A liberdade de imprensa no Brasil vive uma “situação sensível”, segundo palavras da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Em 180 pa…

Liberdade de imprensa: Brasil ocupa 104ª posição, atrás de países como Uganda e Líbano

Liberdade de imprensa: Brasil ocupa 104ª posição, atrás de países como Uganda e LíbanoA liberdade de imprensa no Brasil vive uma “situação sensível”, segundo palavras da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Em 180 pa…


Liberdade de imprensa: Brasil ocupa 104ª posição, atrás de países como Uganda e Líbano

O repórter fotográfico Juliano, da TVDrone, após ser ferido pela Polícia Militar durante protesto neste ano em São Paulo | Foto: Alice V/Democratize

A liberdade de imprensa no Brasil vive uma “situação sensível”, segundo palavras da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Em 180 países avaliados, Brasil ocupa a 104ª posição, atrás de lugares como Uganda e Líbano. Segundo a RSF, motivo da queda da liberdade é o aumento da repressão do Estado desde as manifestações de 2013, além da crise política atual.


O Brasil está longe de ser uma referência em liberdade de imprensa no mundo — e até mesmo na América Latina. Isso não é uma novidade.

Poucas famílias controlam mais da metade dos meios de comunicação do Brasil. A comunicação pública é praticamente inexistente, e em tempos de crise política e institucional, os maiores veículos de comunicação usam e abusam de sua influência para determinar o futuro político do país.

Essa é a análise feita pela organização internacional chamada Repórteres Sem Fronteiras, a RSF, após uma nova pesquisa envolvendo 180 países e a liberdade de imprensa em cada um deles.

O Brasil ocupa hoje a 104ª posição. Ano passado, ocupava o 99ª lugar. Em 2014, em ano de Copa do Mundo, a situação foi a mais crítica, ocupando a 111ª posição.

Segundo a própria organização, existem vários fatores que explicam o péssimo exemplo brasileiro quando o assunto é liberdade de imprensa — sendo o monopólio dos meios de comunicação uma delas, porém não a principal.

Apesar do Estado não garantir o direito de informação pública para a sociedade civil, ele usa sua máquina de repressão para perseguir, agredir e prender profissionais de imprensa. Desde 2013, segundo a RSF, isso se tornou um padrão cada vez mais praticado pelos governos no Brasil, principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde as manifestações contra o aumento das passagens e contra a Copa tiveram mais adesão, e consequentemente maior repressão policial.

Segundo Fernando Molica, que participou do evento de lançamento do relatório e é diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em menos de três anos foram registrados 249 casos, incluindo “episódios de hostilização”, em sua maioria praticados por agentes do estado “de forma intencional”. “O número só não é maior após essas recentes ondas de radicalização pois nas últimas manifestações as equipes de TV, que são naturalmentr mais visados, têm tomado cuidado de fazer a cobertura do alto de prédios ou de helicópteros”, disse o diretor da Abraji.

Mesmo assim, diversos jornalistas e fotógrafos foram vítimas do Estado só neste ano, em manifestações do Movimento Passe Livre em São Paulo nos meses de janeiro e fevereiro.

Outro motivo especificado pela RSF são os eventos internacionais que chegaram ao Brasil na última década.

Com a realização da Copa do Mundo, por exemplo, foi intensificado o poder do Estado contra manifestações, ferindo até mesmo jornalistas estrangeiros — como foi o caso da repórter norte-americana da CNN, Barbara Arvanitidis, ferida durante protesto contra a Copa logo no jogo de abertura, no Estádio de Itaquera.

Agora, com os Jogos Olímpicos, mais uma vez o Brasil registra uma queda considerável no ranking da RSF.

Além disso, outro fator que causou esse estrago na liberdade de imprensa no Brasil foi a própria crise política. Meios de comunicação controlados por poucas famílias brasileiras, mas que possuem maior alcance de público, influenciaram e determinaram o ritmo e o destino político do país, interferindo diretamente no processo democrático.

O fotógrafo Kaue Pallone, da Agência Democratize, sendo preso após exercer seu trabalho durante manifestação no Rio de Janeiro | Foto: Bárbara Dias/Democratize

>Os países mais livres em imprensa na América Latina

O Uruguai é o país que conta com melhor colocação no relatório da RSF com países da América Latina, ocupando a 20ª colocação. na frente de países como Estados Unidos (41ª), França (45ª) e Reino Unido (38ª).

O Suriname ocupa a 22ª colocação, sendo seguido pelo Chile, o 31ª país com maior liberdade de imprensa no mundo.

Colômbia (138ª) e Venezuela (139ª) ocupam colocações preocupantes, em situação muito mais precária que o Brasil — mas por motivos diferentes. Segundo a RSF, a situação na Colômbia é preocupante por conta da violência que ainda aterroriza a sociedade civil e o trabalho dos profissionais da comunicação, muitas vezes perseguidos por políticos e narco-traficantes. Já na Venezuela, além da violência cotidiana (não política), a interferência do Estado nos veículos de comunicação é o motivo central, segundo a RSF.

Cuba continua sendo o país com pior colocação no ranking da RSF, ocupando o 171ª lugar. O México, mesmo sendo considerado uma democracia, também preocupa, com a 149ª colocação.

A Eritreia, país localizado no Chifre da África, ocupa a pior colocação do ranking mundial da RSF. Reconhecido como país independente desde 1993, esteve em guerra contra a Etiópia entre 1998 e 2000. Porém, mesmo com a interferência estrangeira e da ONU, o clima de guerra persiste entre os dois países.

A Eritreia é governada por apenas um partido político: a Frente Popular por Democracia e Justiça (FPDJ). Outros grupos políticos não estão autorizados a se organizar. Na Assembleia Nacional, 75 dos 150 assentos são ocupados por políticos do FPDJ, e o restante por políticos independentes pró-governo. Nunca houve eleições diretas no país, com profissionais da imprensa e críticos do governo sendo presos diariamente.

By Democratize on July 25, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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