Em ato organizado pela CUT, milhares de pessoas acompanharam o discurso da presidenta Dilma Rousseff, anunciando reajuste de 9% no Bolsa…

No 1º de Maio em São Paulo, política institucional tomou o lugar dos trabalhadores

No 1º de Maio em São Paulo, política institucional tomou o lugar dos trabalhadoresEm ato organizado pela CUT, milhares de pessoas acompanharam o discurso da presidenta Dilma Rousseff, anunciando reajuste de 9% no Bolsa…


No 1º de Maio em São Paulo, política institucional tomou o lugar dos trabalhadores

Foto: Alice V/Democratize

Em ato organizado pela CUT, milhares de pessoas acompanharam o discurso da presidenta Dilma Rousseff, anunciando reajuste de 9% no Bolsa Família. Na Paulista, o CSP-Conlutas pediu por “Fora Todos”, enquanto a Força Sindical aposta no “quanto pior melhor”.

O histórico Dia do Trabalhador ficou dividido em 3 campos neste domingo (1) em São Paulo.

A maioria marcou presença no ato realizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Vale do Anhangabaú, no Centro. Com a presença da presidenta Dilma Rousseff, dezenas de milhares compereceram e ouviram o que já era esperado: reajuste no Bolsa Família em 9%, além de outras medidas que tem como objetivo facilitar a vida do trabalhador perante momento de crise.

Já na Praça Campo de Bagatelle, aconteceu o chamado espetáculo do “quanto pior melhor”, organizado pela Força Sindical. Além do sorteio de automóveis, não faltou discursos e protestos contra o governo federal, em um ato encabeçado por ampla maioria de militantes do sindicato liderado pelo deputado Paulinho da Força.

Na Avenida Paulista, ficou a central sindical CSP-Conlutas, que levantou mais uma vez a bandeira por eleições gerais ainda neste ano com o ato por “Fora Todos”.

Foto: Alice V/Democratize

Essa divisão mostra claramente que as frentes sindicais estão longe de uma unidade no Brasil.

Porém, em um momento de crise política histórica, demonstra também uma forma de politização da data, em um país onde por mais de uma década o Dia do Trabalhador se tornou motivo de apresentações musicais e sorteios no método mais populista possível, o que sempre demonstrou a fragilidade ideológica dos sindicatos majoritários no Brasil, além de um viés político pífio, baseado em simples interesses partidários.

Até mesmo o ato organizado pela Força Sindical, que sempre foi marcado por esse tipo de “espetáculo popular” com poucas características políticas, sobrou espaço para a politização — mesmo que baseada em interesses partidários, com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff sendo defendido.

Sobre o discurso de Dilma, o foco foi no “golpe”. Mas ainda assim, o governo anunciou medidas estratégicas como o reajuste no programa social mais importante do “legado petista”.

“Essa proposta [do reajuste do Bolsa Família]não nasceu hoje, ela estava prevista desde quando nós enviamos em agosto de 2015 o orçamento para o Congresso. Essa proposta foi aprovada pelo Congresso e diante do quadro atual nós tomamos medidas que garantem um aumento na receita desse ano e nos próximos para viabilizar esse aumento do Bolsa Família”, disse a presidenta.

Foto: Força Sindical

Dilma também tocou no que seria o futuro governo liderado pelo vice-presidente Michel Temer para a classe trabalhadora: “Eles propõem o fim da política de valorização do salário mínimo, política que garantiu 76% de aumento acima da inflação desde o governo do presidente Lula, passando pelo meu. Essa política tem de durar até 2019”.

Mesmo organizando o ato com mais público, a presidenta Dilma foi chamada de “desesperada” pelo deputado Paulinho da Força: “Ela [Dilma] já não consegue mobilizar mais ninguém. O povo já não acredita mais nela. Isso [o reajuste no Bolsa Família] parece mais uma vingança por tudo o que está acontecendo com ela do que qualquer outra coisa. Isso que é triste, ela tá desesperada”, disse o deputado e sindicalista, acusado por diversos casos de corrupção e líder da “defesa de Cunha” na Câmara dos Deputados.

Na Paulista, o CSP Conlutas conseguiu reunir cerca de 4 mil pessoas, sendo o ato com menor representatividade — o que não significa ser o menos importante.

Defendendo a bandeira por novas eleições gerais desde antes da votação do impeachment pela Câmara dos Deputados, a bandeira pelo “Fora Todos” é a mais aceita pela população brasileira, segundo pesquisa do instituto Ibope no mês de abril.

O ato do CSP Conlutas foi o que mais se aproximou do discurso histórico que representa o significado do Dia do Trabalhador.

Os dois outros lados, pecaram na institucionalidade e nos interesses políticos por trás da atual conjuntura. Mas, diante de tempos de crise em Brasília, nada mais do que o esperado.

By Democratize on May 1, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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