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Macri: a porta de entrada de Donald Trump na América Latina

O presidente argentino, rodeado de escândalos e de uma crise trabalhista, econômica e social em seu país, conta com um histórico polêmico com o futuro presidente norte-americano, Donald Trump, o que explica os motivos que levam a Argentina a ser a porta de entrada do republicano para a América Latina – cada vez mais conservadora.

Considerada a “primeira baixa da esquerda” na América Latina, a Argentina vive hoje dias complicados. O desemprego continua em alta, e agora direitos e conquistas trabalhistas começam a ser ameaçadas pelo governo do neoliberal Mauricio Macri, que enfrenta uma impopularidade recorde desde o começo de seu governo no ano passado.

Mesmo assim, seu país deve servir como “porta de entrada” da América Latinapara o futuro presidente da nação mais poderosa do mundo desenvolvido, os Estados Unidos de Donald Trump.

Mesmo com toda sua propaganda anti-imigração, seguido de um forte discurso xenófobo de boa parte de seus seguidores, o republicano tem uma longa relação com o presidente argentino – algo que existe desde os anos 80.

Três décadas atrás, os dois homens de negócios chegaram a ser sócios. Na época, ambos tiveram uma relação conturbada, por causa da dívida de 600 milhões de dólares que o então magnata tinha com seu pai, Franco Macri, pela venda da parte que lhe correspondia em um projeto imobiliário de sua família em Nova York. Ano passado, após sua vitória, Macri chegou a chamar Trump de “pirado”, e reafirmou neste ano em entrevista ao jornal espanhol El Pais que não acredita que “[Trump] possa ganhar uma eleição”.

A realidade é que o governo argentino apostava na vitória da rival do republicano, a democrata Hillary Clinton. Porém, após a vitória de Trump, Macri postou em seu Twitter: “Felicito Donald Trump em seu triunfo e espero que possamos trabalhar juntos pelo bem de nossos povos”.

Foto: Getty Images
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Não demorou muito para a então “conturbada relação” se transformasse em algo mais.

Macri e Trump conversaram pelo telefone recentemente, após a vitória do magnata republicano norte-americano. Trump pediu, durante a conversa, a permissão para construir um arranha-céu no centro de Buenos Aires. As informações são do jornalista Jorge Lanata, que garante: “Não foi apenas uma conversa sobre geopolítica”.

Segundo o republicano, questões cambiárias e protecionistas argentinas impedem seus negócios de entrar no país – apesar dele seguir, em teoria, um discurso completamente nacionalista, xenófobo e protecionista nos Estados Unidos diante do cenário de imigração e trabalho.

O prédio de Trump em Buenos Aires teria 35 andares, e custaria cerca de 100 milhões de dólares. Segundo o jornalista, após essa conversa com Macri, os negócios de Trump garantem sua construção a partir de 2017, com finalização em 2020.

Para Macri, os interesses pessoais e empresariais de Trump na Argentina pode facilitar seus objetivos econômicos com o futuro presidente norte-americano. Afinal, o temor em torno da vitória do magnata republicano surgia por conta da eventual política protecionista econômica de Trump nos Estados Unidos, o que afastaria possivelmente milhares de empregos e chances de negócios de multinacionais norte-americanas em seu país. Agora, Macri pode utilizar de sua relação direta com o “Trump empresário” para conseguir facilidades com o “Trump presidente”.

Por outro lado, essa abertura da Argentina para Trump significaria a sua porta de entrada na América Latina. Com um futuro governo já fragilizado por suas declarações inapropriadas e suas promessas bizarras, como a construção de um muro gigante separando México e Estados Unidos, Trump precisaria de um forte aliado no continente para conseguir colocar em prática o domínio político e econômico de seu país na América Latina, além de garantir e evitar o crescimento de movimentos de esquerda que possam questionar a supremacia norte-americana no continente – como é o caso do bolivarianismo da Venezuela, Equador e Bolívia.

Porém, se depender da sua popularidade com os argentinos, essa relação pode sofrer perdas consideráveis na próxima eleição na Argentina.

 

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