Foto: Paulo Pinto/AGPT

Mesmo com ‘Fora Temer’ relativamente vazio, PM causa confusão

Com menos pessoas do que o esperado, mais um protesto pelo ‘Fora Temer’ ficou marcado pela repressão policial, mesmo sendo um ato pacífico na Avenida Paulista. A PM induziu uma briga e discussão com manifestantes após abordar e agredir uma vendedora ambulante. Fotógrafos também foram alvo da truculência.

Pouco mais de 2 mil pessoas participaram do terceiro ato ‘Fora Temer’ e por ‘Diretas Já’ convocado pela Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular neste domingo (18), na Avenida Paulista em São Paulo.

Comparado aos protestos nos domingos anteriores, foi possível registrar o esvaziamento das ruas: no primeiro, dia 4, mais de 100 mil pessoas participaram. No penúltimo, dia 11, as organizações estimaram cerca de 60 mil pessoas.

Mas isso não impediu a Polícia Militar de agir com truculência mais uma vez, mesmo com o ato seguindo de forma pacífica, sem sair da Avenida Paulista.

Com apresentações musicais e discursos, o ato que começou de tarde foi marcado pela violência policial — de novo. Uma vendedora ambulante foi abordada por dois policiais, que tentaram pegar sua mercadoria. A mulher resistiu, e começou a discutir com os policiais. Mesmo sem agredir os agentes, a PM começou a usar spray de pimenta nas pessoas que acompanhavam a situação.

No carro de som, os militantes discursavam contra a violência policial, chamando a atenção para o que ocorria lá embaixo.

Neste momento, mais spray de pimenta foi utilizado, enquanto a mulher era jogada no chão, se apoiando nas pernas de um policial, para impedir que levem sua mercadoria. A partir dai, começou a agressão contra os fotógrafos que registravam o momento.

Foto: Paulo Pinto/AGPT

Fotógrafo pelo coletivo CHOC Documental, André Lucas foi atingido por cassetetes por um dos agentes, que tentou quebrar sua câmera. Ele caiu no chão, enquanto os demais policiais ameaçavam os manifestantes e jornalistas que acompanhavam a situação.

Um dos policiais chegou a apontar a arma de bala de borracha nos manifestantes, mesmo com crianças visivelmente no meio do ato.

Porém não passou disso.

Não é a primeira vez que a Polícia Militar causa confusões pontuais em manifestações promovidas por grupos mais organizados da esquerda, como a própria Frente Povo Sem Medo.

No primeiro domingo, dia 4, a violência policial aconteceu após o término da manifestação, sem qualquer justificativa. Manifestantes foram presos, vários feridos, e locais da região do Largo da Batata, como bares e restaurantes, acabaram sendo alvo dos PMs.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Já no dia 11, pelo menos três jovens foram detidos pela PM, causando uma confusão entre os demais manifestantes, que tentavam defender seus colegas. Mais spray de pimenta foi utilizado, além de um fotógrafo ter sido agredido e preso por policiais. Outro rapaz chegou a sangrar após PMs baterem em sua cabeça com cassetete.

Mesmo sem a presença de Black Blocs, os atos ‘Fora Temer’ continuam sendo alvo da Polícia Militar, o que leva a outro assunto: o esvaziamento das ruas.

Seja por medo da repressão ou até mesmo pelo próprio modo de organização dos protestos, o ato deste domingo pode ter sido o último de uma jornada que começou no dia 29 de agosto, enquanto a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) discursava no Senado Federal, momentos antes de ser afastada em definitivo.

Com a proximidade das eleições municipais, é improvável que mais manifestações contra Temer acabem acontecendo nos próximos dias — pelo menos com o mesmo nível de adesão das semanas anteriores.

Porém, para o dia 22 de setembro, ficou marcada uma paralisação geral entre os trabalhadores, convocada por centrais sindicais como a CUT. Ainda não se sabe a adesão desta mobilização, porém estudantes e professores da rede estadual e municipal de São Paulo devem cruzar os braços contra o presidente Michel Temer e contra as reformas na Educação.

Fato é que quando as reformas chegarem no Congresso, como a Trabalhista e da Previdência, as manifestações devem voltar com ainda mais força.

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