A Assembleia Legislativa de São Paulo permanece ocupada pelos estudantes secundaristas. Sessões fictícias, debates, rodas de conversa e de…

Mesmo com ameaça de multa e invasão, a Alesp segue ocupada

Mesmo com ameaça de multa e invasão, a Alesp segue ocupadaA Assembleia Legislativa de São Paulo permanece ocupada pelos estudantes secundaristas. Sessões fictícias, debates, rodas de conversa e de…


Mesmo com ameaça de multa e invasão, a Alesp segue ocupada

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

A Assembleia Legislativa de São Paulo permanece ocupada pelos estudantes secundaristas. Sessões fictícias, debates, rodas de conversa e de música animam os estudantes madrugada a dentro.

A ALESP nunca mais será a mesma. Os estudantes secundaristas que ocupam a Assembleia Legislativa (cerca de 50) realizam sessões parlamentares fictícias, com direito a discursos, aplausos, vaias e até presidência da casa.

“Fala agora o representante do Partido Mete o Loco do Brasil”, foi com essa frase que nossa reportagem foi recepcionada no salão nobre. Pouco antes numa rápida coletiva (melhor seria chamar de ‘rápido pronunciamento’), João Borro — chefe de gabinete de Fernando Capez — fez uma fala para anunciar que a reintegração de posse foi concedida pela justiça.

“Na verdade são duas reintegrações, uma só para mim e outra para os demais estudantes”, explica Camila Lanes, presidente da UBES — União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. A reintegração dá o prazo de 24h para que os estudantes desocupem a casa dos deputados estaduais de São Paulo, sob multa de 30 mil reais nominal a cada estudante ocupante.

Após o prazo — a reintegração está sendo contestada na justiça pelo advogado Vitor Grampo — o juiz deverá decidir entre uma audiência de conciliação, o uso de força policial ou ainda apenas a aplicação das multas.

Foto: Gustavo Oliviera/Democratize

Diversos parlamentares passam diariamente para conversar com os estudantes. Durante o início da noite, Vicente Cândido, Paulo Teixeira (ambos deputados federais pelo PT) e o deputado estadual Barba passaram para conversar e checar a situação dos ocupantes.

Em sua grande maioria os ocupantes são estudantes entre 16 e 20 anos. Há ainda um frei e um pai de aluno que ocupam com os secundaristas uma das casas mais importantes do parlamento nacional.

Frei Agostino, 42 anos, brinca com os estudantes durante a sessão extraordinária. Ele que é da igreja católica diz ter se filiado ao Partido das Macumbeiras Socialistas (PMS), em prol da liberdade religiosa. Na sessão o presidente da casa, líder do Partido Hetero sofria um impeachment, enquanto a liderança do PMS afirmava votar “sim, pelo meu cachorro”.

A brincadeira revela mais do que a crítica óbvia ao show de horrores proporcionado pela Câmara dos Deputados em Brasília. Releva a politização destes jovens, capazes de sorrir, cantar e discutir assuntos como a liberdade sexual e (ou) religiosa com a mesma paixão.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Um ALESP Fashion Week foi organizado, com desfile de cobertores. Uma paródia de Chico Buarque sobre as ocupações foi feita em questão de minutos.

Maria Beatriz e Chrystopher Ravena, interrompem a reunião de criação de um novo partido — que definiram como uma espécie PMDB, por querer agregar todos os outros e tomar o poder — para conversar com o Democratize.

Beatriz veio de Sorocaba, Chrystopher é da capital. Os dois possuem familiares que lutaram contra a ditadura ou, pelo menos, que foram militantes ativos no movimento estudantil. Ambos vieram no dia 3 de maio convidados a participarem de uma discussão de gênero e acabaram por descobrir que a proposta era ocupar a ALESP. Tudo feito na base da votação. “Quando nós colocamos que a ideia era pressionar pela CPI das Merendas, aí que eles vieram com mais paixão ainda”, conta entusiasmada, a Presidenta da UBES.

Por volta da 0h30 o acampamento colocado a frente da ALESP (do lado de fora), em apoio à ocupação fez um jogral em homenagem aos estudantes que estão no plenário. A animação foi absoluta, com gritos de alegria e palavras de ordem que só baixaram o volume depois da bronca das lideranças que procuram manter boas relações com os 3 PMs que vigiam a entrada e saída ao corredor que vai ao banheiro (por medo que os secundaristas saiam do plenário e ocupem outras partes da Assembleia). A relação, de fato, é até certo ponto amistosa. Com conversas e brincadeiras, além é claro da discussão sobre o papel da imprensa e da polícia no ativismo político.

A sexta-feira será o dia chave para a continuidade da ocupação, segundo Camila Lanes. Ela afirma que se houver uso de força policial ou se os pais dos menores forem responsabilizados a pagar as multas eles não forçarão a permanência, mas avisa: “sairemos daqui com mais ânimo para ocupar outros lugares”.


Reportagem por Victor Amatucci, do blog ImprenÇa, para o Democratize

By Democratize on May 6, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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