“Além da falta de numeração das residências dificultar parte da efetivação prática e logística do trabalho, o esgoto a céu aberto também se…

Maré recebe campanha de conscientização sobre políticas de segurança pública antes da Olimpíada

Maré recebe campanha de conscientização sobre políticas de segurança pública antes da Olimpíada“Além da falta de numeração das residências dificultar parte da efetivação prática e logística do trabalho, o esgoto a céu aberto também se…


Maré recebe campanha de conscientização sobre políticas de segurança pública antes da Olimpíada

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“Além da falta de numeração das residências dificultar parte da efetivação prática e logística do trabalho, o esgoto a céu aberto também se torna pauta visível de questionamento sobre como direitos básicos estão sendo violados na relação papel do Estado e vivência do cidadão no complexo da Maré.”


Por Sara Vieira
e Tales Duarte

Um dos maiores conjuntos de favelas do Rio de Janeiro, o complexo da Maré é formado por 16 favelas onde vivem em média 140 mil pessoas. No último sábado (16) a comunidade Roquete Pinto, que faz divisão com o Piscinão de Ramos, foi palco da campanha “Somos da Maré. Temos Direitos!”. Em seu segundo lançamento, o projeto visa discutir a atuação das forças de segurança pública nas comunidades, mobilizando os moradores a atuarem contra condutas violentas praticadas pelo Estado que infrinjam seus direitos.

Além da falta de numeração das residências dificultar parte da efetivação prática e logística do trabalho, o esgoto a céu aberto também se torna pauta visível de questionamento sobre como direitos básicos estão sendo violados na relação papel do Estado e vivência do cidadão no complexo da Maré.

A campanha é coordenada pelo Redes da Maré, em parceria com o Observatório de Favelas e a Anistia Internacional. No local estavam presentes integrantes do Redes , que em grupos reduzidos dialogaram com diversos moradores sobre práticas de abordagem policial, orientando-os a respeito de seus direitos como cidadãos, com o objetivo de previnir abusos por parte da polícia. “A ideia é conscientizar, criar uma união coletiva entre os moradores”, relatou Diva, uma das integrantes das equipes do Redes. Os moradores também receberam cartilhas que informavam o que a polícia pode ou não fazer em uma abordagem, e adesivos para que colassem na porta das casas, com os dizeres: “Sou da Maré. Você e eu somos da mesma cidade. Temos os mesmos direitos. Minha casa é meu lugar de aconchego e proteção. Não pode ser invadida. Respeite isso.” A campanha tem duração de 3 meses, buscando atuar por todo complexo, mas com a ideia de que os moradores continuem fazendo esse trabalho após o fim do projeto.

“Eu não vou me prejudicar com isso não, né?”, disse uma moradora ao aceitar colar o adesivo da campanha. O medo e a falta de políticas de segurança pública no local são as principais causas dessas indagações. Entretanto, a invasão por parte de forças militares ostensivas na região não é solução para os problemas ali presentes. Em 2013 o exército ocupa o complexo da Maré, entretanto, a guerra às drogas e o uso de armas continuam intensos na região. Fracasso. 2 anos depois as tropas militares deixam o comando da força de pacificação na região. Inicialmente, a ocupação traria como consequência a implementação de UPP’s (Unidade de Polícia Pacificadora) nas comunidades, porém, a crise do Estado fez com que o governo cancelasse o projeto. Desde então, de acordo com Raquel, diretora do Observatório de Favelas — entidade dedicada à produção do conhecimento e de proposições políticas sobre as favelas e fenômenos urbanos no Rio de Janeiro-, intensificou o número de operações policiais e de casos de violação de direitos na região.

A assistente Social Lidiane Malanquini, do Redes, informou que o perfil pontual e não continuo das operações policias tem como consequência a truculência e restrições à vida dos moradores. A Maré precisa de trabalhos contínuos, que visem respeitar e assegurar os direitos fundamentais dos cidadãos, da mesma forma como o Estado atua em outras zonas da cidade. “O direito a segurança pública na Maré deve ser enxergado como um trabalho que busque mais inteligência e planejamento adequado, e menos tiros”, disse Lidiane, que ressaltou o quanto essas operações mais pontuais são capazes de interferir na garantia de direitos sociais básicos, como o direito a educação e saúde, com o fechamento de escolas e hospitais, e o direito de ir e vir, impedindo os moradores de se deslocarem de casa para o trabalho.

No próximo dia 30 a favela da Nova Holanda dará espaço para receber a campanha. De acordo com Raquel “a Maré deve se tornar referencia para o desenvolvimento de boas políticas em todas as favelas”.


Sara Vieira é repórter pela Agência Democratize
Tales Duarte é jornalistas pela Agência Democratize

By Democratize on July 18, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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