O senador Aécio Neves e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, acharam que seriam aclamados nas ruas pelas mais de 500 mil pessoas que…

“Ladrão de merenda!” Líderes tucanos e da oposição são hostilizados em protesto

“Ladrão de merenda!” Líderes tucanos e da oposição são hostilizados em protestoO senador Aécio Neves e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, acharam que seriam aclamados nas ruas pelas mais de 500 mil pessoas que…


“Ladrão de merenda!” Líderes tucanos e da oposição são hostilizados em protesto

Foto: Alice V/Democratize

O senador Aécio Neves e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, acharam que seriam aclamados nas ruas pelas mais de 500 mil pessoas que se manifestavam na Paulista. Erraram. Porém, isso não significa uma revolta com a classe política quando o polêmico Jair Bolsonaro ainda é aplaudido pelos mesmos manifestantes.

Texto por Francisco Toledo e Carol Nogueira

Neste domingo a cidade de São Paulo foi palco da maior manifestação política que a capital já vivenciou. Segundo o instituto de pesquisas Datafolha, cerca de 500 mil pessoas participaram do protesto convocado por movimentos pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, do PT.

Ainda dentro da estação Paulista do metrô, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Fora PT” e “Lula na cadeia”. Na avenida, o batalhão da tropa de choque bateu continência e foi aplaudido pelas famílias que por ali passavam e também tiravam selfies com os soldados da cavalaria.

Por toda extensão da via, o clima era de carnaval. Os adultos, alguns acompanhados de crianças e seus animais de estimação caminhavam até a concentração dos carros de som em frente ao Masp. Outros grupos paravam no meio do caminho e apreciavam a vista tomando cerveja e registrando tudo com o celular. Haviam faixas de “Fora Dilma e PT”, apoio ao juiz Sérgio Moro e à Polícia Federal, minipixulecos e boneca inflável da Dilma, máscaras com o rosto do ex-presidente Lula, contra a corrupção, não ao comunismo e até pedido de intervenção cívica constitucional.

Durante toda a semana, parecia que o casamento entre tais movimentos e partidos de oposição vivia em uma eterna lua de mel: o senador Aécio Neves, do PSDB, conclamou a população para as manifestações deste domingo, nas redes sociais e em entrevistas. Já o governador Geraldo Alckmin (PSDB) chegou a proibir manifestações em favor do ex-presidente Lula neste domingo em São Paulo, com o objetivo de “proteger” o protesto pelo impeachment de Dilma.

Crentes de que seriam recebidos com aplausos, o senador tucano e Alckmin se encontraram no Palácio dos Bandeirantes, onde juntaram-se a outras figuras ilustres do partido e foram em comboio para a avenida Paulista.

Não conseguiram nem discursar no carro de som. Sob vaias e gritos de “oportunistas”, “ladrão de merenda” e “corruptos”, tanto Aécio quanto Alckmin ficaram apenas meia hora na manifestação.

Foto: Alice V/Democratize

Os gritos contra a oposição tucana demonstraram que boa parte dos manifestantes está, de fato, indignada com a classe política brasileira, principalmente com duas siglas principais — tanto PT quanto PSDB. Mas isso não significa necessariamente que o Brasil esteja vivenciando o movimento dos “Indignados” (da Espanha) versão gourmet.

Em quase todas as cidades e principalmente nas grandes capitais onde aconteceram as manifestações, figuras de extrema-direita como o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) foram recebidas de forma unânime, com aplausos e gritos de apoiadores.

Isso mostra que a figura de Bolsonaro como um político “fora dos padrões” representa cada vez mais a ansiedade de boa parte dos manifestantes. A imagem de um “salvador da pátria” se torna cada vez mais perigosa — e curiosamente, a oposição tucana experimentou esse gostinho pela primeira vez.

1Foto: Alice V/Democratize

Em São Paulo, o movimento que atraiu maior público foi novamente o Vem Pra Rua, representando praticamente 70% dos manifestantes que ocuparam a Paulista neste domingo. Seguidos pelo Movimento Brasil Livre, que demonstra um grande crescimento de notoriedade na opinião pública, que porém não é revertido em adesão. Do outro lado, grupos considerados mais “radicais” como o Revoltados On Line ainda não conseguiram se apresentar como protagonistas da mobilização pelo impeachment da presidenta Dilma, tendo como apoiadores figuras como o ator Alexandre Frota – que esteve presente no “camarote VIP” do grupo.

Veja mais fotos da manifestação deste domingo, clicadas pelos nossos fotógrafos Felipe Malavasi e Alice V:

Fotos: Felipe Malavasi/DemocratizeFotos: Alice V/Democratize

By Democratize on March 14, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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