A cobertura midiática sobre a nova onda de manifestações no Brasil contra Michel Temer segue sua tendência de proteção ao novo governo. Por…

Não vai passar na TV: a violência contra os manifestantes nesta quarta

Não vai passar na TV: a violência contra os manifestantes nesta quartaA cobertura midiática sobre a nova onda de manifestações no Brasil contra Michel Temer segue sua tendência de proteção ao novo governo. Por…


Não vai passar na TV: a violência contra os manifestantes nesta quarta

Foto: Wladimir Raeder/Democratize

A cobertura midiática sobre a nova onda de manifestações no Brasil contra Michel Temer segue sua tendência de proteção ao novo governo. Por três dias seguidos em São Paulo, protestos foram reprimidos pela polícia sem qualquer justificativa — mas vidros de bancos acabam ganhando mais destaque do que fotógrafos agredidos e jovens gravemente feridos.


Pelo terceiro dia seguido, manifestantes ocuparam as vias de São Paulo para se manifestar contra o impeachment de Dilma Rousseff. E pelo terceiro dia seguido, a Polícia Militar reprimiu o ato sem qualquer justificativa.

Mas desta vez não foi só em São Paulo. Outras capitais como Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Florianópolis e João Pessoa também tiveram protestos contra o presidente Michel Temer (PMDB). Apenas em BH e Rio não houve repressão ou confronto entre manifestantes e policiais.

Apesar de ter um número divulgado pela PM ou pelos organizadores, o ato desta quarta-feira (31) foi o que teve maior adesão. Algo em torno de 8 mil pessoas começaram o protesto no começo da noite, caminhando do vão livre do Masp em direção a Consolação.

E mais uma vez o comando da Polícia Militar garantiu que não haveria qualquer forma de agressão policial.

E mais uma vez mentiram.

Quando o protesto chegou na metade da Consolação, com destino ao prédio onde fica a sede do jornal Folha de São Paulo, um cordão da Tropa de Choque que protegia o prédio do Corpo de Bombeiros começou a atacar os manifestantes — que estavam cercados, tanto na frente quanto atrás do ato.

Com isso, a PM conseguiu dividir a manifestação em dois. Mas a repressão continuou.

Vários pequenos grupos foram se formando. Enquanto um tentava se reorganizar na Rua Augusta, os demais resistiam na Praça Roosevelt. Outro grupo de manifestantes conseguiu chegar até a sede da Folha, que foi escrachada.

Foto: Wladimir Raeder/DemocratizeFotos: Reinaldo Meneguim/Democratize

A Polícia Militar resolveu perseguir cada pequeno grupo que havia se formado após a segunda onda de repressão — mesmo que significasse apenas 10 pessoas caminhando nas ruas gritando “Fora Temer”.

Nas vias paralelas, a repressão continuava. Em um dos casos, uma jovem havia sido ferida na perna e carregada por colegas e manifestantes. Ao ver a cena, a moradora de uma das casas na região abriu o portão e a deixou se recuperar dentro do imóvel.

Mas os casos mais graves foram surgindo nas redes sociais aos poucos durante a noite.

O principal deles envolve a jovem Deborah Fabri, que foi atingida por estilhaços de bomba de efeito moral no rosto. Repleta de sangue, a jovem não conseguia se manter em pé, sendo ajudada por colegas e demais manifestantes na Consolação. Ela foi encaminhada para o Hospital das Clínicas, e na manhã de hoje, publicou nas redes sociais a triste notícia: ela perdeu a visão do olho esquerdo.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Outros casos também foram surgindo.

Um boato nas redes (ainda não confirmado) informava que uma criança de 2 anos havia sido ferida pela ação policial durante o confronto.

Já outro confirmado, envolve outra jovem que havia sido atropelada por uma BMW. Segundo informações da VICE, a proprietária do automóvel teria ficado com receio ao ver os manifestantes passando por perto de seu carro, decidindo então avançar na frente do protesto. Não temos mais informações sobre o caso.

Outra situação grave envolvia dois fotógrafos: Vinicius Gomes e William.

Eles foram agredidos pela Polícia Militar na região do Centro. Segundo informações, Vinicius havia registrado a cena de dois policiais caindo de sua moto. Ao ver a tentativa do fotógrafo, oficiais partiram pra cima de Vinicius, quebrando em pedaços sua câmera e agredindo o fotógrafo. William viu a cena e tentou registrar. Foi impedido, sendo também agredido pelos policiais. Seu cartão de memória foi apagado posteriormente.

Ambos foram encaminhados para o 2DP, e depois para um hospital. De lá, seguiram para o 78DP, onde nossa equipe conseguiu conversar com os fotojornalistas.

Tão trágico quanto as agressões da polícia, tem sido a postura dos grandes meios de comunicação diante da nova onda de manifestações.

Assim como em junho de 2013, inicialmente, o aspecto noticiado é o suposto vandalismo praticado pelos manifestantes — o que é usado como justificativa para a ação da Polícia Militar. Porém, o que não é de fato detalhado, são as razões de tal prática de vandalismo, e o que necessariamente significa isso.

O “vandalismo” noticiado pela mídia se trata de barricadas montadas pelos manifestantes para impedir (ou atrasar) o avanço da Tropa de Choque em momentos de confronto. Nesta quarta, janelas de bancos e um carro da Polícia Civil também foi o alvo de alguns manifestantes, mas isso ocorreu apenas após a violência por parte da polícia.

Manifestantes pisam em cima do carro da Polícia Civil | Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Com isso, além de praticamente reservar nulo espaço sobre os protestos em sua programação, o jornalismo tradicional ainda informa de forma tendenciosa os fatos ocorridos durante os protestos.

Ignora por exemplo a inexistência de lideranças nos atos, e como isso se reflete em protestos espontâneos convocados pelas redes sociais — com a presença de grupos partidários, porém, que não ocupam a maioria da manifestação. Tem sido assim nos dois últimos atos, convocados após a repressão sofrida na Avenida Paulista, em protesto convocado pela Frente Povo Sem Medo.

Também escondem a adesão nacional nesta semana, com manifestações ocorrendo em diversas capitais de forma simultânea. A de Belo Horizonte, por exemplo, reuniu pelo menos 15 mil pessoas.

Por isso, o papel de protagonismo volta para as redes sociais, em um momento importante nas ruas, que vai se inspirando cada vez mais na onda de protestos de 2013.

By Democratize on September 1, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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