A política brasileira nos últimos 4 anos daria um ótimo filme, mas um seriado ainda melhor: a cada momento novos fatos acontecem, um…

Lula na Casa Civil e o ‘House of Cards’ do Brasil

Lula na Casa Civil e o ‘House of Cards’ do BrasilA política brasileira nos últimos 4 anos daria um ótimo filme, mas um seriado ainda melhor: a cada momento novos fatos acontecem, um…


Lula na Casa Civil e o ‘House of Cards’ do Brasil

Foto: Lucas Lima

A política brasileira nos últimos 4 anos daria um ótimo filme, mas um seriado ainda melhor: a cada momento novos fatos acontecem, um verdadeiro furacão toda semana. A diferença é que isso é realidade, e não House of Cards. E aqui, pessoas reais pagam por isso. Sim, nós.

Imaginem o ano de 2012 como a primeira temporada dessa série da política real brasileira.

O país vivia tempos calmos. A presidenta Dilma, em pleno mês de abril daquele ano, contava com uma popularidade invejável: 77% da população aprovava seu governo, segundo pesquisa da CNI. Na economia, o crescimento deixou um pouco a desejar — mas nada que não pudesse ser resolvido posteriormente. O país cresceu 0,9%, considerada até então o pior número desde 2009. Apesar das críticas de sempre, que partia dos meios de comunicação de oposição ao governo petista, nada demais. O país vivia um momento consideravelmente bom.

Até meados de maio de 2013, a primeira temporada seguiu. Em maio daquele ano, a popularidade de Dilma atingia 79%. Sim, 79%. Algo difícil de se imaginar nos dias de hoje.

Mas ai, começou a segunda temporada. E dessa vez, novos coadjuvantes ganharam espaço: o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e o governador do estado, o tucano Geraldo Alckmin.

Ai a coisa mudou. Veio o mês de junho.

Os protestos contra o aumento da tarifa em São Paulo fizeram eclodir uma gigante onda de manifestações ao redor do país. A população se mobilizou de forma independente e espontânea, e acabou colocando na Copa do Mundo um pouco de sua ansiedade e angústia.

No final das contas, a segunda temporada é um reflexo dos números da primeira. A economia que demonstrava balançar, começou a influenciar na capacidade de consumo da classe média e baixa.

Mas Dilma, a protagonista, tocou o barco. Soube se virar, na medida do possível, mas sabia que a coisa não seria mais a mesma. Veio 2014, veio a Copa, e veio a eleição presidencial.

E no intervalo entre segunda e terceira temporada, veio também a Operação Lava Jato, em março de 2014.

Nada que impedisse a vitória da protagonista nas eleições para presidência. Dilma começaria o seu segundo mandato, depois de ter feito tantas promessas durante a segunda temporada.

Mas logo que começou a terceira, aquela Operação Lava Jatou bateu na sua porta. Seus aliados, um em um, começaram a cair. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha – que não é o personagem central dessa série – deu as costas ao governo. O mesmo governo que o havia colocado lá. Protestos e mais protestos. Tesoureiro, marketeiro, empreiteira…

Não sobrou absolutamente nada depois da terceira temporada. Foi o verdadeiro caos. No final, ainda por cima, conseguiram atingir o ex-presidente Lula. A Lava Jato chegou lá, ao mesmo tempo em que também chegava perto da protagonista e da oposição, os coadjuvantes.

Hoje, começa a quarta temporada.

Mas o personagem central da série é outro. É Lula, o ex-presidente que acaba de ser nomeado ministro da Casa Civil. Apenas um título político para aquilo que ele realmente se tornou mais uma vez: o presidente da República.

No final das contas, não existe Dilma ou Cunha que consiga ter mais relevância política para ser protagonista de uma série do que o ex-presidente – ops, atual presidente.

Não existe spoiler.

Ninguém sabe o que vai acontecer. Mas definitivamente sabemos que não será o fim da série.

A House of Cards versão Brasília não precisa de roteiristas. Os próprios atores políticos criam seu roteiro. E assim como na ficção, existem aqueles que pagam o preço das articulações e manobras feitas pelos protagonistas. Na série original, dois jornalistas já pagaram o pato. Aqui, na realidade, por enquanto é apenas a população mais pobre que, além de ser feita de massa de manobra por ambos os lados, começa a ficar sem emprego, sem comida na mesa, sem dinheiro, sem teto, sem terra.


Texto por Francisco Toledo, co-fundador e fotojornalista da Agência Democratize

By Democratize on March 16, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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