Fernando Holiday, uma das lideranças do MBL, é do DEM - partido de Rodrigo Maia e do Ministro da Educação, Mendonça Filho | Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

MBL faz uso político de morte de estudante – mas ignora sua culpa

A morte de um jovem secundarista em uma das escolas ocupadas no Paraná virou manobra política para o Movimento Brasil Livre criticar a mobilização dos estudantes. Porém, casos de violência contra as ocupações são promovidos pelo próprio grupo, que incentiva seus seguidores a acabar com a manifestação secundarista.

O jovem secundarista Lucas Eduardo Araújo Mota morreu assassinado na Escola Estadual Santa Felicidade, ocupada por estudantes em Curitiba. Assim que saiu a notícia, a versão era diferente: segundo a Polícia Militar e a mídia, tratava-se de um suicídio.

Não demorou muito para que o Movimento Brasil Livre, grupo que tem feito uma ferrenha oposição contra as escolas ocupadas no Paraná, começasse a se aproveitar da morte do jovem para fins políticos.

A história não é nova. Semanas atrás, um primeiro incidente entre os secundaristas e o grupo de extrema-direita ocorreu na maior escola do estado, o Colégio Estadual do Paraná, quando Arthur, membro do movimento e autor da página Mamãefalei tentou gravar imagens dos estudantes menores de idade sem a devida autorização. Uma jovem chegou a acusar um membro do grupo de Arthur de abuso sexual. No caso, um dos jovens chegou a brigar fisicamente com Arthur, que alega ter tido seu equipamento quebrado pelo secundarista.

Na semana seguinte, incentivados pelo Movimento Brasil Livre e pelo grupo Direita Curitiba, pais de alunos e militantes de extrema-direita invadiram uma das escolas ocupadas, chegando a vandalizar o patrimônio público – quebrando um dos portões de acesso do colégio.

Isso além das ameaças que vários secundaristas do Paraná alegam receber de seguidores do Movimento Brasil Livre, conforme publicado pela Agência Democratize recentemente. Páginas no Facebook administradas pelos estudantes estão sendo alvo de ataques e denúncias, além de hackers.

Porém, após a morte do jovem, as coisas pioraram ainda mais.

Em sua página oficial no Facebook, o grupo começou a acusar os próprios secundaristas, responsabilizando o movimento pela morte de Lucas. Em um dos posts, o MBL afirma que a morte de Lucas foi causado pela “violência extremista”, tentando relacionar o fato da escola ser ocupada com o assassinato.

Nos últimos três dias, pelo menos metade das publicações do grupo em sua principal rede social foram contra as ocupações no Paraná. Para o MBL, as ocupações contra a PEC 241 e a MP do Ensino Médio são “autoritárias” – apesar da grande adesão dos próprios estudantes, com mais de mil escolas ocupadas até o momento em vários estados do país.

Ao mesmo tempo, o grupo comemorou recentemente a aprovação da PEC 241, projeto que visa congelar o orçamento da Educação por 20 anos. O ativismo repentino do MBL surge justamente após uma reunião feita com o presidente Michel Temer (PMDB), que pediu pessoalmente para o grupo impedir o avanço de manifestações contra os projetos de austeridade defendidos pelo governo. Além dos protestos de rua, o principal alvo do MBL são as ocupações nas escolas e universidades – que mesmo após atingir um número tão grande ainda é ignorada pela mídia convencional.

O problema é que, além de utilizar a morte de um adolescente com fins meramente políticos e de interesses pessoais, o MBL ainda ignora a sua própria possibilidade de culpa sobre o caso.

Em uma postagem recente, o grupo convocou manifestantes e “pais de alunos” para um protesto em Londrina contra as escolas ocupadas, encorajando uma onda de invasões contra as ocupações – conforme ocorreu recentemente.

Apesar de pregar contra o eventual radicalismo de esquerda, o MBL invoca seu próprio extremismo ao querer confrontar as pessoas que são contra as escolas ocupadas – em sua maioria adultos – com os jovens secundaristas, grande maioria menores de idade e adolescentes.

Lucas, no final das contas, foi assassinado por um colega com facadas. O jovem de 17 anos se entregou para a polícia e assumiu o crime – segundo seu depoimento, ele e Lucas teriam utilizado uma droga sintética dentro da escola. Posteriormente, acabaram tendo um desentendimento e uma briga, que levou ao esfaqueamento de Lucas.

O próprio governador Beto Richa (PSDB), aliado do MBL no estado, utilizou recentemente do caso para criticar as escolas ocupadas – são mais de 800 só no Paraná. Além da mobilização dos estudantes, os professores da rede estadual estão em greve por tempo indeterminado.

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