Pelo menos 2 pessoas foram presas durante protesto contra os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (5). Além das detenções…

Jogos da exclusão: polícia usa gás vermelho contra manifestantes

Jogos da exclusão: polícia usa gás vermelho contra manifestantesPelo menos 2 pessoas foram presas durante protesto contra os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (5). Além das detenções…


Jogos da exclusão: polícia usa gás vermelho contra manifestantes

Foto: Bárbara Dias/Democratize

Pelo menos 2 pessoas foram presas durante protesto contra os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (5). Além das detenções, a Polícia Militar utilizou gás lacrimogêneo de fumaça vermelha contra os manifestantes, considerado extremamente perigoso por instituições internacionais de segurança.


A sexta-feira (5) ficou marcada pela abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Mas o que também aconteceu na cidade maravilhosa foi o abuso policial contra manifestantes, que protestavam contra o evento.

Com ponto de encontro na Praça Saens Peña, próximo do local onde ocorria a abertura dos Jogos — no estádio do Maracanã — , cerca de 500 manifestantes já se posicionavam para se mobilizar através da campanha “Rio 2016: Jogos da Exclusão”, formado basicamente por grupos autônomos e entidades sociais atingidas pela realização dos jogos no Rio de Janeiro.

Primeiro, a Polícia Militar não queria permitir o trajeto decidido pelos manifestantes, até o estádio do Maracanã.

Posteriormente, ainda na concentração, um jovem acabou sendo preso dentro de um bar nas proximidades da Saens Peña, acusado de “incitar a violência” contra policiais militares. A PM invadiu o bar, agrediu o estudante e o levou preso.

Mesmo com a decisão dos policiais, os manifestantes conseguiram durante o trajeto furar o bloqueio feito pelos PMs, conseguindo marchar nas vias da capital.

Fotos: Bárbara Dias/Democratize

Já sob o clima de tensão, a manifestação tentava driblar por diversas vezes os bloqueios armados pelas forças de segurança do Estado.

Porém, tudo caminhava de forma tranquila até o encerramento do protesto, na Praça Afonso Pena.

Lá, sem nenhum aviso prévio, a Polícia Militar decidiu dispersar a manifestação, atirando bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra as pessoas que estavam na praça. Segundo informações e relatos, policiais utilizaram um tipo de bomba de gás lacrimogêneo diferente — com uma fumaça vermelha escura.

Segundo informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, esse tipo de arma não letal pode causar efeitos graves contra quem for atingido, como levar a vítima a desenvolver lesões na córnea ou mesmo cegueira, garganta e pulmões podem sofrer queimaduras avançadas e a asfixia pode ser completa.

Fotos: Bárbara Dias/Democratize

A justificativa dada pelos policiais para utilizar a força foi o fato dos manifestantes terem tentado queimar uma bandeira do Brasil na praça.

No meio da confusão, mais um rapaz foi preso por policiais.

Crianças que brincavam no parque na praça acabaram sendo atingidas pelo gás lacrimogêneo, além da população que acompanhava de longe a manifestação em seu final.

Uma mulher chegou a desmaiar por causa dos efeitos causados pelo gás lacrimogêneo vermelho utilizado pelos policiais.

> Em São Paulo, mais de 60 presos

Em apoio aos manifestantes do Rio, cerca de 100 pessoas participaram de uma manifestação contra a realização dos Jogos Olímpicos também em São Paulo, nesta sexta-feira (5).

O ato, marcado com concentração no vão livre do Masp, também não conseguiu chegar ao seu final.

Inicialmente, policiais não permitiram a saída do grupo do local de concentração. Os manifestantes tiveram de desviar do bloqueio armado pela PM para conseguir ocupar um trecho da Avenida Paulista, seguindo para a Rua Augusta sob forte vigilância policial.

Foto: Gustavo Oliveira/Democratize

Na Rua Augusta, mais confusão. Manifestantes e policiais entraram em confronto, e spray de pimenta foi utilizado pela PM, que envelopou cerca de 60 pessoas durante o protesto.

Todos os detidos foram levados para o 78DP, e liberados apenas durante a madrugada deste sábado (6), após assinarem um termo assumindo a prática de vandalismo. Porém, conforme fontes do Democratize no local, não houve qualquer prática similar por parte dos manifestantes, que justifique a decisão da Polícia Militar.

Assim como no Rio de Janeiro, o que mais surpreendeu os manifestantes foi o número de policiais destacados para ambos os protestos, que não contaram com um grande número em adesão — mas mesmo assim foram seguidos por um grande efetivo policial.

A tendência é que durante os Jogos Olímpicos esse tipo de padrão continue sendo seguido pelas forças de segurança, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro.


Veja mais fotos dos protestos em São Paulo e no Rio de Janeiro, por Gustavo Oliveira e Tales Duarte:

Fotos: Gustavo Oliveira/DemocratizeFotos: Tales Duarte/Democratize

By Democratize on August 6, 2016.

Exported from Medium on September 23, 2016.

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