Foto: Reprodução/Facebook

Nas redes sociais, usuários combinam de expulsar e agredir estudantes nas ocupações

Através de páginas de extrema-direita e grupos fechados, seguidores combinam protestos e confronto com estudantes secundaristas nas escolas ocupadas ao redor do país. Em uma das conversas, um deles sugere usar um coturno para pisar no rosto dos jovens.

As escolas e universidades ocupadas ao redor do país se tornaram tema central nos últimos dias, principalmente por causa do posicionamento do Ministério da Educação sobre as provas do ENEM, alegando que por causa da mobilização dos estudantes, existiria a possibilidade de suspender as provas.

Porém, a polêmica e debate em torno das ocupações já vem de semanas atrás.

Mais de mil escolas, instituições de Educação e universidades foram ocupadas de lá pra cá. O ápice foi na semana passada, antes do governo do Paraná montar uma ofensiva contra o movimento estudantil – no estado, mais de 600 escolas estaduais chegaram a ser ocupadas, sendo registrado como a maior mobilização já vista no mundo de ocupações por estudantes.

E essa queda nas escolas ocupadas no Paraná ocorreu principalmente pela propaganda negativa de grupos de extrema-direita, entre eles o Movimento Brasil Livre, que chegou a organizar protestos para expulsar os jovens das escolas. Na maioria das vezes, essas ações se tornaram violentas, causando brigas entre estudantes e militantes de direita.

A morte de um jovem dentro de uma escola ocupada, em Curitiba, também causou o enfraquecimento do movimento no estado. Tanto o MBL quanto o próprio governador Beto Richa (PSDB) se utilizaram da morte para auto-promoção política, sugerindo que isso apenas aconteceu por causa da ocupação – ignorando o fato dos jovens terem utilizado drogas fora, e não dentro do colégio.

De qualquer forma, a mobilização continua crescendo em outros estados – apesar da violência do Estado. Agora, uma onda de ocupações ocorre nas universidades públicas do país. Tudo isso por causa da PEC 241, projeto que visa congelar o investimento da União na Educação e Saúde por pelo menos 20 anos, além da MP do Ensino Médio.

Mas a violência deve continuar.

Em páginas de extrema-direita, além de grupos fechados, usuários nas redes sociais combinam encontros e manifestações para expulsar os estudantes das ocupações ao redor do país.

O principal mobilizador das “desocupações” era o Movimento Brasil Livre – porém, com o aumento do tema nas mídias, outros grupos menos organizados já articulam ações similares. Tais grupos, sem lideranças, seguem uma linha mais radical e extremista sobre as ocupações, dispensando qualquer diálogo com os estudantes.

É o caso da página Direita Bauru.

No dia 31 de outubro, a página compartilhou uma convocação de um usuário do Facebook, convocando manifestantes para invadir e expulsar os estudantes que ocupam a escola Luiz Castanho.

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

Já nos grupos, é possível ver os comentários de seguidores articulando formas de desocupar uma escola, utilizando violência contra os jovens ocupantes.

Enquanto um dos usuários comenta sobre a possibilidade de utilizar balas de borracha contra os jovens, um responde afirmando que “irá tirar o coturno do armário, passar aquela navalha na cabeça e caçar comuna”.

 

Foto: Reprodução/Facebook
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O governo federal já demonstrou que não deve dialogar de forma alguma com os estudantes que estão ocupando escolas e universidades ao redor do país. Por outro lado, incentivam os respectivos governos estaduais a utilizar da máquina de repressão para expulsar os secundaristas. Em um dos casos, no Distrito Federal, táticas de tortura foram utilizadas para pressionar os jovens a sair de uma das escolas ocupadas.

Além disso, a atuação de grupos de extrema-direita também coloca em risco a vida dos próprios jovens, que já são marginalizados pelos governos e ignorados pela opinião pública. Sem qualquer segurança, existe o risco dessas manifestações pró-desocupação se tornarem mais intensas, causando conflitos graves.

A onda de ocupações começou no mês de outubro, e parece estar longe de acabar.

 

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