Foto: Wladimir Raeder/Democratize

Medida Provisória aprovada ontem na Câmara vai contra a vontade dos jovens

Texto aprovado ontem (07/12), pela Câmara dos Deputados por 263 votos a favor, 106 contra e três abstenções caminha sem aprovação da comunidade escolar, a proposta visa alcançar 500 mil alunos, em um país com 8,3 milhões de estudantes. Mas afinal o que pensam os jovens sobre as chamadas matérias não obrigatórias?

Foto: Wladimir Raeder/Democratize
Foto: Wladimir Raeder/Democratize

As agressões à educação pública ainda estão na ordem do dia, com ataques pautados pelo governo Michel Temer, como a Proposta de Emenda à constituição que pode reduzir os gastos públicos e a reforma do ensino médio.

Na última quarta (07), os parlamentares da Câmara dos Deputados aprovaram o texto-base da reforma, e, mesmo após comissão feita, mantiveram-se às disciplinas de sociologia e filosofia fora da obrigatoriedade. A possibilidade contratação de profissionais sem a devida formação acadêmica para o Ensino Técnico também foi mantida.

Os deputados ainda precisam concluir a análise de sugestões de emenda que podem alterar o conteúdo da proposta. Já a votação das emendas ficou para a próxima semana. Depois, a medida irá para o Senado.

O texto-base flexibiliza o conteúdo e determina que 60% da carga horária de todo o ensino médio sejam obrigatórias. Nos 40% restantes, os alunos poderão escolher as disciplinas de acordo com seus interesses. Para a estudante Jaqueline Souza, de 17 anos, da Escola Pública Estadual Condomínio Vargem Grande 2, uma das escolas de lata ainda existentes, localizada em Parelheiros, as disciplinas de sociologia e filosofia são de extrema importância para os jovens estudantes.

Em entrevista para a Agência Democratize, ela conta que “são poucas as matérias que desenvolvem pensamento político, basicamente sociologia, filosofia e  história, mesmo assim são muito pouco trabalhadas e debatidas, a atual política é pouco inclusa. Muitos ainda são leigos, por mais que vivemos a política todos os dias, ninguém nos mostra a realidade!”.

Os interesses, preocupações e opiniões dos jovens a respeito da política.


O voto aos 16 anos foi uma conquista do movimento estudantil, incorporada à Constituição de 1988. Nesta época, da década de 1980 à seguinte, o jovem demonstrava interesse na vida política, mas isso tem se mostrado o contrário ultimamente.

Em 2016 as eleições municipais mostraram que o jovem se vê desencantado com a política tradicional. Entre as idades de 16 a 20 anos, foram apenas 10 milhões 723 mil e 972 votos, isso em uma população jovem de mais de 16 milhões de habitantes, segundo o último censo feito pelo IBGE. Um número muito pequeno quando se compara com as demais idades, o jovem ainda comparece pouco às urnas, segundo dados do TSE.

 

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Para Jaqueline as instituições políticas formais perderam legitimidade perante boa parte dos discentes, o poder nunca foi dado aos cidadãos e o comodismo de muitos é o maior desafio para se democratizar a democracia burguesa em que vivemos. “Saímos nas ruas, fazemos manifestações, protestos, greve, mas nunca se resolve nada, e nos contentamos depois de um tempo, com ou sem resultado, não temos poder porque não abrimos os olhos verdadeiramente.”. Explicita.

 Uma pesquisa realizada pela Agenda Juventude Brasil em 2013, com 3.300 jovens entre 15 e 29 anos, residente no território brasileiro, distribuídos em 187 municípios mostra a opinião dos jovens a respeito da política.

A pesquisa envolve o parecer dos jovens quanto à importância. A capacidade de mudança e o envolvimento destes na política.
 

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A maioria dos entrevistados acredita que a política é importante. Sua participação é fundamental para a criação de uma sociedade mais justa e melhor. E esta importância na participação reflete no poder que o jovem tem perante ao corpo social. Afinal, o jovem na política espelha a construção do futuro, o seu futuro.

Capacidade da juventude de mudar o mundo
 
Na pesquisa do Projeto Sonho Brasileiro da Política de 2014, foi constatado, depois de 1.128 jovens de 18 a 32 anos em todo o Brasil, serem questionados, que o jovem se sente responsável pelas transformações em seu país, quando comparado ao ano de 2011.

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Participação política na escola

Um dos motivos do distanciamento dos estudantes na escola é porque a política institucional não faz parte dos interesses imediatos deles. É necessária uma educação política nas escolas, que conte com profissionais capazes de lançar, debater, questionar, sobre a política e as formas de governo. Como mostra a pesquisa do Projeto Sonho Brasileiro da Política, os jovens demonstram que a escola deve ser o principal lugar para se aprender política.

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Um material pedagógico voltado para a política é de extrema importância, posto que, vive-se a política diariamente. No entanto o lado democrático não é vivido pelos estudantes da rede e os projetos que pautam o tema são insuficientes. Jaqueline complementa que “a escola não tem o âmbito de desenvolver conosco pensamentos voltados para relações políticas, são poucas as matérias que desenvolvem, trabalham e debatem”.

A pesquisa também revela que dos 1.128 jovens participantes 39% se dizem alheios à política e 17% à deriva, ou seja, um sujeito passivo aos acontecimentos políticos e as políticas públicas de sua comunidade.

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Para a concretização de uma verdadeira reforma escolar é imprescindível que a comunidade local esteja integrada com os estudantes, o ensino integral deve ser discutido e levado em consideração. Enquanto seu discurso vislumbrar apenas o aumento da carga horária, e não o aumento no número de possibilidades de aprendizados isso não ocorrerá e a escola continuará perpetuando seu modelo encarcerador de pessoas, como explica a professora Anna Cecília Simões, no vídeo abaixo:

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