Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (25) aponta uma queda expressiva naqueles que apoiam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff…

Mídia e movimentos pró-impeachment ignoram nova pesquisa do Ibope

Mídia e movimentos pró-impeachment ignoram nova pesquisa do IbopePesquisa divulgada nesta segunda-feira (25) aponta uma queda expressiva naqueles que apoiam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff…


Mídia e movimentos pró-impeachment ignoram nova pesquisa do Ibope

Foto: Fernando DK/Democratize

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (25) aponta uma queda expressiva naqueles que apoiam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, para apenas 8% da população. A maioria, com 62%, preferem novas eleições.

Depois do show de horrores que foi a votação do impeachment pela Câmara dos Deputados no dia 17 deste mês, é visível a mudança repentina de opiniões nas redes sociais.

O Instituto Ibope, tendo em vista esse clima de mudança, realizou uma pesquisa para saber qual caminho deve ser tomado diante da crise política no Brasil, após a Câmara ter aprovado a saída da presidenta Dilma Rousseff.

E o resultado surpreendeu.

De cima pra baixo: cerca de 62% defendem novas eleições para a presidência ainda neste ano, cassando o mandato tanto de Dilma Rousseff quanto do vice-presidente Michel Temer. Em segundo ficaram aqueles que defendem a continuidade da presidenta Dilma no seu cargo, com 25%, realizando um novo pacto entre governo e oposição. Apenas 8% ainda defendem o impeachment de Dilma, deixando a presidência para Temer.

Muitos apontam essa queda de adesão ao impeachment pelo que foi mostrado em rede nacional na Câmara dos Deputados no dia 17.

Existe também uma grande rejeição aos movimentos que protagonizaram as manifestações pelo impeachment de Dilma. Em postagens recentes, o Movimento Brasil Livre foi questionado sobre quando e como o grupo pretende realizar manifestações pela saída e prisão do presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB).

Outro alvo dos comentários foi o próprio vice-presidente, Michel Temer.

O problema é que tanto o Movimento Brasil Livre quanto os outros grupos já parecem estar “fechados” com Temer. Nas últimas postagens na página oficial do grupo no Facebook, pelo menos 2 exaltam o vice-presidente:

Reprodução/Facebook

O movimento também tem começado a atacar a proposta de novas eleições gerais ou presidenciais ainda neste ano, defendida por alguns senadores e por movimentos sociais de esquerda.

Mas, por que isso ocorre?

Esses movimentos estão “fechados” com Temer.

Para garantir a estabilidade nas ruas, o vice-presidente já cedeu em vários aspectos econômicos defendidos pelo Movimento Brasil Livre: redução de ministérios, corte de gastos em programas sociais, maior ajuste fiscal com políticas aplicadas em austeridade e privatizações no setor da infraestrutura.

Além disso, muitos membros do grupo já declararam publicamente que pretendem concorrer nas eleições municipais deste ano, por partidos da oposição como DEM e PSDB, além do próprio PMDB de Michel Temer.

A boa e velha “troca de cargos por favores” também já é debatida em bastidores, segundo informações repassadas ao Democratize. Pelo menos 2 integrantes do Movimento Brasil Livre devem trabalhar oficialmente em um eventual governo de Michel Temer em Brasília.

Mas e a mídia com isso?

Os meios de comunicação mais tradicionais, que também empurraram a pauta pelo impeachment até o limite — como Estadão e Globo — ainda não se decidiram se a proposta de novas eleições é realmente uma “boa ideia” para eles.

Ao contrário do que se fazia com pesquisas anteriores sobre o impeachment ou a popularidade da presidenta Dilma, a nova pesquisa do Ibope foi praticamente ignorada pela Globonews, canal fechado de notícias da Globo.

Para eles, uma possível adesão da sociedade civil contra o impeachment ou por novas eleições pode desencadear questionamentos sobre a atuação de ambos os veículos, além de atingir em cheio seus interesses históricos que devem ser defendidos em um eventual governo de Michel Temer em Brasília.

Sem manchete e escondida no site, a notícia que relata a nova pesquisa do Ibope foca na adesão por novas eleições — e não na impopularidade do impeachment. O título diz: “Pesquisa Ibope mostra que 62% preferem novas eleições presidenciais”, sem nenhuma menção aos míseros 8% que ainda defendem apenas o impeachment de Dilma Rousseff.

Foto: Francisco Toledo/Democratize

Mas, e a classe política e os movimentos de rua?

Até o momento, o PT trabalha nos bastidores sobre a ideia. Muitos acreditam, inclusive o ex-presidente Lula, que uma campanha por novas eleições seria abandonar a Dilma Rousseff antes do “final do jogo”.

Já a oposição de esquerda se demonstrou a favor da ideia, sugerindo ainda ampliar para novas eleições gerais: não apenas a presidência como também todos os cargos no Congresso Federal. Setores do PSOL, como o da ex-deputada Luciana Genro, defendem integralmente a proposta, assim como o PSTU. Já a Rede da ex-senadora Marina Silva preferiu focar apenas nas eleições para presidente, mantendo o Congresso como é hoje.

Assim como os movimentos pró-impeachment, a oposição liderada pelo PSDB não aprova em absolutamente nada a proposta por novas eleições, gerais ou não. Tanto o governador Geraldo Alckmin (que trabalha nos bastidores para sair como candidato em 2018) quanto o senador Aécio Neves (que também tem a intenção de sair candidato daqui a dois anos) consideraram a ideia “utópica” e inconstitucional. Defendem apenas o impeachment de Dilma, porque contam com uma participação moderada no governo de Michel Temer para consolidar o apoio do PMDB aos tucanos em 2018.

By Democratize on April 25, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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