Pelo menos 4 militantes sem-teto foram presos pela Polícia Militar, enquanto dezenas de pessoas ficaram feridas na manifestação de ontem na…

Manifestações contra o impeachment devem se intensificar após violência

Manifestações contra o impeachment devem se intensificar após violênciaPelo menos 4 militantes sem-teto foram presos pela Polícia Militar, enquanto dezenas de pessoas ficaram feridas na manifestação de ontem na…


Manifestações contra o impeachment devem se intensificar após violência

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Pelo menos 4 militantes sem-teto foram presos pela Polícia Militar, enquanto dezenas de pessoas ficaram feridas na manifestação de ontem na Avenida Paulista. Na manhã de hoje, barricadas foram montadas em diversos pontos da cidade. Manifestações devem aumentar a partir de hoje, com mais um ato no final da tarde em frente ao Masp.


As manifestações contra o governo federal já não são mais as mesmas.

No ano passado, o que se via eram selfies com policiais militares e até mesmo discursos de políticos de Brasília em cima de carros de som.

Hoje, com o presidente interino Michel Temer e a possibilidade do afastamento em definitivo de Dilma Rousseff, o cenário mudou completamente em São Paulo.

Na noite desta segunda-feira (29), enquanto Dilma falava no Senado Federal, mais de 5 mil manifestantes protestavam contra o processo de impeachment na Avenida Paulista, com concentração na Praça do Ciclista. O ato pacifico foi bloqueado na altura do Masp — o motivo, segundo a PM, era evitar que a manifestação se encontrasse com outro grupo acampado em frente ao prédio da Fiesp, com cerca de 10 pessoas a favor da intervenção militar.

Mas se o motivo era evitar confusão, o resultado foi o oposto.

Para segurar a manifestação, a PM passou a atirar bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo no meio de uma multidão que atravessava o cordão montado pelos policiais. O próprio comandante da operação foi pego de surpresa, enquanto conversava com um dos manifestantes (conforme mostra o vídeo acima).

A partir dai foi o caos generalizado, em uma manifestação que lembrou os atos promovidos pelo Movimento Passe Livre — onde o ato não poderia caminhar no seu trajeto determinado.

Uma chuva de bombas tomou conta da Avenida Paulista.

Pelo menos um fotojornalista ficou ferido após um tiro de bala de borracha na perna, além de um golpe que teria levado de um policial no rosto, machucando sua boca. E isso foi só na primeira tentativa da PM dispersar a manifestação.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Mesmo após várias tentativas de diálogo, a PM continuou a atirar bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que tentavam se reagrupar em frente ao Masp.

Por isso, os manifestantes resolveram montar uma barricada com fogo em sacos de lixo, para evitar uma possível investida da PM.

Não deu certo. Os policiais avançaram e desta vez com o objetivo de eliminar a manifestação — e não mais determinar outro trajeto.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

A violência policial chamou atenção nas redes sociais. A própria Globonews passou a exibir por determinado momento a repressão da PM em São Paulo, dividindo a tela com a presença de Dilma Rousseff no Senado Federal.

Enquanto isso, a tentativa de acabar com a manifestação continuava na Paulista. E o número de feridos também.

Um homem foi atingido por uma bala de borracha na mão, abrindo um corte na parte inferior. Militante sem-teto, foi atendido pelos próprios manifestantes, que gritavam por socorro.

Ao mesmo tempo, os acampados da Fiesp resolveram agredir manifestantes anti-impeachment, após a barreira policial. Em um vídeo, é possível ver um dos acampados pegar um pedaço de madeira para ameaçar a multidão. Ele só é contido após policiais chegarem ao local — assim que viu a PM, o acampado voltou para a barraca onde guardou a arma.

A repressão continuou seguindo pela Consolação até chegar na Praça Roosevelt, onde a manifestação acabou dispersando.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Pelo menos 4 militantes sem-teto foram presos pela Polícia Militar. Outros casos relatam dezenas de feridos.

Por causa da atitude da Polícia Militar, a tendência é que mais manifestações aconteçam entre hoje e amanhã em São Paulo — tendo em vista que o processo de impeachment deve ser votado até a manhã desta quarta-feira (31).

Na manhã desta terça, manifestantes já deram seu recado: com pneus e fogo, barricadas foram montadas nas principais vias de São Paulo no final da madrugada.

Fotos: Gustavo Oliveira/Democratize

Para o final desta tarde, uma grande manifestação é convocada por coletivos independentes no vão livre do Masp. Até o momento, cerca de 6 mil pessoas são esperadas para o protesto contra o presidente interino Michel Temer (veja o evento).

Segundo informações recebidas, policiais e um caminhão da Tropa de Choque já estão posicionados desde a manhã desta terça no vão livre do Masp, esperando pela concentração da manifestação e com o objetivo de evitar possíveis protestos “relâmpagos”, como os que aconteceram na madrugada.

Enquanto o processo de impeachment não é encerrado em Brasília, o clima continua tenso em São Paulo, e a tendência é que isso cresça cada vez mais até quarta-feira.

By Democratize on August 30, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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