Na Polônia, uma greve geral feita pelas mulheres em defesa do aborto - Foto: Getty Images

Na Polônia, uma greve geral feita pelas mulheres em defesa do aborto

Enquanto no Brasil o aborto continua sendo um tema dificilmente debatido entre ambas as partes, na Polônia as mulheres resolveram fazer uma greve geral contra a proibição ao direito. A “segunda-feira negra” paralisou escolas e serviços públicos em mais de 60 cidades do país.

Milhares de mulheres ocuparam as ruas para contestar a proposta de lei da proibição total do aborto na Polônia, nesta segunda-feira (3). As organizadoras esperavam a adesão de pelo menos seis milhões de mulheres junto a greve e ao protesto — através do uso de roupa preta. Uma lei é discutida hoje no Parlamento da Polônia que prevê a proibição do aborto em caso de violação ou mesmo quando a vida da mulher esteja em risco.

A manifestação ocorreu em mais de 60 cidades, com protestos e greves, que juntaram milhares de pessoas. A “segunda-feira negra” levou ao fechamento de escolas e serviços públicos, além de algumas empresas privadas que aderiram à mobilização, dando o dia de folga para suas trabalhadoras. Em Varsóvia, as manifestantes caminharam em direção a sede do Partido da Lei e Justiça, que tem a maioria dos deputados no parlamento, boa parte composta por apoiadores da proposta.

A polêmica proposta de lei foi aceita no parlamento no dia 23 de setembro e surgiu de uma iniciativa legislativa cidadã que recolheu 450 mil assinaturas, com o apoio ativo da Igreja Católica. Apesar da Polônia já ter uma das leis mais restritivas para a interrupção voluntária da gravidez (IVG) — permitida apenas em caso de risco de vida da mulher, malformação irreversível do feto ou gravidez resultante de violação e incesto — os ultraconservadores pretendem acabam com a prática e condenar a cinco anos de prisão as mulheres e os médicos que pratiquem a IVG.

Atualmente, o número de abortos legais na Polônia é de cerca de mil casos por ano, enquanto as estimativas para o aborto ilegal chegam a 150 mil.

No Brasil, a situação do aborto para as mulheres continua basicamente no mesmo aspecto encontrado na Polônia, visto como um dos mais atrasados do Ocidente. Aqui, o aborto é legal apenas em casos de risco de vida, gravidez resultante de estupro e anencefalia fetal, sendo proibido nos demais casos. As penas são tão graves quanto as propostas na Polônia: a mulher que praticar aborto no Brasil de forma “ilegal” terá pena de 1 a 3 anos, enquanto o médico que praticar o aborto terá pena de 3 a 10 anos.

Aborto no Mundo | Democratize

  • Em Azul: legalizado em todos os casos (Estados Unidos, Canadá, Espanha, China, entre outros)
  • Em verde: legalizado em casos de estupro, risco de vida, problemas de saúde, fatores socioeconômicos ou má-formação do feto (Inglaterra, Finlândia, entre outros)
  • Em amarelo: legalizado em caso de estupro, risco de vida, problemas de saúde ou má-formação do feto (Brasil, Zambia, Colômbia, entre outros)
  • Em bege: legalizado em caso de estupro, risco de vida ou problemas de saúde (Argentina, Bolívia, Tailândia, entre outros)
  • Em laranja: legalizado em caso de risco de vida ou problemas de saúde (Peru, Venezuela, Indonésia, entre outros)
  • Em vermelho: proibido em todos os casos (Chile, Nicaraguá, entre outros)
  • Em cinza escuro: varia por região (Austrália, México, entre outros)
  • Em cinza claro: não há informações

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