“Folha comete fraude jornalística”, acusa o The Intercept. Caso ocorre após pesquisa do Datafolha publicada recentemente, apontando que 50…

Manipulação de informação pró-Temer na Folha gera repercussão internacional

Manipulação de informação pró-Temer na Folha gera repercussão internacional“Folha comete fraude jornalística”, acusa o The Intercept. Caso ocorre após pesquisa do Datafolha publicada recentemente, apontando que 50…


Manipulação de informação pró-Temer na Folha gera repercussão internacional

Imagem: Reprodução

“Folha comete fraude jornalística”, acusa o The Intercept. Caso ocorre após pesquisa do Datafolha publicada recentemente, apontando que 50% dos brasileiros desejam que Temer conclua o mandato de Dilma. Imprensa estrangeira aponta que resultado “contradiz todos os dados conhecidos”.


O jornalismo brasileiro realmente não vive a sua melhor fase.

Depois de ser questionado pela imprensa estrangeira durante todo o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), agora são as informações sobre a gestão de Michel Temer que geram questionamentos no exterior.

Desta vez, foi a Folha de São Paulo que “pisou na bola”.

Segundo artigo assinado por Glenn Greenwald e Erick Dau, no The Intercept, o maior jornal impresso do país cometeu fraude jornalística ao divulgar resultados manipulados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha na última semana, com o objetivo de “alavancar Temer”.

A Folha divulgou que “entre a volta da presidente afastada Dilma Rousseff ao poder e a permanência do interino Michel Temer, 50% dos brasileiros avaliam que, para o Brasil, seria melhor que o peemedebista continuasse no cargo até 2018”. Segundo o jornal, apenas 32% preferem a volta de Dilma ao cargo.]

Ao mesmo tempo, o Datafolha pesquisou sobre o conhecimento da população brasileira sobre Michel Temer. Cerca de 33% dos entrevistados responderam que não sabem sequer o nome do atual presidente.

O The Intercept cita as pesquisas anteriores, desde abril deste ano, quando o mesmo Datafolha havia realizado um apontamento no dia 9 de abril, mostrando que 60% da população apoiava o impeachment de Dilma, enquanto 58% era favorável ao impeachment de Temer. A mesma sondagem mostrava que 60% dos entrevistados desejavam a renúncia de Temer após o impeachment de Dilma, e 79% defendiam novas eleições após a saída de ambos. Outra pesquisa, feita no dia 25 de abril, após a votação do impeachment pela Câmara dos Deputados, foi realizada pelo instituto Ibope. Nela, 62% desejavam que Dilma e Temer saíssem e que novas eleições fossem realizadas; 25% queriam a permanência de Dilma e a conclusão de seu mandato, sendo apenas 8% favoráveis a situação atual, com Michel Temer ocupando a presidência até 2018.

Foto: Alice V/Democratize

Para os jornalistas, “a iminência da votação final do impeachment torna” o resultado da última pesquisa do Datafolha “extremamente significativo”. O site ainda demonstra surpresa com o resultado de apenas 4% terem dito não optar por nenhum dos dois presidentes, e cerca de 3% apoiarem novas eleições.

Veja abaixo parte do artigo do The Intercept questionando o resultado da pesquisa:

“Esse resultado não foi apenas surpreendente por conta da ampla hostilidade com relação a Temer revelada pelas pesquisas anteriores, mas também porque simplesmente não faz sentido. Para começar, outras perguntas foram colocadas aos eleitores pelo Datafolha sobre quem prefeririam que se tornasse presidente em 2018 e os resultados apontaram que apenas 5% escolheriam Temer, enquanto o líder da pesquisa, o ex-presidente Lula, obteve entre 21% e 23% das intenções de voto, seguido por Marina Silva, com 18%. Apenas 14% aprovam o governo de Temer, enquanto 31% o consideram ruim/péssimo e 41%, regular. Além disso, um terço dos eleitores não sabe o nome do Presidente Temer. E, conforme observou um site de esquerda ao denunciar a recente manchete sobre a pesquisa da Folha como uma “fraude estatística”, é simplesmente inconcebível que a porcentagem de brasileiros favoráveis às novas eleições tenha caído de 60%, em abril, para apenas 3% agora, enquanto a porcentagem da população que deseja a permanência de Temer na Presidência da República tenha disparado de 8% para 50%.

Considerando todos esses dados, fica extremamente difícil compreender como a manchete principal da Folha — 50% dos entrevistados querem que Temer continue como presidente até o fim do mandato de Dilma — possa corresponder à realidade. Ela contradiz todos os dados conhecidos. A Folha é o maior jornal do país e o Datafolha é uma empresa de pesquisa de credibilidade considerável. Ambos foram categóricos em sua manchete e gráfico principal a respeito do resultado da pesquisa. Curiosamente, a Folha não publicou no artigo as perguntas realizadas, nem os dados de suporte, impossibilitando a verificação dos fatos que sustentam as afirmações do jornal.

Como resultado disso, a manchete — que sugere que metade da população deseja a permanência de Temer na Presidência até 2018 — foi reproduzida por grande parte dos veículos de comunicação do país e rapidamente passou a ser considerada uma verdade indiscutível: como um fato decisivo, com potencial para selar o destino de Dilma. Afinal, se literalmente 50% do país deseja que Temer permaneça na Presidência até 2018, é difícil acreditar que Senadores indecisos contrariem a vontade de metade da população.”


Os jornalistas ainda falam sobre os dados completos e as perguntas complementares divulgadas ontem pela Folha: “Tornou-se evidente que, seja por desonestidade ou incompetência extrema, a Folha cometeu uma fraude jornalística”. O motivo é claro: apenas 3% dos entevistados optaram pela realização de novas eleições porque tal opção de resposta não foi dada na pesquisa.

O The Intercept ainda fala sobre o peso de uma pesquisa realizada por um grande instituto, faltando pouco tempo para o prazo final do processo de impeachment de Dilma. Vários meios de comunicação reproduziram o resultado da pesquisa como “verdade absoluta”, não questionando a veracidade das informações e o método utilizado.

Segundo Luciana Schong, do Datafolha, quem estabeleceu as perguntas a serem colocadas foi a Folha, e não o instituto. O próprio instituto reconheceu o aspecto enganoso na afirmação de que 3% dos brasileiros querem novas eleições.

Para ler o artigo completo em português, clique aqui.

By Democratize on July 20, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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