Não é possível que em um estado democrático seja tolerada ações como as cometidas na terça-feira (12) pela Polícia Militar — e pior…

Não é só a tarifa: o secretário Alexandre de Moraes tem que cair | Editorial

Não é só a tarifa: o secretário Alexandre de Moraes tem que cair | EditorialNão é possível que em um estado democrático seja tolerada ações como as cometidas na terça-feira (12) pela Polícia Militar — e pior…


Não é só a tarifa: o secretário Alexandre de Moraes tem que cair | Editorial

Foto: Felipe Malavasi/Democratize

Não é possível que em um estado democrático seja tolerada ações como as cometidas na terça-feira (12) pela Polícia Militar — e pior, atitudes aplaudidas por um secretário do governo. Neste editorial, a agência Democratize de notícias pede que o Sr. Alexandre de Moraes, deixe seu cargo e seja responsabilizado pelos danos contra mais de 20 feridos.

Ao contrário de 2013, neste ano o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem evitado ao máximo de aparecer em público para falar sobre os protestos contra o aumento da tarifa no transporte público em São Paulo. Talvez, pensando já nas eleições de 2018, e em como uma nova onda de manifestações poderia desgastar a sua imagem para a presidência.

Logo então, a nova cara do governo estadual para falar sobre o assunto tem sido aquele que dá as ordens de fato: o secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes. Ele, que é o mesmo responsável pela intervenção da PM nas investigações sobre a chacina na Grande São Paulo no mês de agosto do ano passado, onde mais de 19 pessoas foram mortas. A interferência da Polícia Militar nestas investigações visam blindar a possibilidade de indiciar policiais envolvidos nos crimes. E tem dado certo até o momento.

Isso já seria motivo suficiente para que um homem como ele não pudesse ter o cargo que tem.

Mas as cenas de barbárie e violência gratuita vistas nesta terça-feira (12), no segundo protesto contra o aumento das passagens em São Paulo, tornam a sua situação ainda pior.

Como uma criança mimada, a Polícia Militar agiu de forma truculenta por puro revanchismo, após um policial infiltrado ter sido agredido por cerca de três ou quatro pessoas após espancar e tentar prender um manifestante de forma arbitrária. É assim que funciona a nossa polícia, como um menino mimado, que se tirarmos o brinquedo de suas mãos já começa a chorar e mostrar a língua.

Mas ela é assim não por acaso. As condições oferecidas pelo sistema e pelo próprio governo do estado por mais de 20 anos acabaram perpetuando tais atitudes, que se tornaram rotineiras, comuns e até aceitáveis pelos próprios donos do poder.

E pensando desta forma, a PM agiu com uma truculência inesperada e de graves proporções na última manifestação do Movimento Passe Livre. Mais de 20 pessoas ficaram feridas e tiveram de ser encaminhadas para os hospitais da região da Avenida Paulista, incluindo um fotojornalista do Democratize. Um manifestante corre o risco de perder os movimentos da mão esquerda, após estilhaços de bomba de efeito moral terem o atingido. Uma mulher grávida teve fraturas em seu corpo após ser espancada por um policial militar. A manifestação foi cercado do começo ao final, com sargentos e comandantes militares querendo ditar o que uma passeata organizada por civis pode ou não fazer dentro da lei. Isso é um lamentável sinal de autoritarismo por parte da organização militar em São Paulo, em uma atitude jamais vista — nem em 2013.

E acreditem, existe um culpado. E ele se chama Alexandre de Moraes. O mesmo homem que, três dias depois da chacina em Osasco, preferiu passear e ser paparicado por “manifestantes” na Av. Paulista durante “protesto” pelo impeachment de Dilma Rousseff, do que ir até a periferia da Grande São Paulo conversar com os familiares que perderam seus filhos e netos.

Foto: Reprodução/Estadão

Após as cenas de brutalidade, foi o secretário que apareceu na frente das câmeras defendendo a ação da Polícia Militar — algo que já deve ter sido coordenado pelo próprio em conjunto com o governador tucano.

Como de costume, negou possíveis práticas anti-democráticas da PM contra manifestantes e jornalistas, afirmando que “se caso aconteceu algo do tipo, foi de forma isolada” e que, claro, “as denúncias serão investigadas pela instituição”. Tão investigadas quanto os excessos cometidos em 2013 e 2014, onde até o momento nenhum policial militar foi indiciado.

Além disso, Alexandre de Moraes distorceu completamente a Constituição Nacional, dizendo que é obrigação da sociedade civil informar aos responsáveis pela segurança qual o trajeto da manifestação — quando na realidade isso não existe.

Reprodução/Facebook

O secretário Alexandre de Moraes tem que cair. Ou o governador Geraldo Alckmin toma consciência dos fatos absurdos praticados por seu secretário, ou a população o fará.

Não iremos mais tolerar agressões contra manifestantes pacíficos e jornalistas, fotógrafos e profissionais da imprensa.

O MPL convocou mais duas manifestações para esta quinta-feira (14), ambas em locais diferentes mas de forma simultânea — uma nova tática adotada pelo grupo. Caso ocorra algo tão grave quanto o que vimos na terça-feira, o nosso posicionamento vai se tornar mais do que um simples editorial.


Assinam o editorial da Agência Democratize todos os colaboradores

By Democratize on January 14, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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