Foto: Reprodução/Youtube

Na Islândia, banqueiros são condenados por manipulação de mercado

Em 2008, os islandeses protestaram massivamente para exigir justiça e a demissão da equipe de governo. Oito anos depois, a Justiça condena os responsáveis por fraudes em um dos maiores bancos do país, que entrou em colapso.

Os admistradores foram acusados de financiarem a compra de ações do próprio banco através de empréstimos, cuja única garantia eram as ações a adquirir, com o objetivo de dar uma ideia de solidez da instituição, na altura o maior banco islandês.

A decisão do Supremo Tribunal contrariou a absolvição de dois dos nove réus por uma instância judicial inferior em junho, embora ambos tenham escapado a uma condenação com tempo de prisão.

A notícia das condenações dos banqueiros responsáveis pelas práticas que levaram ao colapso o sistema financeiro do país contrasta com a forma como a justiça de outros países tratou casos semelhantes.

Em vez de multas e acordos que permitiram aos banqueiros europeus e norte-americanos escaparem da prisão, os administradores do banco Kaupthing viram nesta quinta-feira confirmadas as condenações que variam entre penas de um a quatro anos de prisão. No entanto, a maioria dos condenados terá a sua pena suspensa.

Foto: IBTimes

Entenda a crise e os protestos na Islândia

Conhecido como a Revolução dos Panelaços, os protestos contra a crise financeira na Islândia ocorreram entre 2008 e 2009, por causa da atuação do governo do país diante da crise financeira e da influência dos banqueiros e empresários.

As manifestações começaram de forma solitária. O músico Hordur Torfason pegou um microfone e um banco, e se posicionou na praça em frente ao Parlamento, discursando contra a forma que o governo do país tratava da crise financeira. Em poucos meses, as manifestações cresceram e ganharam força, reunindo milhares de pessoas, que entraram em confronto com policiais. Mais de 20 pessoas foram presas, e outras 20 ficaram feridas.

Em resposta, o primeiro-ministro renunciou ao cargo, e a Islândia passou por modificações radicais com o objetivo de evitar a influência dos bancos e dos empresários na política nacional e econômica do país.

A mobilização no país inspirou movimentos similares na França, Grécia, Portugal, Espanha e Alemanha, além do próprio Occupy Wall Street nos Estados Unidos.

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