Provavelmente você não deve saber o que é o Luxleaks — talvez porque a mídia não tem o menor interesse em falar sobre. Antoine Deltour, ex…

Luxleaks: quando a liberdade do Ocidente pune quem denuncia as multinacionais

Luxleaks: quando a liberdade do Ocidente pune quem denuncia as multinacionaisProvavelmente você não deve saber o que é o Luxleaks — talvez porque a mídia não tem o menor interesse em falar sobre. Antoine Deltour, ex…


Luxleaks: quando a liberdade do Ocidente pune quem denuncia as multinacionais

Foto: Reuters

Provavelmente você não deve saber o que é o Luxleaks — talvez porque a mídia não tem o menor interesse em falar sobre. Antoine Deltour, ex-funcionário de uma grande multinacional, ajudou a desmascarar um esquema que permitiu a outras 340 empresas fugirem dos impostos. Hoje, a Justiça resolveu condená-lo.


Fazendo uma breve pesquisa no Google, podemos identificar a verdadeira face do comprometimento da mídia brasileira com fatos envolvendo multinacionais gigantes ao redor do mundo.

Quase nenhum grande veículo brasileiro de mídia abordou sobre algo extremamente debatido na Europa e Estados Unidos desde 2014: o Luxleaks.

Em novembro de 2014, uma investigação conduzida por cerca de 80 jornalistas denunciou acordos fiscais entre Luxemburgo, na Europa, e cerca de 340 multinacionais como a Apple, Amazon, Ikea e Pepsi. Esses acordos, que visavam prejudicar outros países do bloco, isentou as empresas de bilhões de euros em impostos.

A investigação, conduzida na época pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação em mais de 20 países, com acessos a documentos oficiais e secretos, mostrou que Luxemburgo ajudou as multinacionais em conjunto com a consultoria PricewaterhouseCoopers.

Menos de dois anos depois, o Tribunal responsável pela investigação do caso condenou Antoine Deltour, ex-funcionário da PricewaterhouseCoopers. Mas ele não esteve envolvido no esquema de sonegação de impostos. Pelo contrário: Antoine assumiu ter copiado centenas de “decisões fiscais” dos acordos celebrados pelas autoridades fiscais de Luxemburgo em nome das multinacionais, denunciando todo o esquema em conjunto com os jornalistas.

O ex-funcionário da PwC, Antoine Deltour | Foto: Jerome Mars/JDD/SIPA

Antoine foi condenado a um ano de prisão, além de 1.500 euros de multa. Já seu parceiro nos vazamentos, Raphael Halet, também foi condenado pelo Tribunal a 9 meses de pena, e mil euros de multa. O ex-funcionário da PwC foi acusado de “revelação de segredos empresariais”, “violação de sigilo profissional”, “roubo” e “lavagem de dinheiro”.

Até mesmo o jornalista Edouard Perrin, do francês Le Monde, chegou a ser investigado — porém posteriormente absolvido.

Organizações de Direitos Humanos já se posicionaram contra a decisão do Tribunal, no que chamaram de um “julgamento arcaico”. Mais de 200 mil pessoas assinaram uma petição em apoio a Antoine Deltour, alegando que o ex-funcionário tinha como objetivo apenas incentivar o debate público sobre as práticas eticamente reprováveis das grandes corporações.

A prática de perseguição contra individuos que denunciam práticas ilegais de governos ocidentais e multinacionais de países desenvolvidos é rotineira no primeiro mundo democrático.

Exemplos como Julian Assange, que continua até hoje instalado dentro da embaixada equatoriana em Londres, para não ser preso e enviado para os Estados Unidos, além de Edward Snowden, que vazou milhares de documentos comprovando a espionagem do governo norte-americano contra governos e a própria população, são recentes e tão graves quanto o caso do Luxleaks.

A PwC funciona e opera no Brasil. É considerada uma das maiores prestadoras de serviços profissionais do mundo nas áreas de auditoria, consultoria e demais serviços empresariais. Atua em cerca de 153 países e conta com mais de 154 mil colaboradores, tendo 17 escritórios só no Brasil.

By Democratize on June 30, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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