Longe do atraso e do retrocesso representado no Congresso brasileiro, o governo canadense e a Câmara dos Comuns anunciou a aprovação de uma…

No Canadá, governo muda hino nacional para versão com neutralidade de gênero

No Canadá, governo muda hino nacional para versão com neutralidade de gêneroLonge do atraso e do retrocesso representado no Congresso brasileiro, o governo canadense e a Câmara dos Comuns anunciou a aprovação de uma…


No Canadá, governo muda hino nacional para versão com neutralidade de gênero

Foto: David Kawai/Xinhua Press/Corbis

Longe do atraso e do retrocesso representado no Congresso brasileiro, o governo canadense e a Câmara dos Comuns anunciou a aprovação de uma antiga reivindicação, na tentativa de assegurar uma versão inclusiva na letra do hino nacional do país.


A proposta aprovada por 225 votos contra 74 alterou duas palavras do hino nacional do Canadá: a estrofe “True patriot love in all thy sons command” passou para “True patriot love in all of us command”.

Para a ministra da Igualdade Patty Hadju, a importância desta decisão torna-a “um símbolo muito forte do nosso compromisso com a igualdade de gênero no nosso país”. O governo liberal de Justin Trudeau, eleito em outubro passado, marcou a diferença por apresentar pela primeira vez tantas mulheres como homens nas 30 pastas ministeriais — deixando o governo interino de Michel Temer (PMDB) no Brasil, por exemplo, verdadeiramente no chão.

A proposta de alterar esta parte do hino surgiu várias vezes nos últimos 25 anos, tal como outras para retirar a carga religiosa presente em outras estrofes.

O hino do Canadá tem a particularidade de ter duas versões (em inglês e francês, línguas oficiais do país) que não coincidem na letra. Apesar de datar do princípio do século, apenas nos anos 80 foi oficializado como hino nacional. Enquanto a versão francesa é a original de 1908, a tradução inglesa sofreu ao longo do século algumas mudanças.

Parada LGBT em Montreal | Foto: Jason Pier

O Canadá é referência na proteção dos direitos humanos e na afirmação da diversidade sexual. Foi um dos pioneiros a reconhecer o casamento gay, em 2005, seguindo o exemplo da Holanda (2001) e da Bélgica (2003). Recebe cerca de 250 mil imigrantes por ano — é o país desenvolvido que mais acolhe estrangeiros — e atualmente tem uma política federal de incentivo à imigração para trabalhadores qualificados.

Na década passada, relatos de pessoas que fugiram da homofobia institucional no leste europeu e na América Latina para o Canadá eram praticamente rotineiros.

“O governo canadense não saberia informar com precisão quantos imigrantes dentre os selecionados no processo de skilled workers são membros da comunidade LGBT, já que a orientação sexual dos candidatos não é informada no formulário. As informações de que disponho baseiam-se em dados empíricos, fruto de minha experiência pessoal in loco e de entrevistas feitas com imigrantes brasileiros”, diz a jornalista brasileira Julieta Jacob, que viveu no Canadá por cerca de dois anos.

“Durante o período que morei no Canadá (2008–2010) convivi com muitos deles, tanto na cidade de Toronto como em Montreal, e pude perceber a relação de causa e efeito entre homofobia x imigração. Nenhum deles havia chegado a sofrer alguma agressão física no Brasil e dentre as razões (implícitas) que os fizeram imigrar para o Canadá estavam a rejeição (total ou parcial) da própria família e ainda a vergonha/medo de se assumir homossexual no Brasil”, completou a jornalista.

By Democratize on June 21, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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