Com apenas 34 anos, Luana foi abordada por policiais em Ribeirão Preto. Ela pediu uma agente feminina para fazer a revista, e por conta…

Manifestantes param a Paulista por Luana Barbosa, morta por PMs no mês passado

Manifestantes param a Paulista por Luana Barbosa, morta por PMs no mês passadoCom apenas 34 anos, Luana foi abordada por policiais em Ribeirão Preto. Ela pediu uma agente feminina para fazer a revista, e por conta…


Manifestantes param a Paulista por Luana Barbosa, morta por PMs no mês passado

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Com apenas 34 anos, Luana foi abordada por policiais em Ribeirão Preto. Ela pediu uma agente feminina para fazer a revista, e por conta disso foi agredida brutalmente por pelo menos 6 policiais. Quase um mês após seu falecimento, manifestantes ocuparam a Av. Paulista para lembrar sua história e não deixar esquecer.

Luana Barbosa dos Reis, de 34 anos, foi espancada por policiais militares e faleceu no dia 13 de abril, em Ribeirão Preto. Ela sofreu uma isquemia cerebral aguda causada por traumatismo crânio-encefálico, conforme a declaração de óbito.

Segundo a PM, os policiais apenas “reagiram” depois que foram desacatados e agredidos por Luana. Porém, uma testemunha afirma que a mulher de 34 anos foi brutalmente agredida por pelo menos seis agentes na rua da casa onde morava. Sua família acredita na versão da testemunha.

Em vídeo momentos após a agressão por parte dos policiais, Luana aparece gravemente ferida, sentada no chão. Desnorteada, ela relata com poucos detalhes como foi feita a abordagem e as agressões por parte dos agentes, que ainda teriam ameaçado sua família de morte — incluindo seu filho. Após isso, Luana foi encaminhada para o hospital, porém não sobreviveu.

Segundo sua irmã, no momento da abordagem, a primeira coisa que Luana pediu foi uma policial mulher para fazer a revista — solicitação que não foi atendida. A partir dai, ela não permitiu o procedimento. Foi quando começaram as agressões.

Uma vizinha, que prefere não se identificar, conta que os policiais desferiram golpes de cassetetes em Luana. A mulher ouviu gritos na rua e saiu de casa para ver o que acontecia quando se deparou com a cena.

“Foi uma coisa de terrorismo que eu nunca tinha visto na minha vida. Eles foram muito violentos. Deram bastante cacetada nela, nas pernas, mas muito. Batiam com o cassetete”, diz a testemunha.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

Para lembrar a história de Luana, manifestantes organizaram um protesto na Avenida Paulista nesta terça-feira (3).

Cartazes pedindo o fim da lesbofobia, do racismo e do machismo marcaram presença, além de gritos contra a violência praticada institucionalmente pela Polícia Militar em São Paulo.

Em nota, o site Gorda&Sapatão afirmou sobre o caso:

“Luana era mulher lésbica-mãe-preta-periférica, esses elementos que carregava na pele era o que precisava para que a polícia a visse como um objeto-alvo a derrubar. E derrubaram! De forma bruta e escabrosa, com força e tortura. É uma de nós, negras e lésbicas que se foi, vítima de uma polícia racista e lesbofóbica que não respeitou quando Luana dizia que era MULHER, a ponto dela ter que levantar a blusa para legitimar sua afirmação. Levantar a blusa! Mostrar os seios! Ter de passar por essa humilhação de mostrar o corpo para afirmar sua identidade. Porque Luana era dissidente dos estereótipos de gênero impostos às mulheres. Luana era o corpo-resistência que por existir, foi passível de um ataque brutal como este. Luana é uma de nós.”

Ainda não se sabe oficialmente, mesmo com a presença de uma testemunha a favor de Luana, se os policiais envolvidos no assassinato serão de fato punidos.

Luana deixou um filho, de 14 anos.

Foto: Gabriel Soares/Democratize

By Democratize on May 4, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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