Foto: Francisco Toledo / Democratize

“Não tem um governo, hoje, que não esteja guinando para o fascismo”

A professora universitária aposentada e militante comunista Lúcia Skromov, que foi torturada pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, abriu as portas da sua casa na zona oeste de São Paulo para a equipe do Democratize. Com uma recepção calorosa, passamos uma tarde agradável fazendo o que todo jornalista gosta: ouvir boas histórias.

Logo no começo da conversa, Lúcia nos mostrou o painel que desenhou para o Tribunal Popular da Terra, movimento que luta pela reforma agrária, demarcação de terras indígenas e titulação de áreas quilombolas.

No quadro, estão representados diversos povos da América Latina que batalham pela terra. A pintura é coletiva e a tela já percorreu países como Bolívia e Venezuela e diversos estados brasileiros, além de assentamentos e acampamentos do MST e do MTST. Lúcia fez questão que nós deixássemos nossa contribuição, pintando uma parte parte do painel.

Foto: Francisco Toledo/Democratize

O bate-papo seguiu e, em certo momento, conversamos sobre o crescimento da onda conservadora e autoritária de cunho fascista no Brasil, que mostra sua face nas manifestações de rua com ações violentas, intolerância nos debates políticos e redes sociais. Cotidianamente, essa multidão raivosa é alimentada e ganha força com os deputados da bancada BBB (Bala, Boi e Bíblia) no Congresso Nacional, que também tem limitado os avanços na área de direitos humanos.

Para Lúcia, os militantes e movimentos sociais devem ficar atentos. “O Brasil está acompanhando uma onda, que é mundial. Uma guinada para o fascismo em toda a Europa e no próprio Estados Unidos. O Trump representa a intolerância e o fascismo. Eu tenho receio dos resultados, porque se o Trump ganha, nós já temos todo um front fascista que domina o mundo”, alertou.

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Há alguns meses, o cenário político mundial vem ganhando uma nova configuração com a proximidade das eleições em uma das maiores potências econômicas, os Estados Unidos, a saída do Reino Unido da União Europeia e o processo de impeachment no Brasil. “Não tem um governo, hoje, que não esteja guinando para o fascismo. A pretensão da extrema direita é pegar o mercado, porque nós vivemos uma crise do capital”, disse.

No último domingo (3), houve um ato pró-Bolsonaro que reuniu cerca de 500 pessoas em São Paulo. Para Lúcia, o protesto representa “uma homenagem às ideologias e à vontade que eles tem de retomar o poder, da mesma forma que ocorreu entre 64 e 85”.

Segundo a militante, a implantação de um estado onde se perdem os direitos por uma máscara de democracia é mais perigosa ainda, já que não revela exatamente o que está por trás disso. “Temos um Bolsonaro que expressa toda visão ideológica da ditadura. Ele seria um Brilhante Ustra civil hoje, e indo mais adiante, se detecta o fascismo”, ressaltou.


Texto por Carol Nogueira

Veja mais:

By Democratize on July 6, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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