (parcerias público privada), além da militarização do ensino público no estado. No Rio de Janeiro, mais de 70 escolas foram ocupadas contra a precarização do ensino, e em apoio ao movimento dos professores, que estavam em greve por melhoria no trabalho. O mesmo se repetiu em estados como Rio Grande do Sul e Ceará.

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