Foto: Greg Sandoval/AFP

Manifestante fica cego após violência da polícia na França

Durante os protestos do dia 15 deste mês contra a Reforma Trabalhista, um sindicalista chamado Laurent Theron ficou cego de um olho após a polícia ter disparado uma granda de gás lacrimogêneo no seu rosto. Laurent já entrou com uma ação na Justiça contra o governo francês e a polícia.

A violência policial não é uma exclusividade brasileira.

Da mesma forma como as manifestações contra governos neoliberais também não.

Na semana passada, dia 15 de setembro, centenas de milhares de franceses protestaram mais uma vez contra a Reforma Trabalhista aprovada pelo governo francês, do social-democrata François Hollande. A medida deve atingir em cheio direitos históricos da classe trabalhadora do país, inclusive a carga horária semanal de trabalho.

Durante o protesto em Paris, Laurent Theron foi atingido por uma granada de gás lacrimogêneo no rosto. Depois de ser socorrido, descobriu que perderia a visão de um dos olhos.

“Eu estou indo prestar uma queixa contra a polícia. Vou fazer tudo para garantir que a justiça prevaleça”, disse o sindicalista e secretário médico de 46 anos, em um hospital no subúrbio de Paris.

“Minha mão estava no meu bolso. Mesmo assom, como o cirurgão que me operou disse, uma granada de gás lacrimogêneo foi lançada diretamente para mim, de uma distância muito próxima. Meu olho estourou por causa da força da bomba”, disse Theron ao jornal francês Le Monde.

O sindicato ao qual pertence Theron, chamado Solidaires, emitiu uma declaração oficial afirmando que o sindicalista foi “aparentemente atingido por um pedaço de bomba de gás, disparado pelos policiais”.

“De acordo com várias testemunhas, não havia justificativa para usar a força contra Laurent Theron. Não houve qualquer ação contra a polícia. No entanto, as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo, granadas e bombas de efeito moral”, termina o comunicado publicado no site do sindicato.

A União Europeia manifestou seu apoio, e disse que eles “denunciam firmemente a utilização desproporcional de armas não-letais que deixaram centenas de feridos, por vezes, em situações graves”.

“Até a data, nenhuma sanção foi imposta contra os responsáveis por esta situação, como é o caso do Ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, que ainda está trabalhando normalmente no escritório”, acrescentou o comunicado.

A polícia abriu uma investigação sobre as circunstâncias que levaram à lesão de Theron, conforme informado no sábado.

Mais de 100 mil pessoas foram às ruas em toda a França na última quinta-feira. Pelo menos quatro manifestantes e 15 policiais ficaram feridos, com dois deles recebendo queimaduras por causa de coquetéis Molotov.

A manifestação foi a mais recente na série de protestos contra as reformas de Hollande. A controversa lei permite aos empregadores contratar e demitir pessoas com mais facilidade. A expectativa do governo é reduzir o desempregado elevado na França.

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