Em texto publicado nas redes sociais, jornalista comenta que ele e sua equipe no jornal Gazeta do Povo estão “sendo alvo de uma das piores…

Jornalistas estão sofrendo perseguição política por juízes e promotores no Paraná

Jornalistas estão sofrendo perseguição política por juízes e promotores no ParanáEm texto publicado nas redes sociais, jornalista comenta que ele e sua equipe no jornal Gazeta do Povo estão “sendo alvo de uma das piores…


Jornalistas estão sofrendo perseguição política por juízes e promotores no Paraná

Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Em texto publicado nas redes sociais, jornalista comenta que ele e sua equipe no jornal Gazeta do Povo estão “sendo alvo de uma das piores perseguições a jornalistas e ao jornalismo” que já presenciaram. A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) publicou nota repudiando a retaliação de magistrados e promotores contra os profissionais da imprensa.


“Desculpa, mas vai ter que ter TEXTÃO”.

Assim começa o post do jornalista Francisco de Souza em sua página pessoal no Facebook.

Na publicação, o jornalista comenta que nos dois últimos meses, ele e mais 4 colegas do jornal Gazeta do Povo estão sofrendo perseguição política por parte de juízes e promotores do Paraná.

“ Em fevereiro, nós publicamos uma série de matérias sobre a desproporcional remuneração de magistrados e membros do MP estadual. Analisamos os vencimentos anuais das categorias e verificamos que, somando o salário base com auxílios, indenizações e um retroativo que, logicamente, não faz qualquer sentido, a média de rendimentos anuais deles ultrapassa em 20% o teto — o salário de um procurador e de um desembargador, à época, R$ 30.471”, comenta Francisco.

O jornalista reafirma que todo material publicado foi rigorosamente revisado e pesquisado: “Não tem um número ou uma palavra que não seja 100%, comprovadamente verdadeira”.

O problema começa a partir do momento em que um grupo de juízes do Paraná resolveram processar os jornalistas.

“Esse grupo de juízes decidiu apresentar mais de 30 ações individuais, todas idênticas, no Juizado Especial, pedindo o teto de pequenas causas (40 salários mínimos). No Juizado Especial, nós somos obrigados a comparecer pessoalmente a todas as audiências de conciliação — mesmo que todos saibam de antemão que não haverá acordo. Ou seja: nos últimos dois meses, nós viajamos o Paraná inteiro para participar de audiências sem qualquer propósito, sem contar as tardes que tivemos que passar nos juizados aqui de Curitiba e da RMC. Sem poder trabalhar, sem poder tocar nossas vidas”, lamenta e desabafa o jornalista.

A Abraji, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, publicou uma nota de repudio contra a ação dos magistrados e promotores em relação aos jornalistas, nesta segunda-feira (6).

Segundo a associação, “surpreende que os magistrados e promotores ignorem a jurisprudência sobre essa forma de assédio judicial”: “ Em 2008, a Igreja Universal do Reino de Deus aplicou a mesma tática de intimidação da imprensa, orientando fiéis de todo o país a mover ações contra a jornalista Elvira Lobato e a Folha de S.Paulo, frente à publicação de reportagem sobre empresas ligadas ao bispo Edir Macedo. À época, as mais de 90 ações judiciais por danos morais não prosperaram e em alguns casos houve condenação da Universal e de fiéis por litigância de má-fé, ou seja, abertura de processo para obter resultado ilegal ou apenas para prejudicar outra parte”.

A Abraji ainda comenta que “os processos na Justiça não buscam a reparação de eventuais danos provocados pelas reportagens”, mas sim “intimidar o trabalho da imprensa”, portanto um atentado contra a democracia e ao direito de livre expressão.

Veja aqui uma das reportagens publicadas pelo grupo de jornalistas sobre os “supersalários” dos procuradores e promotores, na Gazeta do Povo.


A Agência Democratize repudia qualquer ação por parte de poderes públicos e privados contra a liberdade de expressão e de imprensa. Já vivenciamos dentro de nossa própria equipe ações de repressão contra jornalistas e fotógrafos, que realizavam sua função de trabalho durante coberturas de manifestações em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Em tempos tenebrosos para a democracia, o que não podemos tolerar de forma alguma é a tentativa de colocar uma mordaça contra os jornalistas que ainda atuam de forma independente no Brasil, contrariando grandes interesses — tanto de governos quanto de empresários da própria mídia.

By Democratize on June 7, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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