Protestos contra a nova Lei Trabalhista nos setores da aviação, combustíveis e energia na França colocam o país anfitrião do campeonato…

#NãoVaiTerEurocopa? Manifestações e greves na França podem paralisar torneio

#NãoVaiTerEurocopa? Manifestações e greves na França podem paralisar torneioProtestos contra a nova Lei Trabalhista nos setores da aviação, combustíveis e energia na França colocam o país anfitrião do campeonato…


#NãoVaiTerEurocopa? Manifestações e greves na França podem paralisar torneio

Foto: Yann Renoult

Protestos contra a nova Lei Trabalhista nos setores da aviação, combustíveis e energia na França colocam o país anfitrião do campeonato europeu de futebol no avesso. Manifestantes ainda prometem grandes protestos durante o torneio — algo que o governo tenta proibir.


Depois do #NãoVaiTerCopa no Brasil em 2014 durante a Copa do Mundo, é a vez da França passar por situação semelhante.

O país será o anfitrião da Eurocopa, principal torneio de futebol do continente neste ano.

A diferença é que lá, a situação é bem mais complicada do que foi aqui.

Enquanto no Brasil as greves e manifestações ocorreram meses antes do evento com maior força, na França faltam apenas 7 dias para o começo dos jogos da Eurocopa.

Do lado do governo, políticos apostam contornar alguns obstáculos, satisfazendo algumas reivindicações sem ceder no essencial, esperando assim ir esvaziando o protesto. Mas isso dificilmente surtirá resultado. A CGT, principal sindicato francês lembrado sempre por ser combativo em sua história, não quer ceder.

Para o líder da CGT, “o governo diz que o diálogo é possível, que a porta está aberta… a porta pode estar aberta, mas não se pode entrar, a realidade é essa”, disse Philippe Martinez sobre as tentativas do governo francês de “contornar” as greves.

Os sindicatos de pilotos da Air France convocaram uma greve para a primeira semana do campeonato europeu, juntando-se aos protestos contra a Lei Trabalhista. A greve está convocada para o dia 11 até 15 de junho, sendo que pode — e provavelmente deve — ser prolongada, apesar de esperarem 2,5 milhões de fãs de futebol para assistir aos jogos, 1,5 milhões deles vindo de fora da França.

Foto: Yann Renoult

Ao lado dos sindicatos, estão os jovens e estudantes franceses, que semanalmente param o país com grandes manifestações, além de universidades e praças que estão sendo ocupadas contra o governo francês, com o movimento #NuitDebout [Noite em Pé].

Confrontos com a polícia ocorreram em quase todas as manifestações até o momento — em sua maioria porque o governo francês tem tentado ao máximo criminalizar e proibir as passeatas por conta do “alerta terrorista”, utilizando os recentes atentados para evitar o fracasso do torneio de futebol em seu país nos próximos meses.

O economista Thomas Piketty comentou sobre o conflito em que atravessa a França em sua página oficial no Facebook, em que classifica a nova lei trabalhista como “um erro terrível, mais um deste mandato perdido, e talvez o mais grave”. E continua: “o governo quer talvez nos fazer crer que está pagando o preço de ser reformista, e que tem de se bater sozinho contra todos os conservadorismos. A verdade é outra, neste tema como em todos os anteriores: o poder instalado multiplica as improvisações, as mentiras e os arranjos”, escreveu na rede social.

Foto: Yann Renoult

Segundo uma pesquisa do instituto Tilder/LCI/OpinionWay, cerca de 59% da população francesa acredita que as greves e as manifestações devem influenciar positivamente a política no país, mesmo durante o torneio da Eurocopa. Isso ocorre mesmo após meses de tentativas de criminalização do movimento, que cresce cada vez mais.

  • Entenda a nova Lei Trabalhista na França:

Como foi noticiado pelo Democratize logo no começo das manifestações e greves na França, com essa nova Lei Trabalhista, deixa de haver um valor mínimo de indenização em caso de demissão sem justa causa; por acordo, os trabalhadores poderem passar a trabalhar o máximo de 44 a 46 horas por semana e de 10 a 12 horas por dia; os acordos coletivos de trabalho com negociação anual passam a ser negociados a cada três anos, a duração máxima de acordos coletivos será de 5 anos, sem garantia de retenção dos direitos adquiridos, entre outros.


Acompanhe aqui a cobertura da Agência Democratize sobre a mobilização dos trabalhadores na França:

By Democratize on June 3, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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