Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Jornalista critica violência policial no Brasil em matéria do The New York Times

A jornalista Vanessa Barbara criticou a impunidade da polícia brasileira em manifestações, em artigo publicado pelo jornal norte-americano The New York Times: “Quando vou cobrir uma manifestação no Brasil, antes preciso levar um capacete, uma máscara de gás e um par de óculos de proteção”.

A violência policial durante manifestações no Brasil não é novidade — principalmente quando a pauta incomoda os governantes de fato.

Prova disso aconteceu ontem, no Rio de Janeiro, quando mais de 7 mil pessoas protestavam contra a PEC 241. O protesto, com concentração na Cinelândia, pretendia chegar até a sede da Petrobrás. Não deu certo: policiais cercaram os manifestantes e impediram que o ato continuasse. Pior do que isso, perseguiram as pessoas que estavam no protesto mesmo após dispersão, ferindo um jornalista e prendendo pelo menos 5 pessoas.

Porém, a visão estrangeira sobre os acontecimentos no Brasil ainda é limitada: a violência por parte dos manifestantes ainda consegue ser mais relativa do que a repressão policial nos protestos. Em partes, isso acontece por causa do discurso midiático dos próprios meios de comunicação no Brasil, o que acaba refletindo no ponto de vista dos jornais estrangeiros.

 Mas nesta terça-feira (18), o “bloqueio” foi quebrado.

A jornalista Vanessa Barbara publicou um texto em um dos principais jornais do mundo retratando o modo de atuação da polícia brasileira durante manifestações populares. O artigo, com título “A aterrorizante impunidade da polícia no Brasil” foi publicado no norte-americano The New York Times, e pode ser lido aqui.

No texto, Vanessa descreve como é a sua rotina durante a cobertura de manifestações no Brasil, incluindo o fato de precisar levar vários objetos de proteção para não sair ferida durante os atos por causa da polícia. Além disso, a jornalista ainda toca no fato das manifestações de esquerda se tornarem um alvo em específico da polícia: “O aumento dos protestos trouxe com ele as respostas violentas da polícia, que tendem a ser mais intensa contra manifestações de esquerda”. Ela ainda escreve que durante os protestos contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a Polícia Militar “parecia acolher os protestos”, se referindo às selfies e elogios dos manifestantes mais conservadores durante os atos anti-PT com os policiais em São Paulo.

O artigo ainda cita o resultado da violência policial nos manifestantes feridos durante os atos, como foi o caso da jovem Deborah Fabri neste ano em São Paulo, que ficou cega após ser atingida por estilhaços de bomba de efeito moral durante uma manifestação contra o presidente Michel Temer (PMDB).

Outros casos envolvendos profissionais da imprensa também são citados, como os fotojornalistas Sérgio Andrade da Silva e Alex Silveira, ambos cegos após ser atingidos por tiros de bala de borracha: “Mas em ambos os casos, o tribunal decidiu que eles não tinham direito a uma compensação, porque eles tinham se colocado em situação de perigo”, escreveu Vanessa.

A jornalista ainda cita organizações criadas para defender os direitos dos manifestantes, como os Observadores Legais e o coletivo Advogados Ativistas, mas lamenta que isso não seja o suficiente para impedir o abuso de autoridade por parte dos policiais.

“O Brasil ainda está em crise. Os protestos vão continuar. Eu gostaria de ter a esperança de que o abuso contra os manifestantes não vai continuar junto com os atos. Mas nada vai mudar enquanto os policiais militares insistirem em tratar manifestantes como criminosos, e não como cidadãos no exercício dos seus direitos”, encerra o artigo.

 

Foto: Reinaldo Meneguim/Democratize

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