Dos 24 ministros do presidente interino Michel Temer, dez foram eleitos deputados em 2014. Segundo dados da Câmara, eles gastaram mais de R…

Ministros de Temer gastaram juntos mais de R$5 milhões em um ano com verba parlamentar

Ministros de Temer gastaram juntos mais de R$5 milhões em um ano com verba parlamentarDos 24 ministros do presidente interino Michel Temer, dez foram eleitos deputados em 2014. Segundo dados da Câmara, eles gastaram mais de R…


Ministros de Temer gastaram juntos mais de R$5 milhões em um ano com verba parlamentar

Foto: Alice V/Democratize

Dos 24 ministros do presidente interino Michel Temer, dez foram eleitos deputados em 2014. Segundo dados da Câmara, eles gastaram mais de R$5 milhões da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) entre abril de 2015 e abril deste ano. O campeão de despesas de dinheiro público foi o atual Ministro da Defesa, deputado Raul Jungmann (PPS), com cerca de R$543.154,32 gastos.


Por Francisco Toledo

Muito se fala sobre corte de gastos nos bastidores, entrevistas e reuniões do novo governo em Brasília.

Pressionados pelo empresariado, que não querem o aumento de impostos para as indústrias e muito menos a continuidade de direitos trabalhistas que, segundo eles, atrapalham a “modernização do mercado de trabalho”, o governo de Michel Temer já começa a analisar uma série de medidas impopulares de ajuste fiscal.

Porém, o discurso não se reflete no passado recente de boa parte dos seus homens de confiança.

Pesquisamos sobre os 10 atuais ministros do governo que foram eleitos para o cargo de deputado federal na última eleição em 2014, e resolvemos investigar os gastos desses políticos com a polêmica CEAP — Cota para Exercício da Atividade Parlamentar — entre os meses de abril de 2015 e abril deste ano.

Trata-se de um “valor adicional” ao salário do deputado, para conseguir arcar com despesas relacionadas ao seu mandato — como salários, contas, viagens, etc.

Chegamos ao surpreendente número de R$5.347.012,87 gastos.

Veja a lista em ordem:

  1. Raul Jungmann (deputado pelo PPS e Ministro da Defesa): R$543.154,32
  2. Mendonça Filho (deputado pelo DEM e Ministro da Educação): R$541.330,71
  3. Osmar Terra (deputado pelo PMDB e Ministro do Desenvolvimento Social e Agrário): R$522.635,80
  4. Ronaldo Nogueira (deputado pelo PTB e Ministro do Trabalho): R$488.574,47
  5. Ricardo Barros (deputado pelo PP e Ministro da Saúde): R$487.201,38
  6. Bruno Araujo (deputado pelo PSDB e Ministro das Cidades): R$473.726,92
  7. Fernando Coelho Filho (deputado pelo PSB e Ministro de Minas e Energia): R$460.279,26
  8. Leonardo Picciani (deputado pelo PMDB e Ministro dos Esportes): R$454.361,59
  9. Mauricio Quintella (deputado pelo PR e Ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil): R$451.420,68
  10. José Sarney Filho (deputado pelo PV e Ministro do Meio Ambiente): R$436.126,36

O Ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS) | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

> O mais gastão e o “100 mil em um mês”

Entre os meses de abril de 2015 e 2016, foi o deputado Raul Jungmann que mais gastou verba do CEAP dentro da equipe de ministros de Michel Temer.

O atual Ministro da Defesa utilizou R$543.154,32 em um ano.

O valor pode ser considerado surpreendente, se não fosse pelo seu colega Ricardo Barros, do PP, que gastou R$109.353,73 da cota parlamentar em apenas um mês — quase 1/5 do valor gasto por Jungmann em um ano.

Barros, que é o atual Ministro da Saúde, ocupou apenas o 5ª lugar no “ranking” dos mais gastões, com R$487.201,38 no ano, compensando seu gasto fora do controle em dezembro do ano passado nos demais meses.

O mais curioso é que desse valor do CEAP gasto por Barros em dezembro de 2015, é que só em “consultoria” o deputado utilizou quase R$40 mil. Pior do que isso: mais de R$50 mil foram gastos só com a divulgação de seu mandato.

Trata-se, curiosamente, do ministro de Temer que sugeriu o corte de R$10 bilhões no programa de assistência social Bolsa Família. Barros também ficou conhecido por dar dores de cabeça para Michel Temer logo nas primeiras semanas de mandato, ao dizer para a imprensa que é preciso começar a reduzir o tamanho do Sistema Único de Saúde, o SUS. Sua fala gerou manifestações contra sua escolha para o ministério, além de ocupações em prédios públicos da Saúde ao redor do país.

>Ciência Sem Fronteiras é “genoroso demais”; mas R$40 mil para divulgação em apenas um mês não?

Neste fim de semana, o Ministro da Educação chamou a atenção da mídia ao anunciar o fim de novas bolsas do programa Ciência Sem Fronteiras para graduação.

Em declaração, Mendonça Filho disse: “Nem Finlândia, Suécia ou Dinamarca, que são países riquíssimos e muito bem resolvidos na questão de equidade, ofertariam um programa tão generoso como esse, sem qualquer acompanhamento”.

Desde 2011, quando criado pela presidente afastada Dilma Rousseff, foram mais de 90 mil bolsas distribuídas, a maioria para graduados, mas também para alunos pós-graduação. O programa ficou reconhecido nacionalmente por ser uma referência do primeiro mandato de Dilma na Educação.

Mas, para o deputado e ministro Mendonça Filho, do DEM, isso é um gasto muito “generoso”. Porém, gastar mais de R$40 mil em dinheiro público para divulgação de seu mandato em apenas um mês, não é generoso demais também?

O presidente interino Michel Temer, ao lado do Ministro da Educação, Mendonça Filho | Foto: Lula Marques/AGPT

No mês de dezembro de 2015, o deputado Mendonça Filho utilizou cerca de R$90.924,42 em verbas do CEAP. O segundo colocado em “mais gastão” do governo Temer, usou quase metade deste valor apenas para divulgação de seu mandato, segundo consta dados públicos da própria Câmara dos Deputados.

Pior do que Mendonça, talvez seja o Ministro dos Transportes, Maurício Quintella, do PR.

No mesmo mês de dezembro do ano passado, o então deputado utilizou R$92.249,16 da verba do CEAP, sendo mais de 67 mil apenas com divulgação do seu mandato.

>Dados são públicos e precisam de monitoramento da sociedade

Assim como o dinheiro gasto pelos ministros de Temer enquanto deputados, todos os dados e números publicados nesta reportagem são públicos, e podem ser facilmente encontrados no site da Câmara dos Deputados.

Em tempos de austeridade e ajuste fiscal, onde geralmente quem “paga o pato” é a própria população, é chegada a hora de reformular a forma como a Cota para Exercício de Atividade Parlamentar é operada — e principalmente a questão de transparência e acesso aos dados pela população, que muitas vezes nem sabe da existência de tal benefício por parte dos congressistas.

Afinal, com esse valor gasto em apenas um ano por 10 deputados (R$5.347.012,87), o governo poderia construir cerca de 6 escolas públicas de médio porte em São Paulo.

Para ver o quanto seu deputado anda gastando, basta clicar aqui e pesquisar.


Francisco Toledo é co-fundador e fotojornalista pela Agência Democratize em São Paulo

By Democratize on July 26, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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