Imagem: Débora Vaz

Liberte-se antes que o sensacionalismo afete a sua saúde mental

O casal Renato e Fernanda vive junto há 12 anos no subúrbio do Rio de Janeiro. Acordam cedo, encontram dificuldades no deslocamento na ida e na volta do trabalho, mas recebem um salário que permite viver com dignidade. Ao chegar em casa, depois de mais um dia exausto, eles ligam a tevê e colocam em algum canal que esteja passando o noticiário.

O show de horrores começa. São notícias de morte, assalto, enchente, sumiço, tiroteio. Aparece também aquele apresentador moralista, que chega a ser tão sensacionalista que às vezes parece ser um ator seguindo o roteiro (muitas vezes é isso mesmo que acontece). Depois de pelo menos uma hora com notícias macabras, os cidadãos continuam a sou rotina até dormir, pois quando acordarem tudo se irá se repetir.

Com o tempo, o casal vai começar a generalizar. Afirmando que só existem coisas de ruim acontecendo na cidade. A paranóia do medo começa a se desenvolver. Tudo passa a ser motivo para algo de ruim acontecer. E esses sãos os principais sintomas de uma grave doença que afeta o brasileiro: o sensacionalismo.

O Rio de Janeiro é de fato uma cidade violenta. Tem problemas em diversas áreas. Mas todas as cidades do mundo possuem problemas. Nenhum lugar é perfeito, pois a perfeição é utópica. Você pode ser assaltado tanto no Rio como em Paris, por exemplo. Mas o sensacionalismo desses programas é tão grande que as pessoas acabam perdendo a capacidade de raciocinar.

Tem muitas coisas boas acontecendo no Rio de Janeiro. É uma cidade repleta de museus, centros culturais, galerias, pólos gastronômicos etc. Artistas de vários lugares vêm se apresentar na cidade. E o mais interessante: muitos eventos são gratuitos!

As coisas boas não acontecem apenas na área da cultura, mas em outras, como na saúde e educação. Perto da minha residência há uma Clínica da Família e uma UPA. Já fui três vezes a essa UPA e em todas recebi um ótimo atendimento. Também compareci à Clinica da Família e fui testemunha do bom atendimento prestado. Já ouvi diversos relatos de pessoas satisfeitas com alguns serviços públicos. Um policial que recuperou os bens de uma senhora furtada, um motorista de ônibus que respeita as normas de trânsito e trata os passageiros com muita educação, entre outros.

Os programas sensacionalistas te levam a generalizar e desvalorizar a cultura de sua cidade. Depois de anos assistindo é comum que você faça isso automaticamente. Se algo de ruim acontece, nada presta ou funciona na cidade. É essa a ideologia dos noticiários sensacionalistas.

É raro noticiários sensacionalistas apresentarem um caderno cultural, mostrando as atrações recebidas pela cidade na semana. Como também é difícil mostrar outras coisas boas que estão acontecendo na sua cidade. No geral, vão sempre mostrar mais fatos de teor negativo.

Eles não mostram as coisas boas que acontecem na cidade porque utilizam a violência como uma forma de entretenimento. A política do Pão e Circo, prática utilizada pelo Império Romano e em diversos governos pelo mundo, também é aplicada por algumas mídias para manter o telespectador fiel à emissora.

O Rio é uma cidade como outra, feita por coisas boas e ruins – e isso precisa se enxergado. O sensacionalismo não está apenas na tevê. Mas na mídia impressa, na rádio e na internet. Fuja desse sensacionalismo. Não deixe que ninguém construa o mundo para você. Faça a sua própria construção e saia da generalização. O Rio é uma cidade como outra qualquer, feita por coisas boas e ruins – e isso precisa ser enxergado.

Vá a museus, centros culturais, galerias, teatro, cinema, shows. Você vai aprender coisas novas, conhecer histórias e descobrir que o mundo não é tão cinzento como mostra os noticiários sensacionalistas. Curta a vasta natureza do Rio. Ela é exuberante, uma das mais lindas do mundo. Liberte-se!

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