Foto: Daniel Arroyo, especial para o Democratize

MTST faz 3 ocupações simultâneas na grande São Paulo

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) realizou na noite da última sexta-feira (4 de novembro) 3 ocupações simultâneas. De maneira pacífica e ordenada, trabalhadores ocuparam terrenos que estão em Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS). Em Embu, onde a Agência Democratize acompanhou in loco, um policial militar chegou a concordar com os objetivos do movimento.

Eram 21h30 da noite quando os trabalhadores começaram a se reunir em diversos pontos da cidade para ocupar terrenos em Itaquera, Embu das Artes e Capão Redondo. Ao todo foram quase 1500 trabalhadores e trabalhadoras realizando as ocupações.

As ocupações fazem parte de uma série que ocorrerá em todo o país para pressionar os governos (federal, estaduais e municipais) para que o “Minha Casa, Minha Vida” modalidade entidades siga funcionando e não passe por cortes de recursos.

“Nós fizemos uma pesquisa do terreno e sabemos que ele é particular e tem dívidas enormes de IPTU. Além disso ele já foi colocado como Zona Especial de Interesse Social, mas falta coragem para fazer a lei valer. Então estamos aqui, reivindicando o que é dever do Estado”, afirmou Guilherme Boulos, coordenador-nacional do MTST.

O terreno onde Boulos esteve é localizado na periferia de Embu das Artes, próximo a uma comunidade bastante pobre, com córrego a céu aberto e localizado ao lado de um cemitério. Segundo as lideranças do movimento sem teto, foi feito um trabalho de base preventivo na comunidade, com conversas e panfletagens explicando à população local o motivo da ocupação. O mesmo trabalho será refeito nos próximos dias.

Por ocorrer no mesmo dia em que o Movimento Sem Terra (MST) foi invadido de maneira abusiva pela polícia, a expectativa era de uma provável repressão armada. O que parecia ser uma ação perigosa acabou sendo tranquila. A Polícia Militar só apareceu no local depois de horas de ocupação consolidada (termo utilizado para significar que a ocupação foi concluída e os barracos montados). Primeiro por uma viatura que passava no local e, mais tarde por uma abordagem nada comum.

Josivaldo, manobrista, afirma que está ocupando o local por precisar de moradia. “Estou há 2 anos no MTST, já participei de algumas ocupações. Aqui foi diferente, da outra vez foi mais difícil, a polícia foi bem mais agressiva. Hoje está tranquilo aqui”.

A mesma posição tem Paulo, há 3 anos no MTST “eu estou aqui para dar força aos companheiros, eu moro na Ocupação Paulo Freire, que fica aqui no Embu também. Estou na batalha e vim aqui dar uma força aos companheiros, porque é uma luta difícil”. Paulo confessou que “tinha medo de lutar” mas aprendeu, com o os trabalhadores sem teto, que nada se conquista sem luta.

Foto: Victor Amatucci / Democratize
Foto: Victor Amatucci / Democratize

Hélio Sobral, 43 anos (2 de MTST) também luta por sua casa. Com a expectativa da construção de moradias dignas, também no terreno da Ocupação Paulo Freire, ele trabalha como autoelétrico. “Meus colegas de trabalho respeitam o movimento, trouxe inclusive alguns deles  para ocupar. Eu não conhecia o movimento, pensava que era só chegar e ocupar e tal… Mas não é bem assim, tem muita luta, a gente briga por uma causa boa, o bem social de todos e eu me identifiquei bem com eles”.

Apesar da noite fria, tudo ocorreu bem. As ocupações seguem ocorrendo em todo Brasil, partindo de diferentes movimentos sociais. A luta, claro, é por um direito básico: moradia digna.

Ocupação Do MTST Em Embu Das Artes (4 De Novembro De 2016)

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