Na noite desta quinta-feira (8), movimentos como o MTST, RUA; sindicatos como Intersindical e CUT, além de partidos políticos como o PSOL…

Movimentos de esquerda se unem contra avanço conservador

Movimentos de esquerda se unem contra avanço conservadorNa noite desta quinta-feira (8), movimentos como o MTST, RUA; sindicatos como Intersindical e CUT, além de partidos políticos como o PSOL…


Movimentos de esquerda se unem contra avanço conservador

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Na noite desta quinta-feira (8), movimentos como o MTST, RUA; sindicatos como Intersindical e CUT, além de partidos políticos como o PSOL se reuniram no lançamento da Frente Povo Sem Medo — objetivo é unificar as pautas da esquerda, representando uma terceira via contra o avanço conservador da direita e o abandono das pautas populares pelo governo petista.

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, MTST, tem se tornado o principal protagonista das lutas de esquerda no Brasil desde o começo do ano de 2014. De lá pra cá, diversas ocupações ocorreram em todo o país, acompanhadas de vitórias como a inclusão de assentamentos no programa federal Minha Casa Minha Vida.

Porém isso ainda não é o suficiente: diante da política de ajuste fiscal promovida pelo governo Dilma, tais avanços já correm o risco de se estagnar, ou até mesmo desaparecer. Em entrevista exclusiva para o Democratize, o Coordenador Nacional do movimento, Guilherme Boulos, disse que o corte anunciado no mês passado pelo governo federal de mais de 20 bilhões de reais no orçamento deve afetar diretamente o MCMV.

Além disso, o avanço conservador que tem se destacado nas ruas em 2015 também é um risco para os movimentos sociais, segundo as lideranças da recém lançada Frente Povo Sem Medo.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

O lançamento da frente, feito nesta quinta-feira em São Paulo, foi encabeçado por diversos setores da esquerda no país: de sindicatos como a Intersindical e a CUT, até movimentos sociais como a Unegro, Esquerda Marxista e RUA, e o PSOL sendo o único partido político institucionalizado que integra a frente oficialmente — além de claro, o próprio MTST.

Apesar de se tratar de um marco para uma unidade entre movimentos de esquerda, algumas críticas ainda surgem em relação ao andamento e construção da frente. Partidos como o PSTU criticam a postura do MTST e PSOL diante do quadro político atual, onde, segundo lideranças socialistas como o também ex-presidenciável Zé Maria, “esta frente hierarquiza seus objetivos pela luta ‘Contra a ofensiva conservadora e as saídas à direita para a crise’, e afirma que “sabemos que é preciso independência política…”. Mas independência política de quem? Do governo? Ora, independência não é neutralidade, nem apoio crítico. Os trabalhadores e o povo pobre deste país estão revoltados com este governo. E o MTST, de que lado fica? Dos trabalhadores e sua revolta, ou ajudando a blindar o governo?”.

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Porém, para Boulos, é bem diferente. Em entrevista ao Democratize no mês passado, ele afirmou que foi o MTST quem mais lutou contra o reformismo praticado pelo governo petista nos últimos dois anos pelo lado da esquerda. Além disso, criticou tais setores socialistas que, segundo ele, por mais revolucionários que sejam não conseguem colocar nem 50 pessoas na rua — em referência ao protesto organizado pelo PSTU e demais frentes sindicais como o CSP Conlutas contra o governo Dilma Rousseff, no dia 18 de setembro.

Porém, o que se vê de fato, é a construção de um novo conflito que deve aumentar ainda mais nos próximos anos diante da esquerda: quem ficará com o protagonismo deixado pelo Partido dos Trabalhadores?

O PT, que protagonizou todas as lutas da esquerda dos anos 80 até o governo Lula, já não representa mais as massas dos trabalhadores — seja por sindicatos ou por movimentos sociais e estudantis. O enfraquecimento do partido diante do desgaste provocado pelo governo Dilma Rousseff fez acender uma necessidade de protagonismo, diante de um avanço conservador que cresce cada vez mais e começa a influenciar inclusive as camadas abaixo da classe média.

O MTST e PSOL emergem como favoritos para herdar tal protagonismo — e não por acaso estão mais unificados em suas pautas. O PSTU e centrais sindicais mais independentes estão atrás, mas demonstraram força com a marcha dos trabalhadores feita no dia 18 de setembro, colocando mais de 15 mil pessoas nas ruas apenas em São Paulo. Lá trás, se encontram movimentos mais autônomos, como o MPL, FIP, entre outros.

O que seria melhor para a esquerda no Brasil, de fato, é a unificação entre tais forças em busca de uma terceira alternativa diante do já previsto crescimento de figuras de direita para 2018. Porém, dificilmente tal cenário se tornaria realidade — talvez com um eventual impeachment da presidenta Dilma Rousseff isso acabe se tornando mais provável.

De qualquer forma, vale a pena assistir o vídeo produzido pelo Democratize sobre o evento de lançamento da Frente Povo Sem Medo. Trata-se de um bloco de luta que já nasce com experiência, e que deve ser o principal protagonista da esquerda nas ruas — e até mesmo nas urnas — nos próximos anos.

Assista o vídeo produzido por Sarah Ferreira e Gabriel Lindenbach, para o Democratize:


Análise por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista pela Agência Democratize

By Democratize on October 9, 2015.

Exported from Medium on September 23, 2016.

Posts Relacionados

On Top
error: Para reproduzir o conteúdo do Democratize, entre em contato pelo formulário.
%d blogueiros gostam disto: