Jornal Folha abre espaço em seu site para propaganda pró-PEC 241

Qual o limite da propaganda no jornalismo? O site do jornal Folha de S.Paulo acordou com uma enorme propaganda em defesa da PEC 241, paga pela “consultora financeira” Empiricus. O projeto pretende congelar os gastos sociais por 20 anos, independente do Brasil melhorar ou não financeiramente, afetando a vida de milhões de pessoas de baixa renda.

“Se você é contra a PEC do Teto de Gastos Públicos, você é contra o Brasil”.

Desta forma irresponsável, o jornal Folha de S.Paulo abriu espaço para a publicidade realizada e financiada pela “consultora financeira” Empiricus, conhecida pelos diversos casos de sabotagem política.

Com uma petição, a consultora financeira tenta tornar a PEC 241 em algo desejado pela sociedade. O que não é.

Não é novidade as variadas tentativas do governo de Michel Temer (PMDB) se reunir com grupos e organizações de mídia para “facilitar” a entrada das reformas de austeridade na opinião pública. Recentemente, o próprio Movimento Brasil Livre (MBL) se reuniu com seus patrões em Brasília, onde receberam direcionamentos para propagar a política de austeridade entre seus seguidores.

Porém, nunca se viu em qualquer país do mundo o desejo por reformas de austeridade. A prática é a mesma: o governo, com a ajuda da mídia e dos grandes empresários, falam que se trata de “responsabilidade”. Porém, os empresários não pagam o pato. O MBL não paga o pato. Temer não paga o pato.

Com a PEC 241, quem vai pagar o pato é justamente as classes C, D e E. Isso porque o projeto determina por 20 anos o congelamento dos gastos sociais, incluindo não apenas os programas de assistência, como também setores da Educação e Saúde.

Isso tudo sem consultar a sociedade.

Os únicos consultados foram os empresários. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, esteve com Michel Temer recentemente em São Paulo para debater sobre o projeto. Não por acaso, os empresários e a única parcela consultada pelo governo, que são os 1% que controlam mais de 80% da riqueza nacional, não serão atingidos pela PEC 241. Afinal, não utilizam serviços públicos.

Ao redor do mundo, iniciativas “alternativas” ocorreram para conter os gastos públicos e evitar a continuidade da crise. Uma delas é a criação do imposto sobre grandes fortunas, o que tecnicamente deveria ser constitucional no Brasil — porém, não foi respeitado por nenhum governo até hoje. Outra alternativa é a auditoria da dívida pública. Porém, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) fez questão de vetar a iniciativa, aprovada pelo Congresso em 2015. Temer não poderia estar mais feliz.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize
Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Mas independente disso, qual deveria ser o posicionamento público de um dos jornais mais lidos do país, diante da oferta de uma publicidade política tão grave em sua página na Internet?

Não existem limites para o jornalismo dos dias de hoje?

Muitos questionavam nos últimos anos a publicidade do governo federal petista em blogs e sites de jornalismo progressistas. Falavam da “politização da publicidade”.

Qual a diferença entre isso e o que a Folha pratica, aceitando abrir tanto espaço em sua página principal para uma publicidade que, ironicamente, coloca os brasileiros que serão atingidos pela PEC 241 contra aqueles que a defendem?

É hora de repensar o jornalismo.

Porque a informação vale muito mais do que o lucro do seu patrão.

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