Escola ocupada no final de 2015 em São Paulo, contra o projeto de reorganização escolar | Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

Movimento negro ocupa reitoria da UFRGS: “Cota é só a gota, vocês nos devem até a alma”

Movimento negro ocupa reitoria da UFRGS: “Cota é só a gota, vocês nos devem até a alma”No dia 26 de agosto, membros do Conselho Universitário da UFRGS (CONSUN) apresentaram uma proposta que, segundo eles, daria mais transpar…


Movimento negro ocupa reitoria da UFRGS: “Cota é só a gota, vocês nos devem até a alma”

Foto: Gabriel Soares/Democratize

No dia 26 de agosto, membros do Conselho Universitário da UFRGS (CONSUN) apresentaram uma proposta que, segundo eles, daria mais transparência ao processo de ingresso na universidade, mas na verdade essa proposta tem como objetivo diminuir a quantidade de cotas, e dificultar ainda mais a entrada negros, indígenas e alunos de escolas públicas na UFRGS.


Por Gabriel Soares

De acordo com o Movimento Balanta — Nenhum Cotista a Menos: “A alteração que mais ataca o acesso de cotistas à UFRGS sugere que a/o candidata/o, ao se inscrever no vestibular, deverá selecionar entre concorrer às vagas de ampla concorrência, ou seja, a 50% das vagas ou às vagas de acesso de reserva, que são os 50% restante das vagas, porém o grupo de acesso de reserva se subdivide em 4 modalidades (L1, L2, L3 e L4), então o candidato concorreria de fato a apenas 12,5% das vagas. De que forma isso ataca o direito do cotista? Atualmente, o candidato concorre ao acesso universal e ao acesso de reserva na modalidade inscrita no vestibular de maneira concomitante, ou seja, se atingir uma nota superior a nota de corte da ampla concorrência, garante para si uma vaga por acesso universal e disponibiliza a vaga de acesso de reserva para outro candidato de acesso de reserva.

Por exemplo, um candidato cotista ao se inscrever no vestibular no ano passado, para entrar no curso de Direito — Noturno, concorreria a 93 vagas (das 147 vagas totais do curso: 74 vagas pelo acesso universal e mais 19 vagas por sua modalidade de cota), podendo ser aprovado pelo acesso universal e abrir caminho para um outro aluno cotista com argumento menor no vestibular. Com a alteração, porém, esse mesmo candidato iria precisar selecionar uma das alternativas: concorrer à metade das vagas do acesso universal (74 vagas), disputando com candidatos que, em sua maioria, estudaram em escolas particulares, ou concorrer as 19 vagas reservadas para sua modalidade de ação afirmativa.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

A universidade quer criar dois vestibulares, aquele dos cotistas, que deverão competir entre si e ficar com o menor número de vagas e o daqueles que terão seu privilégio histórico assegurado. Em 2016, mais de 60% das vagas do vestibular foram ocupadas por alunos cotistas, isto é, além das vagas reservadas, os alunos negros, indígenas, de baixa renda e de escolas públicas ocuparam também um número expressivo das vagas do acesso universal. O que a universidade acena com essa tomada de posição? Deseja retirar os estudantes que vem conquistando espaço dentro da universidade?

Na mesma tentativa de diminuir o número de estudantes cotistas na universidade, a proposta apresentada oficializa algo que já ocorre, que é a divisão entre cotistas e candidatos de acesso universal na formação das listas de espera para os chamamentos seguintes ao listão. Atualmente, o aluno cotista, mesmo que possua argumento suficiente para ser colocado na lista de espera do acesso universal, não é colocado nesta lista, pois é feita uma divisão que faz com que os/as alunos/as cotistas precisem que outro cotista desista de sua vaga para poder ser chamado.

O que isto acarreta na prática? Acarreta que, mesmo que o aluno cotista tenha pontuação suficiente para ser chamado em segunda chamada para o acesso universal, ele não será chamado pelo fato de ter sido retirado de tal lista. Segundo pesquisa de alguns membros do CONSUN, só no vestibular de 2016 foram em torno de 100 alunos cotistas que não foram convocados em outras chamadas por conta dessa divisão.”

Em função dessa proposta de alteração, o Movimentos Negro, Estudantil e Indígena ocupou o prédio da Reitoria da UFRGS, desde o ultimo dia 22 de setembro. A ocupação esta precisando de doações de alimentos, água, e produtos de limpeza. Uma nova votação do CONSUN está marcada para a póxima terça-feira, 27, até lá a ocupação contiua.

Fotos: Gabriel Soares/Democratize


Gabriel Soares é co-fundador e fotojornalista pela Agência Democratize em Porto Alegre

By Democratize on September 25, 2016.

Exported from Medium on September 26, 2016.

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